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Especiais

F1 vem para Portugal. Mas fazes ideia da tecnologia?

porNuno Miguel Oliveira
25 de Setembro, 2026
em Especiais, outros
Carro de F1 com tinta verde estranha na pista de corrida.
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É muito giro ver e falar sobre Fórmula 1. Olhar para os carros, para as rivalidades, etc… Mas fazes ideia da tecnologia necessária para que tudo isto funcione sem falhas? Pois bem, fomos aos bastidores (em Madrid) ver o monstro tecnológico que move mais de 650 TB por corrida!

  • F1: As baterias trazem outros problemas inesperados.

Claro que, quando te sentas no sofá a um domingo à tarde, ou nesta semana ao sábado porque o calendário é diferente, de forma a conseguires ver os monolugares de Fórmula 1 a rasgar o asfalto a mais de 300 km/h, há muita coisa que fica esquecida.

Mas, já paraste para pensar no pesadelo de engenharia que é preciso montar para que tu consigas ver a repetição de tudo e mais alguma coisa em 4K? Tudo isto com gráficos de telemetria em tempo real, enquanto o engenheiro na box grita ordens ao piloto pelo rádio sem um milissegundo de atraso?

Pois bem, a convite da Lenovo, que é a patrocinadora tecnológica mais importante do desporto, fomos até à nova pista de Madrid para espreitar o que ninguém costuma ver nas transmissões normais. Ou seja, tudo o que está por detrás do véu, mas que é tão importante como um carro a ultrapassar outro a alta velocidade.

Estamos a falar de mais de 650 Terabytes de dados gerados num único fim de semana!

Como deves imaginar, não é o pessoal da DAZN que vai gravar a transmitir as corridas para tu veres em casa. Existe todo um sistema, de proporções gigantescas, para alimentar as exigências de milhões de fãs. Mais concretamente, são servidores itinerantes arrefecidos a água com mais de 8 Terabytes de RAM, câmaras 360º escondidas nos carros e uma luta furiosa contra a latência onde 0,3 segundos decidem campeonatos!

O que está montado atrás das boxes é simplesmente pornográfico!

De facto, a Fórmula 1 sempre foi o laboratório mais extremo do desporto motorizado no planeta. Só que hoje em dia, quem ganha as corridas já não é apenas quem desenha a melhor asa, ou o melhor arrefecimento. É quem tem os servidores mais brutais a mastigar dados brutos antes da concorrência pestanejar.

  • Qual é a tecnologia que desaparecia e dava cabo da tua vida?

A F1 tem dois cérebros!

A gestão de uma corrida de F1 apoia-se em dois cérebros gigantescos que comunicam sem parar. O primeiro opera mesmo ali, a escassos metros do asfalto quente. Chama-se Event Technical Centre (ETC) e é, nada mais nada menos, do que a estrutura técnica transportável mais complexa alguma vez feita pela mão humana.

Imagina empacotar este nível de loucura informática todas as semanas para viajar de continente em continente:

  • Um contentor de alta tecnologia: Uma estrutura móvel com 25 por 15 metros que alberga mais de 750 equipamentos e 40 sistemas de software dedicados a rodar em simultâneo.
  • Força bruta sem espinhas: A plataforma de virtualização montada pela Lenovo soma 1,4 THz de processamento distribuído por 512 núcleos de CPU, inacreditáveis 8,2 TB de memória RAM e 100 TB de armazenamento puramente em memória flash NVMe ultrarrápida.
  • Cronometragem sem falhas: Processa de forma contínua entre 350 mil a 400 mil passagens de transponders nos corretores da pista ao longo de três dias, sem margem para engasgos nem perdas de pacote.

650 Terabytes e um canhão de fibra até ao Reino Unido

Enquanto a pista trata do essencial no terreno, a realização televisiva e o tratamento de imagem pesada migraram para o renovado Media and Technology Centre (M&TC) em Biggin Hill, no Reino Unido. É lá que operam outras 270 máquinas virtuais munidas de 640 núcleos de CPU e 5,9 TB de RAM para fazer o tratamento de cor e emitir o sinal internacional para mais de 180 países.

Entretanto, são mais de 650 TB transferidos por corrida, atingindo picos absurdos de 8,5 Gbps de largura de banda logo nos instantes do arranque do Grande Prémio.

E de onde vem tanta informação? Cada monolugar em pista é uma estação de captação ambulante.

Ou seja, além das dezenas de câmaras de pista em ultra-alta definição e gruas robotizadas, estão espalhadas mais de 100 câmaras diretamente nos carros. Cada bólide tem até nove ângulos visuais diferentes (dos pedais ao capacete) e transporta ainda uma câmara fechada a 360 graus que grava 480 GB por corrida, apoiada por 150 microfones espalhados pelo circuito desenhados à prova de ruído ensurdecedor.

O corte de 0,3 segundos que vale ouro!

Mas há um detalhe que faz a diferença entre a glória e a derrota na pista: a latência.

A Lenovo implementou localmente uma rede com servidores ThinkSystem e estações de trabalho ThinkStation P3 Ultra encarregues de filtrar e desduplicar cerca de 8 TB de dados brutos logo no circuito antes de os enviar pela fibra para Inglaterra.

Este filtro prévio em tempo real conseguiu poupar 0,3 segundos no envio dos dados. Parece uma ninharia para quem está a ver de fora, mas na F1 é uma eternidade. Leituras vitais de desgaste de travões, regime de rotações, suspensão, forças G e telemetria de motor chegam aos monitores das 11 equipas no pitwall de forma instantânea. Permitindo assim aos engenheiros ordenar uma paragem na box para mudar a tática de corrida frações de segundo antes do rival reagir.

E para não transformar esta sala de máquinas num forno ambulante nem gastar energia à maluca, entra em jogo o sistema Neptune Liquid Cooling. Um arrefecimento a líquido que usa água tépida em circuito fechado diretamente encostada aos processadores dos servidores, garantindo um ganho brutal de 40% em eficiência energética sem a barulheira insuportável de centenas de ventoinhas a soprar ar quente.

O espetáculo que ninguém vê, mas que não deixa de ser importante.

A sala de operações da Fórmula 1 parece saída diretamente de um centro de controlo de lançamentos da NASA, e não é para menos. Isto mexe com muitos milhões de euros. De facto, não é por acaso que os seguranças não nos deixaram apontar a câmara fotográfica a quase nada dentro desta mesma tenda.

Em suma, a Fórmula 1 é, hoje, tanto uma competição de pilotos. Como também uma das mais impressionantes e brutais demonstrações de poder computacional à face da Terra.

Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Tinhas a noção de que um fim de semana de Fórmula 1 movimentava mais de 650 TB de dados e centros de dados com 8 TB de RAM? Ou achavas que as equipas trabalhavam com computadores portáteis comuns nas boxes?

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Nuno Miguel Oliveira

Nuno Miguel Oliveira

Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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