As linhas rectilíneas são Huawei Mate 8 são fortes e elegantes, os materiais de qualidade superior.

A Huawei tem crescido a olhos vistos, para se tornar, em 2015, a terceira marca mais vendida a nível mundial. Face aos grandes rivais Samsung e Apple, a tecnológica Chinesa teve de vencer o desafio que se coloca a todas as marcas suas compatriotas: criar uma imagem original e provar ser capaz de produzir com tanta qualidade – ou mais – que as marcas mais históricas no mercado. A Huawei não o fez em qualquer lado. Pelo contrário, a marca tem apostado fortemente no segmento de prestígio onde rompeu com a conotação de marcas chinesas tradicionalmente ligadas a segmentos económicos, para rivalizar com o que de melhor e mais invejável fazem marcas como Samsung, Sony ou LG.

Nesse sentido, a gama Huawei Mate tem sido uma ponta de lança da marca, oferecendo uma combinação de prestações, resistência e qualidade que está ao alcance de poucos. Mas olhando para os vários Mate, rapidamente se torna claro que o Mate 8 é um justo culminar do percurso da Huawei nos últimos anos, em direcção a se tornar um nome conotado com alguns dos melhores smartphones do mercado.

Huawei Mate 8: a Huawei a mostrar o seu melhor

As linhas rectilíneas são Huawei Mate 8 são fortes e elegantes, os materiais de qualidade superior.
As linhas rectilíneas são Huawei Mate 8 são fortes e elegantes, os materiais de qualidade superior.

Desenhar e conceber um smartphone é um assunto complexo. A maioria dos fabricantes concebe os seus smartphones a partir de uma lista relativamente longa de possibilidades disponibilizadas por fabricantes OEM.

São poucas as marcas capazes de produzir os seus próprios componentes principais e esta tem sido uma luta que a Huawei tem travado com relativo sucesso. Com os sucessivos chips Kirin, a Huawei tem jogado um bem-sucedido jogo do apanha atrás da Qualcomm e Samsung, cuja primeira consequência foi a independência face a terceiros quanto a estes componentes. A segunda foi obviamente o prestígio que advém de se possuir este tipo de capacidade.

Todavia, os Kirin ainda não possuíam a cavalagem para destronar os principais concorrentes. Para os seus dispositivos de topo de 2015, o Huawei P8 e Mate S, a Huawei concebeu o HiSilicon Kirin 925, e por mais que nos tenha agradado a performance deste chip, os núcleos A53 ficaram para trás face aos núcleos A57 do Qualcomm Snapdragon 810, enquanto a sua eficiência energética (ou falta dela) acabou por pontuar a durabilidade das baterias nos dispositivos citados.

Tudo muda com o Kirin 950, o processador no qual a Huawei colocou todas as suas cartas para criar um processador líder de mercado a todos os níveis. O Kirin 950 é um octa-core com quatro núcleos A53, e quatro núcleos Cortex A72 a 2,3GHz no seu nível superior. Efectivamente, foi o primeiro processador a chegar ao mercado com estes núcleos que marcam um soberbo avanço face aos A53 dos anteriores processadores da Huawei. De grande relevo é o novo controlador de memória que suporta chips LPDDR3 ou 4 a 1333MHz, face aos 800MHz dos Kirin 925 e 935.

Em bruto, trata-se do primeiro processador da Huawei capaz de reclamar ser o melhor do mundo, e consegue-o com grandes poupanças de bateria, face aos seus antecessores. Uma poupança que rondará os 20% face à concorrência, segundo números do fabricante, e a que não é alheio o processo de fabrico FinFET+ de 16nm da TSMC.

São os pormenores que conquistam. Os rebordos do Huawei Mate 8 têm texturas discretas que acrescentam variedade e interesse.
São os pormenores que conquistam. Os rebordos do Huawei Mate 8 têm texturas discretas que acrescentam variedade e interesse.

