Num mercado completamente dominado por Android e iOS, a empresa finlandesa Jolla quer fazer algo que hoje parece quase impossível. Lançar um smartphone moderno com um sistema operativo diferente e focado na privacidade.
O novo Jolla Phone chega com o sistema Sailfish OS, baseado em Linux, e faz parte de uma estratégia mais ampla para criar tecnologia europeia independente das plataformas americanas.
Um “smartphone europeu” para fugir aos grandes ecossistemas
A proposta da Jolla é clara. Criar um smartphone para utilizadores que querem evitar depender de serviços da Google ou da Apple.
Este novo modelo custa 649€ e não pretende competir diretamente com os gigantes do mercado. A própria empresa admite que será sempre um produto de nicho.
Ainda assim, o interesse parece existir. Depois de uma apresentação inicial em dezembro de 2025, mais de 10.000 unidades foram reservadas. As primeiras entregas estão previstas para junho na União Europeia, Reino Unido, Noruega e Suíça.
Sailfish OS: Linux no bolso
Ao contrário de muitos projetos que tentam “desGoogleizar” o Android, o Jolla Phone utiliza um sistema completamente diferente. Ou seja, o Sailfish OS é baseado em Linux e foi desenhado para funcionar sem depender de contas cloud obrigatórias. Assim, o utilizador não precisa de criar uma conta apenas para começar a usar o dispositivo.
Existe também uma camada de compatibilidade que permite correr algumas aplicações Android, embora o desempenho e estabilidade não sejam sempre garantidos.
Hardware de gama média com bateria removível
O smartphone aposta num hardware equilibrado:
- MediaTek Dimensity 7100 com 5G
- 8 GB ou 12 GB de RAM
- 256 GB de armazenamento com microSD
- Ecrã AMOLED de 6.36 polegadas Full HD+ com Gorilla Glass
A bateria é outro detalhe interessante. Tem 5.500 mAh e pode ser substituída pelo próprio utilizador, algo cada vez mais raro nos smartphones modernos.
Entretanto, em termos de câmaras, inclui:
- Sensor principal de 50 MP da Sony
- Ultra grande angular de 13 MP
- Câmara frontal de 32 MP
Na conectividade temos Wi-Fi 6, Bluetooth e suporte para redes 5G.
Parte traseira modular
Uma das ideias mais curiosas está na traseira do dispositivo. A Jolla recupera o conceito chamado “Other Half”, que permite trocar a tampa traseira por módulos funcionais. A ideia é permitir acessórios como pequenos ecrãs, teclados físicos, etc…
A empresa tem até um programa de inovação para incentivar utilizadores e programadores a desenvolver novos módulos, incluindo versões impressas em 3D.
IA privada com o projeto Mind2
A Jolla também está a desenvolver um pequeno computador chamado Mind2, pensado para funcionar como assistente pessoal baseado em inteligência artificial. A diferença é que a maior parte do processamento acontece localmente, sem enviar dados para servidores externos.
Um mercado dominado por dois gigantes!
A Jolla não está sozinha nesta tentativa de criar alternativas.
Empresas como a Murena (com o sistema /e/OS) ou projetos como GrapheneOS também procuram oferecer smartphones mais focados na privacidade.
O problema é sempre o mesmo. Sem a escala de produção de empresas como Samsung ou Apple, estes dispositivos acabam por chegar com hardware mais modesto e preços relativamente elevados.
Uma aposta diferente?
Mesmo assim, a Jolla acredita que existe espaço para algo diferente.
O objetivo não é substituir Android ou iOS. É provar que um smartphone baseado em Linux, com design modular e foco na privacidade, pode ter lugar num mercado que parece cada vez mais fechado.
Se vai resultar ou não, ainda é cedo para dizer. Mas num mundo onde quase todos os smartphones são iguais, a simples tentativa já torna este projeto interessante.









