Os carros não são baratos, sendo exatamente por isso que a grande maioria dos automóveis vendidos em Portugal são usados nacionais ou usados importados. Infelizmente, a carteira do português comum não estica para comprar carros novos a estrear no stand, muito menos elétricos, que historicamente sempre foram empurrados para a prateleira do luxo. Ou… Será que já não é bem assim e estamos agarrados a preconceitos velhos?
Pois é, a tecnologia não perdoa. As baterias ficaram melhores, muito mais eficientes, com densidades brutais e, acima de tudo, o custo de produção baixou. Queres uma prova irrefutável disso sem entrar em teorias de trazer por casa? Nada melhor do que olhar para um dos pioneiros da mobilidade elétrica mundial, aquele que toda a gente conhece e que ainda anda aos pontapés pelas nossas estradas: o Nissan Leaf.
Elétricos estão, ou não estão, mais baratos? Os números não mentem!

Portanto, basta comparar o primeiro Nissan Leaf que chegou ao mercado em 2011 com o modelo atual de 2026 para perceber o terramoto tecnológico e financeiro que aconteceu:
- Autonomia multiplicada por 4: Em 2011, o Leaf original oferecia uns míseros 117 km de autonomia real. O que dava apenas para andar às voltinhas dentro da cidade. Hoje, o novo modelo faz 485 km com uma única carga.
- Velocidade de carregamento a triplicar: O antigo recuperava apenas 3,1 km por minuto ligado à tomada. O modelo atual atinge 9,7 km por minuto. E isto sem contar com carregamentos super rápidos.
- O dobro da potência no acelerador: Passámos de um motor de 80 kW (cerca de 109 cv) para um bloco moderno com 160 kW (cerca de 218 cv). É o dobro da potência debaixo do pé.
- O preço real caiu 36%: Em 2011, o Leaf custava cerca de $32,780, o que ajustado à inflação de 2026 equivaleria a qualquer coisa como $47,200. Sabes quanto custa a máquina nova de 2026? €29,990 em Portugal.
A desculpa acabou? Se calhar cada vez mais, visto que a gasolina está quase a 2.5€ por litro.
Durante mais de uma década ouvimos as marcas tradicionais a justificar preços pornográficos com o custo das baterias e a falta de escala. Essa narrativa morreu, e a tendência é ficar ainda mais enterrada.
É evidente que comprar um automóvel novo continua a ser um esforço gigantesco para o ordenado médio português. Ninguém nega isso. Mas continuar a dizer que a mobilidade elétrica é uma moda cara que não compensa face ao que custava há uns anos é pura teimosia de quem se recusa a olhar para os factos.








