Durante anos, falar de Exynos e desempenho consistente na mesma frase foi quase tabu. Isto mesmo tendo em conta que há alguns anos atrás, os SoC Exynos eram superiores à concorrência em muita coisa.
Mas, algo mudou. E mudou a sério.
Exynos 2600 começa a meter respeito. Qualcomm treme?

Portanto, os dados mais recentes mostram que a Samsung pode finalmente ter acertado em cheio com o novo Exynos 2600. Não apenas em potência bruta, mas numa área que sempre foi o calcanhar de Aquiles dos chips móveis modernos… A consistência.
Resultados sólidos, sem picos estranhos nem quedas abruptas
Segundo uma agregação de resultados do Geekbench 6 OpenCL, o Exynos 2600 apresenta uma variação de apenas 3.4% entre os scores mais baixos e mais altos no lado gráfico (GPU Xclipse 960).
Isto é muito pouco. Especialmente quando comparado com o Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5, que tem mostrado resultados bem mais irregulares nos mesmos testes.
Mais curioso ainda é que a esmagadora maioria dos resultados do Exynos 2600 fica acima dos 25.000 pontos, com scores abaixo desse valor a serem raros. Ou seja, nada de sorte em unidades específicas ou benchmarks “bons por acaso”. Aqui há controlo térmico e estabilidade real.
O segredo está na base da tecnologia. Ou seja, o que dá vida ao SoC.
O Exynos 2600 é o primeiro chip da Samsung produzido em 2 nm GAA (Gate-All-Around). Uma arquitetura tridimensional onde o gate envolve completamente o canal, permitindo melhor controlo elétrico, menor voltagem e, claro, menos calor.
Mas não fica por aqui.
Este SoC estreia também a Xclipse 960, o primeiro GPU móvel baseado numa versão personalizada da arquitetura RDNA 4 da AMD. Algo que começa finalmente a fazer a diferença no mundo real.
Aliás, já houve situações onde um Galaxy com Exynos 2600 conseguiu bater equipamentos com chips que, teoricamente, deveriam ser muito mais potentes.
Arrefecimento deixou de ser conversa de marketing
Outro ponto importante, e raramente falado fora do círculo técnico, é o novo sistema térmico.
A Samsung não só adotou FOWLP (Fan-out Wafer Level Packaging), como juntou a sua tecnologia HPB (Heat Pass Block). Um dissipador de cobre em contacto direto com o die, que reduz a resistência térmica em cerca de 16%.
Isto explica muita coisa. Menos throttling, menos oscilações de desempenho e uma experiência mais previsível ao longo do tempo.
Conclusão
Ainda é cedo para declarar vitória. Mas uma coisa é certa. Este não é o Exynos fraco, inconsistente e imprevisível de outros anos.
Se estes números se confirmarem em produtos finais, e se a Samsung não estragar tudo com software ou decisões duvidosas, o Exynos 2600 pode marcar um verdadeiro ponto de viragem.
A Samsung precisa disto, porque continua a pagar processadores a peso de ouro, vai correr mal com o aumento de preços que se advinha em 2026 e 2027.

