A Euribor a 6 meses passou a barreira dos 3% pela primeira vez desde outubro de 2024. Para quem tem crédito à habitação com taxa variável, é um sinal de atenção. A prestação só muda na próxima revisão do contrato, mas o rumo das taxas é de subida.
Os valores desta semana
Na quarta-feira, 23 de setembro, a Euribor a seis meses fixou-se em 3,013%. É o valor mais alto desde 18 de outubro de 2024, quando estava nos 3,028%. No dia seguinte manteve-se em 3,013%. A três meses ficou em 2,614% e, a 12 meses, em 3,308%. Na segunda-feira anterior, 21 de setembro, a taxa a seis meses estava em 2,991%. Era mais 0,884 pontos do que um ano antes.

Porque está a subir
O Banco Central Europeu subiu as taxas diretoras a 10 de setembro, em 25 pontos base. Já o tinha feito em junho, pela primeira vez desde setembro de 2023. Antes disso, o banco central fez oito cortes desde junho de 2024. Segundo a DECO PROteste, a taxa de depósito do BCE está agora nos 2,50%. A associação liga esta inversão ao conflito no Médio Oriente. A próxima reunião do BCE é a 28 e 29 de outubro, em Frankfurt.
A Euribor a seis meses é a mais usada nos créditos com taxa variável. Segundo o Banco de Portugal, em julho representava 39,87% do stock destes empréstimos. A de 12 meses cobria 31,26% e a de três meses 24,40%. Quem tem a revisão marcada para os próximos meses deverá pagar uma prestação superior à do início do ano.
Uma tendência que vem de trás
Entretanto em agosto, as médias mensais subiram nos três prazos. A três meses avançou para 2,513%. A seis meses cresceu para 2,713% e a 12 meses para 2,954%. Ainda assim, os valores continuam abaixo do pico de 2023, quando a Euribor a 12 meses ultrapassou os 4%. Em 2022 e 2023, muitas famílias viram a prestação subir a um ritmo que não se via há mais de uma década.
Um exemplo do impacto na prestação
Entretanto o Doutor Finanças simulou um crédito de 250 mil euros, a 30 anos, com spread de 0,8% e indexado à Euribor a três meses. Depois da revisão de março, a prestação passou a 1.051 euros por mês em abril, com base numa média de 2,011% em fevereiro. Se a Euribor a três meses chegasse aos 3%, a prestação subiria para 1.186 euros. Para além disso, segundo o Comparaja, uma subida de 0,5 pontos pode representar dezenas de euros por mês e centenas ao longo de um ano.

O que podes fazer já
Confirma qual é o indexante do teu contrato e a data da próxima revisão. Assim é essa data que decide quando a nova taxa chega à prestação. A DECO PROteste tem um simulador que mostra o impacto das variações da taxa no valor a pagar. Podes também falar com o teu banco sobre as condições do crédito.
A tua prestação já subiu este ano ou ainda estás à espera da próxima revisão?








