Durante muito tempo, após anos e anos de espera, a conversa à volta dos elétricos “baratos” foi sempre a mesma… Acessíveis, mas cheios de compromissos que metem os condutores de pé atrás. Mais concretamente, Materiais fracos, autonomia curta para um investimento que é mais baixo mas ainda assim é avultado, e claro, equipamento limitado.
O curioso no caso do novo BYD Atto 2 é que, apesar de ser posicionado como uma proposta acessível dentro do universo dos SUV elétricos compactos, não parece um produto feito às três pancadas. Pelo contrário.
É um automóvel bastante competente, com compromissos que existem, mas que não são fáceis de notar ou encontrar.
Mas então… onde está o truque?
Preço agressivo, mas sem ar de low-cost
O Atto 2 entra no segmento dos SUV compactos elétricos com uma proposta muito simples. Ser eficiente, fácil de usar no dia a dia e suficientemente espaçoso para famílias pequenas ou quem quer trocar um hatchback por algo mais alto.
Para isto, tem 4.31 metros de comprimento, ou seja, está no território de um Hyundai Kona. A motorização é única: motor elétrico dianteiro com 130kW e 290Nm, alimentado por uma bateria LFP de 51.1kWh.
A autonomia anunciada ronda os 345km em ciclo WLTP. Nada de revolucionário, mas também longe de ser problemática para utilização urbana e suburbana. É um SUV citadino muito interessante, mas claro, bastante aquém se quiseres ir para a autoestrada, como é normal nestes elétricos mais baratos.
Entretanto, existem dois níveis de equipamento, Dynamic e Premium. A diferença de preço é significativa, mas o salto de equipamento também é, e não é porque a versão mais barata fica muito aquém. A versão mais barata também está muito interessante no nível de equipamento.
Como se porta na estrada?
Aqui está uma das surpresas agradáveis.
O Atto 2 não é um SUV desportivo, nem tenta ser, e de facto, não tem de ser. Mas é rápido qb. Faz 0-100km/h em 7.9 segundos, o que, para um SUV compacto, já chega e sobra.
A entrega de potência é progressiva. Não há aquele murro instantâneo típico de alguns elétricos mais agressivos. Em cidade, isso até joga a favor do conforto.
A suspensão é macia. Absorve bem lombas e irregularidades em ambiente urbano. O único problema mais aparente aparece quando se começa a puxar mais por ele em estradas secundárias com piso degradado. A traseira não adora curvas rápidas com mau piso, e nota-se alguma falta de controlo.
Mas… Não é um carro pensado para terrenos acidentados. É, como dissemos em cima, um SUV pensado para percursos citadinos.
Interior: simples, funcional e surpreendentemente espaçoso

O interior é mais sóbrio do que outros modelos da marca. O espaço atrás é generoso para a classe. Há boa altura para adultos e espaço suficiente para pernas. A bagageira oferece 380 litros, dentro da média do segmento.
No Premium há mais conforto, com um ecrã maior de 12.8 polegadas, teto panorâmico e bancos ventilados. Este último ponto faz diferença real para pessoas como eu que passam mal no verão português.
Há muito revestimento em vinil. Não é horrível, mas também não transmite luxo. Fica a meio caminho entre robusto e plástico disfarçado.
Consumos e carregamento: eficiente, mas lento
Em utilização mista, é perfeitamente possível andar abaixo dos 15kWh/100km. Ou seja, cumpre e até supera ligeiramente os valores oficiais.
O problema pode estar no carregamento. Em AC, fica nos 7kW. Em DC, atinge 82kW no pico. O 10-80% demora cerca de 39 minutos. É competente, mas longe de impressionar.
No final do dia, para quem carrega maioritariamente em casa durante a noite, não é dramático. Para quem depende de carregamentos rápidos frequentes, pode tornar-se limitador.
Segurança e sistemas: bons no papel, como é sempre o caso da BYD
Tem o pacote completo de assistentes: travagem automática, cruise adaptativo, alerta de ângulo morto, entre outros. O problema? Os avisos de faixa e de limite de velocidade são demasiado intrusivos. Além disso, desligá-los exige vários toques no ecrã sempre que se liga o carro. É a história do costume com a BYD, que precisa urgentemente de lavar a cara ao seu software.
Garantia e posicionamento
A garantia é de 6 anos ou 150.000km para o carro, e 8 anos ou 160.000km para a bateria.
Veredicto: onde está o “catch”?
O BYD Atto 2 não é perfeito. Mas está longe de te levar ao engano.
Sim, carrega “lento”, não é dinâmico, e tem um software inegavelmente chinês. Mas, é ainda assim um automóvel muito interessante para o dia-a-dia. Especialmente porque não é um elétrico barato que se sente barato.
É confortável, silencioso, eficiente e suficientemente espaçoso. Para quem quer um SUV elétrico para uso diário, carregar em casa e poupar nos custos de utilização, faz sentido.










