Formula One: o jogo que é um ícone do ZX Spectrum!

Existem dois jogos que a comunidade Britânica desvaloriza, incluindo a imprensa da época, mas que os Portugueses idolatram. O primeiro deles é Chuckie Egg, o jogo que merecidamente venceu o primeiro Hall of Fame do Museu Load ZX. O segundo é Formula One, que muito merecidamente foi considerado o melhor jogo para os leitores de Planeta Sinclair e ZXSDDA e que consta também no top Planeta Sinclair dos melhores jogos de sempre para o ZX Spectrum, na posição 23º.

Formula One: o jogo que é um ícone do ZX Spectrum!

Mas há mais coisas que ligam Formula One a Portugal. Assim, no já distante ano de 1998, o Nuno Pinto (aka Namco), fez um MOD do jogo bastante competente. Além disso, mais recentemente, o Rui Martins e o J. Martins fizeram novo MOD, desta vez contemplando muitas melhorias, incluindo gráficas e que ficou com um aspecto brutal (consta que não vão ficar por aqui).

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E se pensam que se esgota por aqui as ligações de Formula One ao nosso país, podemos acrescentar ainda que um dos programadores vivia em Cascais na altura do desenvolvimento do jogo, e que, precisamente no dia de hoje, temos Pete Wheelhouse em Cantanhede, no Museu LOAD ZX, em mais um mega evento realizado pela equipa do museu e da Inercia. E esta, hein? Como dizia o saudoso e centenário Fernando Pessa.

Para sermos sinceros, nunca entendemos a razão para os Britânicos não valorizarem devidamente Formula One. Talvez seja porque não têm o conceito de jogar em família, como nós tínhamos tão enraizado nos anos 80 (agora, com a internet e as redes sociais, infelizmente esse conceito perdeu-se na maioria dos lares Portugueses). Mas de facto, Formula One é um jogo para a família e amigos, pois permite que até seis jogadores em simultâneo assumam a gestão de uma escuderia da Fórmula Um, não só escolhendo os patrocinadores (primeiro passo, logo depois de se seleccionar uma, de seis equipas famosas dos anos 80), bem como os pilotos (estão os mais famosos da época 84/85), mas também é possível selecionar-se meia dúzia de pilotos inexperientes e desconhecidos, podendo até alterar-se o seu nome (é uma boa oportunidade para metermos os nossos nomes e dos nossos amigos a correr no campeonato).

Depois desta primeira fase, que apenas acontece no início de cada época, temos acesso a um dos quadros mais importantes e que antecede todas as corridas.

Podemos então definir o estado e performance do motor (“power”), do chassis (“car”) e a eficiência dos mecânicos (“crew”), que na prática se traduz na velocidade com que se movem aquando da ida às boxes. Existem aqui algumas semelhanças com Brum Brum, um jogo Português com a mesma temática, que saiu um ano antes de Formula One.

Existe um quarto parâmetro que, nesta fase, influencia o desenrolar das corridas: o nível do condutor (“driver”). Mas não é possível aumentar a sua performance da mesma forma que os outros parâmetros. Claro que podemos sempre comprar um piloto mais experiente, mas esse também custa mais dinheiro e uma boa gestão dos fundos é o primeiro passo para sermos bem-sucedidos. O nível dos pilotos vai subindo à medida que estes vão terminando as corridas, de preferência em lugar pontuável (e esperando que não se despistem e fiquem lesionados, se isso acontece, apenas resta a opção de comprar outro piloto – felizmente que isso não acontece muitas vezes).

Após definirmos o estado das nossas viaturas, temos uma última opção a tomar antes de iniciarmos a corrida. Assim, consoante o boletim meteorológico que é fornecido, temos que escolher os pneus com que nos vamos apresentar na grelha de partida. Esta opção é muito importante, pois uma má escolha tem normalmente resultados desastrosos, desde perdermos tempo, a fazermos piões e danificar o chassis, tendo que se ir às boxes, ou, na pior das hipóteses, abandonarmos a corrida.

