Vivemos numa altura em que cada cêntimo conta. Quando entras no supermercado, deparas-te frequentemente com um dilema clássico: levas o produto da marca famosa, em que confias há anos, ou arriscas na marca do supermercado (a chamada marca branca) que custa metade do preço? Existe um mito urbano de que as marcas brancas são produtos de qualidade inferior, feitos em fábricas duvidosas. Mas a realidade da indústria alimentar é bem diferente. Muitas vezes, o camião que sai da fábrica é o mesmo; a única coisa que muda é a caixa de cartão e o preço que pagas na caixa. Hoje, vamos ensinar-te a ser um detetive de prateleira e a usar um código obrigatório por lei para saberes exatamente o que estás a comprar nos produtos de marca branca.
O que é o “Selo de Salubridade”?
Se fores ao teu frigorífico agora e pegares num pacote de leite, iogurte ou queijo, vais encontrar um pequeno símbolo oval impresso na embalagem. É discreto, mas poderoso.

Este símbolo é a Marca de Salubridade. É obrigatório na União Europeia para todos os produtos de origem animal e indica onde é que aquele alimento foi processado e embalado. O oval contém três informações vitais:
O País: (Ex: PT para Portugal, ES para Espanha).
O Código da Fábrica: Uma combinação de letras e números (Ex: ILT 123 ou L-456).
A Sigla CE: A confirmação de conformidade europeia.
O segredo é simples: Este código identifica o estabelecimento, não a marca comercial. Se o código do iogurte de marca “Premium” for igual ao código do iogurte da marca do supermercado, parabéns: acabaste de descobrir que ambos saíram da mesma linha de produção.
Por que é que as grandes marcas fazem isto?
Pode parecer contraproducente. Porque é que uma marca de renome fabricaria produtos para o seu concorrente (o supermercado)? A resposta é: Eficiência Industrial.
As fábricas gigantescas têm custos fixos enormes. As máquinas precisam de trabalhar 24 horas por dia para serem rentáveis.
Se a marca famosa só consegue vender 80% da sua produção com o seu logótipo, sobra-lhe 20% de capacidade.
Em vez de pararem as máquinas (o que dá prejuízo), eles vendem essa capacidade de produção às cadeias de supermercados (Continente, Pingo Doce, Mercadona, Lidl, etc.).
O supermercado compra o produto mais barato (porque não gasta milhões em publicidade televisiva) e a fábrica garante lucro total.

Igual ou Parecido? A Nuance Importante
Aqui é preciso ter atenção. Assim ter o mesmo código de fábrica significa que a segurança alimentar e a origem da matéria-prima base são as mesmas. No entanto, existem dois cenários:
O Produto “Gémeo”: É literalmente o mesmo produto. A máquina enche 10000 pacotes com a marca X e, a seguir, troca apenas o rolo de papel da embalagem e enche 10000 pacotes com a marca Y. Isto acontece muito em leites, águas, arroz e conservas simples.
O Produto “Primo”: É feito na mesma fábrica, mas a receita muda ligeiramente a pedido do cliente. Por exemplo, nas bolachas, a marca branca pode ter menos 5% de pepitas de chocolate ou usar um tipo de gordura diferente. Entretanto nos iogurtes, a textura pode ser ligeiramente mais líquida.
Como tirar a teima? Compara o código oval e, de seguida, olha para a Tabela Nutricional. Se os valores de energia, lípidos e açúcares forem exatos (ou variarem 0,1g), é um produto “Gémeo”. Estás a comprar ouro ao preço de latão.
Os Melhores Produtos para Testar
Entretanto se queres começar a aplicar este truque hoje, foca-te nestas categorias onde a diferença de qualidade é muitas vezes nula:
Laticínios: Leite UHT, natas e queijos fatiados.
Conservas: Atum, cogumelos e leguminosas (feijão/grão).
Massas e Farinhas: A tecnologia para fazer esparguete é standard. Muitas marcas brancas são produzidas pelos gigantes nacionais da massa.
Bolachas: As famosas “Maria” ou “Torrada” são frequentemente produzidas pelas grandes marcas nacionais.

