É inegável que a forma como gerimos o nosso dinheiro mudou drasticamente com a ascensão dos pagamentos por smartphone, relógios e até anéis inteligentes. Como resultado desta evolução, o dinheiro físico tem perdido terreno e o uso dos cartões de crédito tradicionais começa a ser visto como algo do passado. Esta mudança de hábitos tem um impacto direto nos caixas automáticos: com a redução da sua utilização, os bancos questionam agora se o elevado custo de manutenção destes aparelhos ainda faz sentido e procuram soluções mais modernas. Tudo isto pode ser o fim das caixas multibanco, sobretudo graças aos cash services?
Cash Services: fim das caixas multibanco tradicionais
Em França, gigantes financeiros como o BNP Paribas, Société Générale, Crédit Mutuel e o CIC já deram o primeiro passo. Estas entidades uniram-se para eliminar gradualmente os terminais convencionais e introduzir um sistema adaptado aos novos tempos, focado na eficiência e na redução de custos.
O que são os Cash Services e como funcionam?
A nova grande aposta do setor bancário francês chama-se Cash Services. Estes novos pontos de dinheiro em fluxo são muito mais versáteis do que os terminais a que estamos habituados, funcionando como verdadeiros balcões de autoatendimento.
Na prática, as funcionalidades vão muito além do simples levantamento de notas:
Gestão de valores: Os terminais permitem não só levantar dinheiro, mas também depositar numerário e cheques de forma imediata.
Interface inteligente: Ao inserires o teu cartão, o sistema reconhece automaticamente o teu banco e adapta a interface para o menu que já conheces.
Sem comissões extra: Os clientes das quatro marcas parceiras podem utilizar qualquer um destes pontos sem pagar taxas adicionais por levantamentos fora da sua rede bancária.
Uma transição rápida já em curso neste ano de 2026
A implementação desta tecnologia está a avançar a uma velocidade impressionante. De acordo com comunicados recentes, o objetivo é instalar cerca de 7.000 pontos de Cash Services durante o ano de 2026, espalhados tanto por agências bancárias como por locais públicos estratégicos.
Ao mesmo tempo que estes novos terminais surgem, o sistema antigo começa a ser desmantelado. Estima-se que cerca de 3000 caixas automáticos tradicionais sejam retirados nos próximos meses, afetando principalmente as zonas urbanas e suburbanas do país vizinho.
Em suma, estamos a assistir ao nascimento de uma nova era na gestão de numerário. Embora o digital domine as nossas carteiras, os bancos não querem abandonar quem ainda precisa de dinheiro físico, mas procuram fazê-lo de uma forma mais integrada, colaborativa e tecnológica. Resta saber quanto tempo demorará esta tendência dos “serviços de caixa” partilhados a chegar em força ao mercado português.






