À primeira vista está lá tudo. O logótipo da Worten no topo. O selo Worten Oficial. As estrelas, as avaliações de clientes com fotos, o botão vermelho de comprar, até o rodapé com as políticas e os métodos de pagamento. E, no meio disso, um mini-frigorífico retro de 99 litros por 24,90 euros. Só que não é a Worten. É uma página alojada em levajashoppings.com, um domínio que não tem absolutamente nada a ver com a marca portuguesa. E está desenhado ao pormenor para tu não olhares para a barra de endereço.
Frigorífico da Worten: o primeiro sinal está no sítio que ninguém vê
A Worten vende em worten.pt. Ponto final. Qualquer coisa que apareça noutro domínio, por mais parecida que seja, não é a Worten, mesmo que a página use o logótipo, as cores e o mesmo tipo de letra.

Aqui, o endereço é uma landing page (/lp/…) dentro de um domínio genérico de “shopping”. Não há loja, não há catálogo, não há menu que funcione. Há uma página só, com um produto só, e um único caminho possível: comprar.
Os outros sinais que denunciam o esquema
O preço é impossível. Um frigorífico retro de duas portas, com prateleiras de vidro e congelador, a 24,90 euros. Nem em saldos, nem em Black Friday. Quando o preço não faz sentido nenhum, é porque o produto não é o negócio, os teus dados são.
A pressa fabricada. Contadores a correr, “últimas unidades”, promessa de entrega em 24 horas, “paga agora e recebes amanhã”. O objetivo é impedir-te de parar e pensar.
O português está errado. A página fala em “estoque”. Em Portugal diz-se stock. É um lapso clássico de páginas montadas a partir de modelos brasileiros ou traduzidas à pressa.
As avaliações neste frigorífico da Worten são cenário. Quase 1.700 avaliações e 4,9 estrelas numa página que não existe há muito tempo, com comentários genéricos e fotos que se repetem por dezenas de sites iguais.
O apoio é por WhatsApp. A Worten tem linha de apoio ao cliente e lojas físicas. Um “suporte 24h em português” via WhatsApp num site de comércio é tudo menos normal.
O que acontece se comprares
Há dois desfechos possíveis, e nenhum é bom.
No melhor cenário, pagas e não recebes nada. Ou recebes semanas depois, vindo da China, um objeto minúsculo que não corresponde de todo às fotografias, é o modelo clássico do dropshipping enganoso, onde a “prateleira de vidro” acaba por ser um brinquedo de plástico.
No pior, o formulário de pagamento é o próprio objetivo. Introduzes o número do cartão, validade e CVV numa página que os burlões controlam. Depois vêm cobranças recorrentes, compras que não fizeste, ou o cartão associado a uma carteira digital que não é tua.
Caso optes pelo pagamento multibanco nesta página surgem os dados associados à entidade 45648 pertence à instituição de pagamentos PPRO Payment Services, S.A. Esta entidade é frequentemente utilizada por intermediários de pagamento online. No entanto, tem sido associada a múltiplas denúncias de burlas e sites de compras fraudulentos.

O que fazer
Não compres. Fecha a página. E antes de qualquer compra online, faz o teste mais simples que existe: olha para o domínio. Se não é worten.pt, não é a Worten. Vale o mesmo para o Continente, a Fnac, a MediaMarkt ou os CTT.
Se já pagaste, contacta o banco de imediato para cancelar o cartão e contestar a operação, e apresenta queixa na PSP, na GNR ou junto da Polícia Judiciária. Podes ainda denunciar o site no Portal do Consumidor e reportá-lo ao Google como página fraudulenta.
E atenção: estes sites vivem sobretudo de anúncios pagos no Facebook e no Instagram. Assim se te aparecer um “frigorífico da Worten” a preço de brinquedo no feed, já sabes o que é.
Entretanto já te apareceu algum destes anúncios com marcas portuguesas nas redes sociais?
Se queres estar protegido destas e outras ameaças visita este grupo no Facebook.