Existem cinco hipóteses de pneus à escolha:

  • Soft Compound: os mais rápidos, mas desgastam-se rapidamente
  • Medium Compoud: menos rápidos que os “soft”, mas desgastam-se menos rapidamente
  • Hard Compoud: os mais lentos, mas mais duráveis
  • Intermediates: para piso húmido
  • Rain Tyres: para tempo de chuva

É então apresentada a grelha de partida e após uns segundos começa aquilo que é mais ansiado por todos: a corrida. Ao longo de 16 Grandes Prémios, Portugal incluído (Autódromo do Estoril), temos oportunidade de ver os nossos pilotos em acção. Os bólides vão passando ruidosamente a cada volta, com os tempos dos seis primeiros afixados no placard electrónico, sendo que no final de cada volta, se alguma coisa de relevante acontece, é passado em rodapé através de uma curta mensagem. É desta forma que sabemos os problemas que vão acontecendo com os carros e condutores, assim como pontuais mudanças nas condições meteorológicas. Quando esta última acontece, normalmente quer dizer que começou a chover ou que a pista entretanto ficou seca. Duma forma ou doutra, o melhor é chamarmos a viatura às boxes.

A parte das boxes é aquela que ninguém se esquece. Assumimos então o controlo do mecânico que tem que mudar os pneus e, por vezes, ir à parte de trás do carro afinar o chassis ou o motor. É o único momento de arcada de Formula One, mas é também aquele que mais calafrios provoca.

Uma corrida contra o tempo, e quem nunca soltou uns impropérios, apenas porque com a pressa errou tocar no local onde se muda o pneu?

É também aquele momento em que desejamos fazer as coisas perfeitas, e os nossos amigos e família desejam que o nosso mecânico meta os pés pelas mão e falhe o local que deve tocar. Enquanto isso, o cronómetro vai avançando, fazendo aumentar ainda mais o nervosismo de todas as partes. Por um pneu se ganha, por um pneu se perde, nem que seja porque demorámos mais uns segundos a trocar a roda.

No final da corrida, são apresentados os resultados, assim como os pontos, quer dos condutores, quer da equipa. Se chegarmos ao final dos 16 grandes prémios e a nossa equipa for a que tem mais pontos, começamos nova época, agora num nível de dificuldade acima. Existem cinco níveis de dificuldade, sendo que nos mais difíceis, estão sempre 12 carros em prova (isso não acontece nos níveis mais fáceis).

A propósito, quando o jogo foi lançado, até surgiu uma competição destinada aos que vencessem no nível mais avançado (expert).

Por fim, existe uma opção que nunca utilizamos: apostas.

Há a possibilidade de apostarmos antes de cada corrida no vencedor. É uma forma de se conseguir aumentar o mealheiro. Mas mesmo com essa opção, muito do agrado do público Britânico (não tanto dos Portugueses), Formula One não lhes caiu no goto. É uma aposta que perdem, é o que podemos dizer.

Formula One é dos jogos mais viciantes que conhecemos. Mesmo depois de fazermos dezenas e dezenas de temporadas, quer em família, quer sozinhos, voltamos sempre a carregá-lo. É o jogo ideal para se passar um tarde ou serão entre amigos. Em termos pessoais, lembro-me bem das inúmeras tardes nas férias em família, em que em vez de irmos para a praia, não nos conseguíamos afastar do computador. Essas memórias felizes vão para sempre ficar e, talvez também por isso, nunca me irei esquecer de Formula One…

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André Leãohttp://planetasinclair.blogspot.pt/
Tive o meu primeiro computador em 1985, um TC 2048, que me iniciou na informática. Apesar de no final dos anos 80 ter definitivamente passado para os 16 bits, o bichinho do Spectrum e clones sempre ficou, até aos dias de hoje. Atualmente coleciono tudo o que tenha a ver com o Spectrum e vou estando a par das novidades deste mercado, sendo fundador do blogue Planeta Sinclair.

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