“Uma decisão de folha de Excel”: Ex-patrão da PlayStation explica porque é que o fim dos discos físicos era inevitável. – Se costumas acompanhar os meus artigos aqui na Leak sobre videojogos e o mercado digital, sabes perfeitamente que o anúncio da Sony de acabar com a produção de jogos físicos em 2028 caiu como uma autêntica bomba na comunidade.
Foi, sem margem para dúvidas, uma das decisões mais odiadas da história do gaming, deixando colecionadores e defensores dos direitos dos consumidores em pé de guerra. No entanto, se tinhas a secreta esperança de que a marca voltasse atrás devido à contestação massiva, o meu conselho realista é… tira o cavalinho da chuva.
Shawn Layden, o antigo homem-forte da PlayStation, veio a público explicar que esta facada no formato físico não foi um capricho de última hora. Foi uma decisão puramente matemática, fria e cozinhada em folhas de Excel ao longo de muitos e longos anos.
De facto, a verdade nua e crua é que as fábricas de discos já estão a ser reconvertidas para outras indústrias. Para a Sony, o disco passou a ser um estorvo dispendioso que já não justifica o investimento.
Quando 95% do dinheiro vem do digital, o resto passa a ser paisagem. Como é absolutamente normal.
Em declarações muito recentes, Shawn Layden foi muito direto ao assunto.
Curioso, porque ele ainda se lembra do tempo em que as vendas digitais representavam 0% do negócio, mas viu essa fatia crescer ano após ano com a evolução da internet de banda larga.
A matemática atual da Sony para justificar a morte do leitor de discos, e que dita que a futura PlayStation 6 vai nascer 100% digital, resume-se a uma lógica de mercado brutal!
- Quando tens 80% do teu público ligado à rede e esse bolo representa uns esmagadores 95% das tuas receitas, qual é o incentivo para manter as luzes acesas nas fábricas de discos para agradar aos restantes 20% que só dão 5% de lucro? Nenhum.
Mas, há quem aponte o dedo a outras razões mais “feias”.
Alguns “leakers conhecidos da indústria, como o KeplerL2, sugerem que a morte do formato físico serve para duas coisas muito específicas:
- matar de vez o mercado de jogos usados (limpando o modelo de negócio de lojas como a GameStop ou o nosso OLX)
- inflacionar as margens de lucro para compensar os custos de produção da PS6, que promete chegar ao mercado com um preço proibitivo.
No entanto, o ex-boss da PlayStation desvaloriza a teoria do mercado de usados. Ou seja, para Layden, a comodidade do digital já tinha esmagado esse ecossistema secundário de forma natural ao longo do tempo, deixando de ser uma dor de cabeça material para as contas da Sony.
A internet não perdoa e a Sony desapareceu das redes sociais.
As implicações desta jogada para a preservação histórica dos videojogos e para os direitos de quem paga por eles são assustadoras. Como já falámos aqui na Leak, no digital tu não és dono de nada! Pagas por uma licença que a marca pode revogar quando quiser.
Por isso, a revolta dos jogadores escalou a um nível nunca antes visto. Além de petições internacionais a correr a internet, a contestação foi tão agressiva que o próprio anúncio oficial da Sony no X levou com uma “Community Note” humilhante. A marca japonesa, percebendo que a receção foi um desastre absoluto de relações públicas, optou por uma estratégia de silêncio total e desapareceu temporariamente das redes sociais.
Ainda assim, a máquina corporativa não tem sentimentos. Podem chorar no Reddit, reclamar no X ou assinar petições, mas quando a administração olha para os gráficos de lucros e vê a torneira do digital a debitar 95% da receita, o destino do plástico está traçado. O leitor de Blu-ray na tua consola vai passar a ser uma peça de museu.
Em suma, no fim do dia, a culpa é tua. Que claro está, optaste pelo digital em vez do físico.