Deixando por agora o interior do dispositivo, o exterior do Huawei Mate 8 é desde logo indicativo da extrema qualidade do dispositivo. O design retoma alguns elementos, tanto do Huawei Mate S, quanto do Nexus 6P. A construção é inteiramente em metal, com uma moldura muito atraente em aço fosco de contornos rectilíneos e apenas um ligeiro arredondamento nos vértices. Os traços têm sem dúvida a herança do Mate S, mas mais simples e directos. Esta construção externa simplificada não será alheia ao preço inicial mais baixo face a um Mate S mais complexo.

A traseira é onde a diferença mais se nota, com o sensor de impressões digitais circular, e a câmara de 16MP com flash LED duplo, autofoco por laser e estabilização óptica de imagem. Acima de tudo desaparecem as linhas da antena, substituídas por recortes bastante discretos, mas que do ponto de vista estético trazem poucos apontamentos de interesse.

Como se espera de um equipamento com estas aspirações, o Huawei Mate 8 mostra excelentes materiais e qualidade de construção, revelando grande solidez e resistência aos riscos. Na mão, é confortável quanto baste, embora as dimensões generosas do ecrã não se prestem muito a operações com uma só mão. O importante é que, no final de contas, o Mate 8 mais do que justificará cada opção de desenho tomada pela Huawei.

Resumo das principais características:

  • Corpo inteiramente em metal com laterais em aço;
  • Processador HiSilicon Kirin 950 (Quad-core 2.3 GHz Cortex-A72 e quad-core 1.8 GHz Cortex A53);
  • GPU Mali-T880 MP4;
  • Memória: 32GB/3GB RAM ou 64GB/4GB RAM;
  • Ecrã: IPS-NEO de 6 polegadas, FHD, Gorilla Glass;
  • Câmara principal: 16MP, f72.0, foco por detecção de fases, estabilização óptica de imagem;
  • Vídeo: 1080p@60fps, 1080p@30fps, 720p@120fps;
  • Bateria: 4000mAh;

Performance

No centro do poder do Huawei Mate 8, o HiSilicon Kirin 950, primeiro processador a chegar ao mercado com os novos núcleos Cortex A72.
No centro do poder do Huawei Mate 8, o HiSilicon Kirin 950, primeiro processador a chegar ao mercado com os novos núcleos Cortex A72.

Com o Kirin 950 a bordo com um mínimo de 3GB de RAM não haveria por onde ter falta de performance e o Huawei Mate 8 mostra perfeitamente porque tem pulverizado os benchmarks, dando à Huawei um dispositivo inquestionavelmente líder de segmento. Serão necessários os novos flagship com Snapdragon 820 e Exynos 8890 para lhe chegarem perto. Contudo, o extraordinário será quando pensarmos que o Kirin 950 supera a toda a linha o Kirin 935, mas com um menor consumo energético.

Certamente, o impacto da eficiência energética não passa despercebido: menor consumo, aliado a menor desperdício energético, significa menos produção de calor e, portanto, menos possibilidades da quebra de performance que daí advém.

Os números valem o que valem e é no quotidiano que melhor se nota a capacidade do dispositivo. O Huawei Mate 8 encaixa cargas de gráficos e processamento que fariam outros dispositivos aquecer apreciavelmente, e fá-lo durante longos períodos de tempo, sem abrandar ou começar a mostrar sinais de fraqueza nas fps. No estado actual da tecnologia, o Huawei Mate 8 é do mais perto que chegamos de capacidade de processamento ilimitada em contexto móvel.

Há, claro, a questão do ecrã ser “apenas” FHD numa altura em que a concorrência mostra resoluções mais excitantes, sendo que a virtude desta opção é libertar processamento para outras tarefas, enquanto se poupa na bateria que tem dos comportamentos mais meritórios do mercado. Mesmo com 6 polegadas de ecrã, esta é uma resolução mais do que suficiente, ainda que remeta o Mate 8 para a produtividade e menos para o multimédia.

Jogos e filmes ainda passam bem sem resoluções maiores, mas até quando? Ao compararmos o Mate 8 com equipamentos como o LG V10, as imagens colhidas com uma Canon 5D III são mais nítidas no LG graças ao seu ecrã 2K, com texturas francamente mais ricas que reproduzem mais pormenor.

