O novo Fiat 600 quer seguir a mesma receita (de sucesso) do passado. Mudou algumas coisas, ficou maior, mais pesado, mas… até que nem correu nada mal. Para o mercado atual, claro está!
Olhas para o novo Fiat 600 e o cérebro tenta imediatamente convencer-te de que estás perante o sucessor do carismático 500X, ou simplesmente perante um Fiat 500 que tomou esteróides e foi ao ginásio.
É normal! A marca italiana faz questão de invocar a nostalgia do clássico de 1955 para vender a ideia de que este é um carro com alma latina, focado na família e cheio de personalidade. Porém, a realidade é imbatível. Este Fiat 600 é mais um produto saído da gigantesca linha de montagem da Stellantis, com a mesma base e software de tantos outros carros.
Ainda assim, tem alguma alma extra, e isso faz a diferença no ato da compra.
Mesma base? Como assim?
Estou farto de dizer isto. Mas, hoje em dia, a partilha de plataformas é algo inegável. É exatamente por isso que todos os carros “sabem ao mesmo”. Dito isto, o Fiat 600 partilha exatamente a mesma plataforma, motores e tecnologia de modelos como o Jeep Avenger, o Peugeot 208 ou o Opel Corsa.
É exatamente por isso que a Fiat se gaba de que a base já ganhou prémio de “Carro do Ano”. É pragmático? Sim. Mas, mata quase toda a originalidade. Ainda assim, este Fiat 600 tem argumentos a sério para convencer os consumidores.
Um interior que é um puzzle, e claro, motores para dar e vender.

No interior, tirando um ou outro detalhe simpático na consola central, a cabine é uma colagem evidente de peças do banco de órgãos do grupo Stellantis. Porém, à frente, temos espaço para dar e vender, o que é uma boa notícia. Lá atrás? Mais complicado, mas, ainda assim, é um salto gigante face ao Fiat 500.
No capítulo das motorizações, a Fiat propõe a versão 100% elétrica (600e) e duas opções Mild-Hybrid a gasolina equipadas com o conhecido motor 1.2 Turbo de três cilindros (com 100cv ou 136cv) associado a uma caixa automática de seis velocidades. O sistema híbrido inclui um pequeno motor elétrico alimentado por uma bateria de 0,89 kWh.
Dito tudo isto, em trânsito urbano, a marca promete que consegues rodar cerca de 1 quilómetro em modo puramente elétrico. Uma métrica fantástica para impressionar no papel, que vai ajudar em alguns percursos menos exigentes.
Ao volante: Confortável para a rotina, mas falta um bocadinho de “vivacidade”.

Se a tua ideia de mobilidade é ir do ponto A ao ponto B sem chatices e com consumos contidos, o 600 cumpre a função com distinção. E na verdade, é exatamente isso que a Fiat quer oferecer com esta versão.
Dito tudo isto, a versão elétrica de 156cv e bateria de 51 kWh entrega uma eficiência honesta na casa dos 350 km reais, enquanto a versão a gasolina de 136cv tem a vivacidade certa para o dia a dia. O problema surge quando tentas extrair algum prazer da condução.
Como o objetivo é ser confortável, a direção é muito leve e amortecida. Por vezes até parece desconectada do asfalto. Ou seja, o carro é confortável, absorve bem os buracos da cidade, mas não transmite rigorosamente emoção nenhuma a quem vai ao volante.
A questão é… A ideia das marcas é mesmo essa.
A grande maioria dos carros modernos são assim. As pessoas já não querem um carro para curvar. Querem um carro prático para o dia-a-dia, e está tudo bem.
Por isso, num mercado inundado por alternativas como o Volvo EX30, o Renault Megane E-Tech ou as opções chinesas da MG e BYD, o Fiat 600 acaba por ser um produto extremamente racional num segmento que começa a perder pernas no lado dos entusiastas da condução. Cumpre todos os requisitos de segurança e eficiência, e no fim do dia, é isso que interessa.
Achas que este Fiat 600 tem personalidade suficiente para se destacar na estrada ou é apenas mais um crossover genérico do grupo Stellantis? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.
Este automóvel começa abaixo dos 20 mil euros. Podes saber mais aqui.







