O mercado automóvel anda inegavelmente obcecado com SUVs, crossovers, pseudo-cupés elevados e outras variações do mesmo tema. Sedãs clássicos? Aquela carrinha que era tão popular em Portugal? Cada vez mais raro.
Mas, a BYD decidiu ir contra a corrente, e ainda bem, porque ter escolha deveria continuar a ser o foco dos consumidores, e por consequência, das marcas. É algo muito engraçado, porque a BYD chegou a Portugal há menos de 3 anos, mas a sensação é que anda cá há muito mais tempo.
Ora bem, abram alas ao BYD Seal 6 DM-i. Disponível em Berlina e em Carrinha.
(Ensaio) BYD Seal 6 DM-I: Elétrico, híbrido, tudo?

O BYD Seal 6 não quer ser um carro aspiracional, nem impressionar no Instagram. De facto, vai muito de encontro a tudo aquilo que a BYD tem vindo a fazer desde que chegou ao nosso mercado.
Isto porque, todos os seus automóveis lançados até aqui… Têm uma identidade muito… BYD.
Ou seja, não é muito complicado identificar os carros da fabricante nas estradas. Mas isso não tem de ser mau, é uma estratégia interessante, daquilo que é ainda uma marca muito jovem, que está obviamente ainda a crescer.
Dito tudo isto, o BYD Seal 6 quer ser uma proposta lógica, eficiente e relativamente acessível dentro do mundo automóvel. E, curiosamente, é exatamente por isso que pode fazer muito sentido para muita gente.
O regresso ao normal no mundo automóvel?

Durante muitos anos, o sedan de três volumes foi a escolha óbvia para famílias. Espaço, mala separada, conforto e zero complicações. Hoje em dia, essa fórmula parece quase esquecida.
O Seal 6 recupera essa ideia. É um carro discreto, com um design que não choca ninguém, não chama atenções desnecessárias e que se mistura facilmente no trânsito. Não vais ver cabeças a virar quando passas.
Mas isso também faz parte da proposta.
A mecânica… Sim, mecânica. Isto não é outro elétrico puro.
Estamos a falar de um híbrido plug-in equipado com a tecnologia DM-i.

Mais concretamente, estamos a falar da combinação entre o motor 1.5 a gasolina com 98 cavalos e um motor elétrico de 197 cavalos, que resulta numa potência combinada de 212 cavalos. Mas… Mais importante do que o número é a forma como tudo funciona.
Ou seja, este sistema pode operar em modo 100% elétrico, em modo série ou em modo paralelo, consoante a carga da bateria e o tipo de condução. Na prática, isto traduz-se num comportamento muito suave, silencioso e eficiente.
A bateria tem “apenas” 19 kWh, mas é um ponto forte. Isto porque permite mais de 100 km reais em modo elétrico, algo que muitos híbridos plug-in ainda prometem mas não entregam. Aliás, com condução calma e modo Eco, os 110 km elétricos são perfeitamente alcançáveis.
Depois disso, o sistema híbrido entra em ação sem dramas. Consumos entre os 3.5 e os 4.5 L por 100 km percorridos são perfeitamente realistas, o que, combinado com o depósito de 65 litros, leva a autonomias totais perto dos 1450 km. Isto não é marketing. É real.
Além disso, se quiseres mesmo usar e abusar da bateria, esta pode ser carregada em DC até 26 kW. Claro que não é igual a carregar um elétrico puro, mas é uma raridade num PHEV e faz diferença no dia-a-dia.
Conforto primeiro, diversão depois

Quem procura emoção ao volante não vai encontrar aqui um carro entusiasmante. O Seal 6 DM-i é confortável, previsível e seguro. A direção é leve e agradável, desde que não se selecione o modo Sport, que torna tudo artificial sem grande benefício.
O binário de 300 Nm do sistema elétrico garante respostas rápidas em cidade e em ultrapassagens, mas o foco nunca está na condução agressiva. Está no conforto, no silêncio e na facilidade.
No fundo, é exatamente o que se espera.
Preço e posicionamento fazem sentido?
O BYD Seal 6 DM-i ronda os 45 mil euros. Não é barato. Mas também não está fora do mercado quando olhamos para o que oferece, especialmente quando se tem em conta o nível de equipamento.
Aliás, temos de falar da eficiência real, autonomia elétrica séria, carregamento DC, bom equipamento de série e um conjunto mecânico que faz sentido para quem quer reduzir consumos sem depender exclusivamente da rede de carregamento.
A este preço, entra em território de berlinas como o Škoda Superb PHEV, com argumentos fortes do lado da BYD, especialmente para empresas e frotas.

Conclusão
O BYD Seal 6 DM-i não tenta reinventar nada. E ainda bem.
É uma berlina confortável, eficiente, tecnicamente bem pensada e com uma abordagem muito mais pragmática do que a maioria dos híbridos plug-in no mercado. Não é emocionante, não é vistoso, mas faz quase tudo bem. Por vezes, é exatamente isso que se pretende.