Mas esta necessidade é específica, e potencialmente poucos quererão ou terão como tirar proveito da resolução extra. Pelo contrário, gamers aficionados apreciarão a capacidade de jogar com tudo no máximo, enquanto os profissionais mais intensos apreciarão a cilindrada extra para manter as suas apps em funcionamento durante um dia de trabalho. A rodar as ferramentas do Office e a sincronizar dados, fora as restantes apps usuais, o Mate 8 é tudo o que o Mate S não foi. Algo submetido ao imperativo do charme, o Mate S peca pela sua bateria anémica.

Pelo contrário, o Mate 8 mostra uma resistência inusitada. Dois dias de utilização regular são expectáveis, enquanto o dispositivo encaixa bem várias horas de carga de trabalho intensa, sem termos de recear ficar sem bateria num ponto crucial.

Do lado da gráfica, muito se tem dito da Mali T880MP4, e raramente coisa boa. A Huawei optou aqui por uma GPU de quatro núcleos, quando a concorrência mais directa recorre a arquitecturas com 8 cores, garantindo maior capacidade para encaixar futuras necessidades gráficas. Mas isto é algo em bruto. Com um ecrã 1080p, a carga imposta à GPU será, na maioria dos casos, fácil de aguentar e, fora no contexto dos benchmarks que levam o hardware aos limites, a performance de gráficos do Mate 8 é excelente, com os jogos mais exigentes a comportarem-se muito bem, sempre muito fluidos.

Um verdadeiro maratonista, o Mate 8 foi bem pensado para garantir performance máxima durante um máximo de tempo face ao que tem sido a regra geral de smartphones, autênticos corredores de meio-fundo.

Interface

O sensor de impressões digitais continua a ser líder de mercado, mas perdeu a capacidade multifunções.
O sensor de impressões digitais continua a ser líder de mercado, mas perdeu a capacidade multifunções.

Perto da perfeição que esteja, o Huawei Mate 8 continua a não ter force touch, e os gestos com os nós dos dedos foram uma invenção francamente interessante, mas que precisa ser levada mais longe.

Em termos de soluções imaginativas, o Huawei Mate 8 não é tanto inovador, quanto é o pináculo de uma fórmula sólida levada ao seu máximo potencial. Diga-se, em louvor à Huawei, que aproveitou a chegada do Android Marshmallow para dar um interface mais leve e funcional ao Mate 8, mais um contributo para uma performance refinada.

Os traços principais do EmotionUI estão, no entanto, cá, com um excelente gestor a revelar-se bastante eficaz para libertar memória e limpar ficheiros desnecessários. A amplitude de gestos com que podemos controlar as apps é muito interessante quando estamos no gestor de tarefas podemos fechar apps individuais, fazendo o swipe para cima, mas se o fizermos para baixo bloqueamos a app.

Na prática, se necessitarmos limpar as apps abertas, as bloqueadas continuam em funcionamento e evitamos perdas de dados em documentos ou páginas. Esta é apenas uma face do grande controlo que a Huawei nos concede quanto às permissões e protecção das apps, ponto em que se encontra certamente no topo do campeonato.

Uma das melhores novidades – ainda que demore algum tempo para nos habituarmos a ela – é a tecla flutuante que podemos colocar em qualquer parte do ecrã. Activada, a tecla permite-nos aceder às principais teclas do sistema Android, incluindo bloqueio ou gestor de tarefas, e possibilita uma mais eficaz utilização de uma só mão.

Curiosamente, o sensor de impressões digitais não tem as diversas funções que encontramos no Mate S, pelo menos não com o firmware de que dispúnhamos, e esta é uma omissão de estranhar. Até porque é bastante útil para navegação rápida. Por outro lado, o sensor continua excepcional e permite o desbloqueio do telemóvel numa fracção de segundos.

Finalmente há a destacar a funcionalidade de janela dupla, francamente importante, mas ainda bastante limitada, visto que, na maior parte das situações, as apps simplesmente não eram compatíveis com esta opção. Em todo o caso, se há algum ecrã onde as janelas duplas sejam interessantes, é mesmo num ecrã de 6 polegadas.

