Olhas para a fatura da luz, vês o valor, e pensas “mas eu não fiz nada de diferente”. A verdade é que nem todos os aparelhos de casa gastam por igual, longe disso. Há um pequeno grupo de eletrodomésticos responsável pela maior parte do que pagas, e quando percebes quais são e como funcionam, ganhas o poder de baixar a conta sem viveres no escuro nem passares frio ou calor. Assim tem cuidado com estes eletrodomésticos que mais te disparam a fatura da luz.
Estes são os eletrodomésticos que mais te disparam a fatura da luz
O primeiro lugar do pódio, em quase todas as casas portuguesas, vai para tudo o que envolve aquecer ou arrefecer. Aquecedores elétricos, ar condicionado e termoacumuladores elétricos são os verdadeiros pesos-pesados. A razão é física: transformar eletricidade em calor (ou retirar calor) exige muitíssima energia. Um simples aquecedor elétrico ligado algumas horas por dia no inverno pode, sozinho, fazer a tua fatura saltar de forma dramática. No verão, o ar condicionado assume esse papel.
Como domas estes?
No ar condicionado, a regra de ouro é a temperatura: cada grau conta imenso. Põe-no nos 24 a 26 graus em vez de o forçares para os 18, usa o modo económico e fecha portas e janelas da divisão que estás a arrefecer. No aquecimento, aposta no isolamento, cortinas, tapetes, vedar frestas, para que o calor não fuja, e aquece apenas as divisões que usas. Para a água quente, se tens termoacumulador elétrico, programa-o para aquecer só nas horas em que precisas e isola bem o depósito.
O segundo grande grupo é o da água e da roupa. A máquina de lavar roupa, a máquina de lavar loiça e, sobretudo, a máquina de secar roupa são consumidoras de respeito, não tanto pelo motor, mas pela energia que gastam a aquecer água. A secadora, em particular, é das mais vorazes que tens em casa. Aqui, as poupanças são fáceis e indolores: lava a temperaturas mais baixas sempre que possível (a maior parte da roupa fica perfeitamente limpa a 30 graus), enche bem as máquinas antes de as pôr a trabalhar em vez de fazeres meias cargas, e, no caso da secadora, aproveita o sol sempre que o tempo deixar. Estender em vez de secar à máquina é, talvez, a poupança individual mais significativa que muita gente pode fazer.
O terceiro consumidor a ter debaixo de olho é o frigorífico
Este tem uma particularidade: está sempre ligado, vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano. Mesmo gastando pouco a cada instante, esse “sempre” soma muito. Garante que a borracha da porta veda bem (se já não fecha como deve, o motor trabalha sem parar), não o encostes à parede sem espaço para respirar atrás, não metas comida quente lá dentro, e mantém-no a uma temperatura adequada sem exageros de frio.
Depois há os pequenos aparelhos que enganam
O forno elétrico gasta bastante, por isso aproveita-o para cozinhar várias coisas de uma vez. A placa, sobretudo as resistivas mais antigas, também pesa. E há um campeão escondido que muita gente não imagina: tudo o que aquece água rapidamente. A chaleira elétrica, por exemplo, gasta muito durante o curto tempo em que está ligada não é problema se a usas com sentido, mas é se a estás sempre a reaquecer.
A grande lição é esta: o que faz a tua fatura não é deixares uma luz acesa a mais (embora também conte), são os aparelhos que produzem calor ou frio e os que trabalham sem parar. Se concentrares a tua atenção nesses climatização, água quente, secadora e frigorífico e ajustares a forma como os usas, vais ver a diferença na conta de uma forma que cortar pequenos consumos nunca te daria.
E há uma ferramenta que te ajuda a perceber tudo isto na tua casa concreta: presta atenção à etiqueta energética quando compras eletrodomésticos novos. Um aparelho mais eficiente custa, à partida, um pouco mais, mas se for dos que usas todos os dias, paga-se a si próprio em poucos anos só na eletricidade poupada.






