Como deves saber, o mundo das telecomunicações mudou, e mudou muito (para melhor) quando a DIGI chegou ao nosso mercado. As três gigantes perceberam que tinham de se mexer, e como tal, lançaram submarcas low-cost (Woo, Amigo e Uzo). Ou seja, mesmo que não tivesses cobertura de rede móvel DIGI, podias poupar muito e bom dinheiro no final de cada mês, ao aderir às ofertas destas marcas, que no final do dia… Utilizam a mesma exata infraestrutura das grandes.
Mas, a União Europeia está a preparar uma mudança estrutural no mercado das telecomunicações. Porquê? Simples… O futuro passa por operadores grandes, com escala e capacidade de investimento.
Europa quer menos operadoras low-cost? Porquê?
Para nós, ver o mercado a mudar foi uma autêntica lufada de ar fresco, porque tudo estava caríssimo, e de facto, todas as operadoras tinham a mesma exata oferta de preço. Mas, se o nosso foco não for Portugal, a realidade é que o mercado europeu está altamente fragmentado. Cada país tem vários operadores a competir agressivamente pelo preço, muitas vezes com margens reduzidas ao mínimo.
As operadoras low-cost ganharam terreno com planos simples e baratos. E claro, o foco passou a ser quase exclusivamente o preço.
O resultado, segundo vários especialistas do setor, é um modelo que dificulta investimento pesado em infraestrutura, inovação e redes de próxima geração. Enquanto isso, nos Estados Unidos, China ou Índia, o cenário é bem diferente. Existem poucos grandes grupos, com enorme capacidade financeira e tecnológica.
Por isso, é preciso mudar o esquema!
A lógica é simples. Empresas maiores conseguem investir mais em redes, 5G avançado, 6G para o futuro, fibra e serviços digitais.
Desta forma, a Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, está disposta a aceitar menos operadores por país se isso significar maior robustez tecnológica.
Além disso, a ideia é também evitar que a Europa fique dependente de gigantes estrangeiros. Isto porque existe o receio de que, caso o mercado europeu continue frágil e fragmentado, grandes grupos internacionais possam entrar com força e dominar segmentos estratégicos.
Menos operadores pode significar menos opções.
Como é óbvio, menos concorrência direta pode traduzir-se em preços menos agressivos. Mas, por outro lado, a promessa é redes mais robustas, mais investimento e maior capacidade de competir globalmente.
Para o cliente a coisa fica complicada. Especialmente num mundo em que a qualidade é quase sempre um dado garantido. Hoje em dia, em Portugal, podes pagar 8€ por um tarifário móvel ilimitado, com boas velocidades. Isto quando, há 2 anos, terias de pagar 30€ ou 40€ pelo mesmo serviço. O mesmo acontece na fibra, sendo hoje em dia possível pagar 10€ ou 15€ por uma ligação de 1 Gbps.
Queres mesmo pagar mais “pelo bem Europeu”? Acho uma ideia difícil de engolir para o mais comum dos consumidores, que apenas quer ter algum dinheiro ao fim do mês.







