Se ficaste com pena de não teres aproveitado bem o eclipse histórico de agosto passado, tens boas notícias. Os próximos anos reservam mais dois grandes espetáculos do céu. Um deles vai poder ser visto sem sair de Portugal. Os astrónomos confirmaram o eclipse solar total mais longo do século para 2027, e, já em 2028, um raro “anel de fogo” cuja faixa passa diretamente sobre o território português. Explicamos as datas e onde ver.
Recapitulando: o eclipse histórico de 2026 já passou
Só para contextualizar: a 12 de agosto de 2026, Portugal continental viveu algo que não acontecia desde 1912. Um eclipse solar total, visível numa estreita faixa do nordeste transmontano (Bragança), e parcial mas muito expressivo no resto do país. Foi um momento histórico e irrepetível em território nacional durante mais de um século. Mas o céu ainda não disse a última palavra: aí vêm mais dois.

2027: o eclipse mais longo do século
O primeiro grande evento à porta é o eclipse solar total mais longo deste século, a 2 de agosto de 2027. No seu máximo, a fase total vai durar cerca de 6 minutos, um valor raríssimo, quando a maioria dos eclipses totais não passa dos três ou quatro.
A má notícia para nós: a faixa de totalidade não passa por Portugal. Ela atravessa o sul de Espanha (entrando pelo Estreito de Gibraltar, pela Andaluzia), o Norte de África e o Médio Oriente, com o ponto de maior duração no Egito. Em Portugal, será visível apenas como eclipse parcial, mais expressivo no Sul do país.
Quem quiser ver a totalidade não precisa de ir muito longe: basta atravessar a fronteira para a região de Cádis, no sul de Espanha. Há já, aliás, cruzeiros e viagens organizadas a partir de Lisboa para apanhar o fenómeno.
2028: o “anel de fogo” que se vê de Portugal
E aqui está o momento que devia mesmo entusiasmar qualquer português. A 26 de janeiro de 2028, um eclipse solar anular vai ter a sua faixa a passar diretamente sobre parte de Portugal, algo bem mais raro de acontecer cá.

Um eclipse anular é diferente de um total: acontece quando a Lua está mais afastada da Terra e, por isso, não cobre o Sol por completo, deixa visível um anel luminoso à sua volta, o famoso “anel de fogo”. E, ao contrário de 2027, para ver este não é preciso sair do país.
As melhores condições estarão no Sul: o Algarve (Faro poderá ter cerca de 7 minutos de fase anular, Portimão perto de seis e meio), partes do Alentejo e toda a ilha da Madeira estão dentro da faixa do “anel de fogo”. Lisboa e o Norte verão o fenómeno apenas como parcial. Acontecerá ao fim da tarde, pouco antes do anoitecer.
Depois destes, a paciência tem de ser muita: para voltar a ver um eclipse solar total de Portugal continental, será preciso esperar até… 2144.
O aviso de segurança que salva a tua visão
Aqui é preciso ser muito claro, porque é saúde. Tanto num eclipse parcial como durante a fase anular (o “anel de fogo”), NUNCA se pode olhar diretamente para o Sol, nem a olho nu, nem com óculos de sol normais, nem por binóculos ou telescópio sem filtro próprio. Ao contrário de um eclipse total (onde há segundos seguros de escuridão completa), no eclipse anular fica sempre uma parte do Sol exposta, cuja luz é intensa o suficiente para causar lesões graves e permanentes na vista, muitas vezes sem dor no momento.
A única forma segura de observar é com óculos de eclipse certificados pela norma ISO 12312-2, à venda em óticas e lojas especializadas. Um conselho: em eclipses anteriores, esgotaram semanas antes, trata disso com antecedência.
No fundo, quem gosta de olhar para o céu tem motivos de sobra para marcar já duas datas: 2 de agosto de 2027 (o mais longo do século, a um passo, em Espanha) e 26 de janeiro de 2028 (o “anel de fogo”, esse sim, visível de Portugal). São o género de momento que se conta aos netos.
E tu, farias uma viagem para ver a totalidade em 2027 ou esperas pelo “anel de fogo” de 2028 aqui em casa?