Qualidade de som

Não temos fantasias sobre o estado actual da tecnologia áudio em termos de smartphones. Por vezes fala-se dos altifalantes como se fosse expectável um som Hi-Fi. Não é, obviamente.

E, contudo, o Huawei Mate 8 deverá estar entre os melhores neste campo, com um som volumoso que consegue encaixar uma boa definição mesmo quando puxamos algo nos decibéis. Do lado dos auriculares encontramos a mesma situação, com excelente som, principalmente se conseguirmos dispor de auriculares de elevada qualidade.

Câmara

O Huawei Mate 8 expõe correctamente e possui imagens de qualidade, se bem que com pormenores algo suaves.
O Huawei Mate 8 expõe correctamente e possui imagens de qualidade, se bem que com pormenores algo suaves.

No papel, o Huawei Mate 8 tem a melhor câmara a alguma vez agraciar um Huawei, mas estamos ainda a cruzar os dedos pela parceria com a Leica e os resultados que dará.

Os 16MP do Mate 8 são muito capazes, mesmo em condições de baixa luminosidade, dando ao telemóvel algo com que trabalhar. Um bom artesão arranja sempre boas ferramentas, certo?

A qualidade final da imagem, em termos de definição de detalhe e nitidez geral acaba por ser apreciável, se bem que ainda algo aquém do que oferece alguma concorrência directa. Os pormenores são algo suaves e há um grão apreciável nas imagens mas, em defesa da Huawei, quando as condições de luz se degradam, a imagem continua bastante razoável até entrarmos na terra de ninguém fotográfica da escuridão.

Ainda assim a câmara tem poucos pecados e os seus problemas são comuns à maioria dos smartphones, como propensão aos flares e à contaminação luminosa de pixéis adjacentes.

O louvor vai, obviamente, para o intuitivo da interface com as suas possibilidades manuais e modos de disparo imaginativos. A Huawei terá no entanto todo o interesse em apostar em melhores algoritmos de foco e tratamento de imagem para fazer de uma excelente câmara uma câmara diferenciadora.

Conclusão

Com o cair da noite, a performance do Huawei Mate 8 mantém-se elevada e autoriza imagens de meter inveja a outros smartphones.
Com o cair da noite, a performance do Huawei Mate 8 mantém-se elevada e autoriza imagens de meter inveja a outros smartphones.

A soma das suas características levada em conta, o Huawei Mate 8 é dos melhores phablets a alguma vez chegar ao mercado. Não é o facto de poucos dispositivos chegarem ao mercado com 6 polegadas, o que, por si só, confere ao Mate 8 um estatuto único.

É o facto de confirmar a Huawei como um fabricante de topo a todos os níveis. Face ao Mate 7, o Mate 8 consegue uma verdadeira revolução em termos de performance, acrescentando-lhe ainda melhor câmara e construção definitivamente de grande qualidade. Onde o Mate 7 tinha excelentes características gerais e captou fãs devotos, o Huawei Mate 8 é líder de mercado e pulveriza os benchmarks actuais. E consegue-o sem sacrificar a excepcional duração da bateria do seu antecessor.

Para o power user ou para o profissional a tempo inteiro, os recursos colocados ao seu dispor pelo Mate 8 são praticamente sem comparação. O preço, no entanto, é extraordinariamente competitivo.

O Huawei é fundamentalmente um dispositivo impressionante, ainda que o imperativo da bateria tenha necessitado da manutenção de um ecrã cuja resolução é, hoje em dia, banal para um topo de gama. Todavia, é uma opção que se compreende, tendo em vista o público alvo do dispositivo.

A soma das características do Huawei Mate 8 tornam-no um dispositivo para eleitos e profissionais exigentes. A sua eficiência energética fora de série, a par com um processador actualmente imbatível, conferem ao Huawei Mate 8 a capacidade única de oferecer máxima performance ao longo do dia inteiro, para uma taxa de disponibilidade inédita. O Huawei Mate 8 simplesmente não dorme.

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