Quantas vezes já te aconteceu abrir o Spotify, esperar que a aplicação adivinhe o teu estado de espírito e, em vez de boa música, levas com uma enxurrada de faixas comerciais que detestas, lixo gerado por inteligência artificial ou aquele género musical que ouviste uma única vez por engano e agora recusa-se a sair do teu feed?
Isto tem vindo a ser cada vez mais comum.
Por isso, a empresa sueca parece ter finalmente percebido a frustração dos utilizadores, e fez algo de diferente. Chama-se Taste Profile e é a nova ferramenta oficial que te permite olhar nos olhos do algoritmo, ver exatamente o que a aplicação pensa do teu gosto e, melhor ainda, dizer-lhe preto no branco o que queres e NÃO queres voltar a ouvir!
Assim, depois de um período de testes na Nova Zelândia, a funcionalidade começou a aterrar em versão beta nos Estados Unidos para subscritores Premium e prepara o caminho para a expansão global. No fundo, é a confissão de que a automação às cegas falhou e que o utilizador precisa de assumir o volante.
Como funciona? Uma caixa de diálogo direta com a máquina!

Portanto, até aqui, a única forma de tentares “educar” o Spotify era um processo doloroso de tentativa e erro. Carregar no botão de esconder faixa, criar listas à mão e rezar para que o sistema entendesse a dica. Com o novo separador Taste Profile acessível diretamente no perfil, a abordagem muda por completo.
Vais passar a poder interagir e dar ordens diretas à plataforma:
- Eliminar géneros inteiros de uma assentada: Em vez de estares a bloquear artista a artista, podes simplesmente dizer à aplicação para cortar pela raiz determinado estilo musical da tua página inicial. Se não suportas determinado género ou se estás farto de faixas pop feitas em linha de montagem, podes varrê-las do teu radar com um comando.
- Comandos específicos por texto: A funcionalidade inclui uma caixa de comandos onde podes escrever pedidos concretos. Queres explorar artistas emergentes de determinado nicho? Basta pedir para te mostrar novidades desse género específico e a página principal adapta-se logo, sem poluir o teu histórico habitual.
- Ordem no recreio dos podcasts: Se a parte da música já era caótica, a secção de podcasts do Spotify é um autêntico faroeste, onde a plataforma te empurra constantemente os programas mais ouvidos do país em vez daquilo que realmente procuras.
O remédio santo?
Para quem já usa a conta há anos e tem um perfil ultraconsolidado, o algoritmo até se pode portar razoavelmente bem. Mas para quem criou conta recentemente ou partilha a assinatura familiar, manter o feed limpo era uma tarefa inglória.
Pior! Nos últimos meses temos assistido a uma invasão silenciosa de faixas geradas por IA, canções de ruído branco e esquemas de reprodução desenhados apenas para mamar dinheiro em direitos de autor. Por isso, dar ao utilizador a marreta para partir essas recomendações e filtrar cirurgicamente o que entra nos auscultadores… É o mínimo que uma empresa que aumenta o preço da subscrição quase todos os anos tem a obrigação de fazer.
A tecnologia dos algoritmos só faz sentido se trabalhar para nos servir, não para nos empurrar os conteúdos que rendem mais margem à plataforma. Se o Taste Profile cumprir o que promete quando chegar cá a Portugal, é daquelas novidades que peca apenas por uma coisa… Ter chegado com dez anos de atraso.








