Quase tudo o que fazemos online, especialmente nos tempos que correm, assenta numa ideia muito simples. Os nossos dados estão protegidos, mesmo quando passam por dezenas de sistemas, servidores e redes pelo caminho.
É exatamente isso que a encriptação faz. Pega em informação legível e sensível, como uma password, uma mensagem, um pagamento ou uma chave digital, e transforma-a em algo incompreensível para quem não tiver a chave certa para a voltar a ler.
Este é o sistema que protege todos os nossos dados, todos os dias da semana, incluindo fins de semana e feriados. Na prática, é uma das bases invisíveis da internet moderna.
O problema é que esta segurança sempre partiu de uma suposição muito simples. A de que ninguém teria poder de computação suficiente para rebentar essa matemática em tempo útil. Pois, é precisamente essa suposição que começa agora a abanhar.
E se a encriptação deixar de funcionar de um dia para o outro?
Portanto, durante anos, a conversa sobre computação quântica viveu naquele território confortável do “um dia logo se vê”. Parecia muito distante. Coisa para a próxima década, ou para a seguinte. Pois, a evolução tecnológica riu-se dessa ideia.
Novos estudos vieram levantar uma hipótese muito séria. Os computadores quânticos capazes de partir a encriptação que hoje protege bancos, carteiras de cripto, serviços online, comunicações privadas e praticamente toda a vida digital podem chegar muito mais cedo do que se pensava.
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A encriptação atual pode ter os dias contados. Muito mais depressa do que parecia
IMAGEM
Convém começar por uma coisa muito importante.
Isto não significa que amanhã vais acordar e descobrir que todas as passwords do planeta foram rebentadas e que são agora inúteis. Não é isso. Mas significa outra coisa, talvez mais preocupante. A margem de segurança que parecia confortável pode, afinal, ser bem mais curta do que se pensava.
Ou seja, durante muito tempo, a ideia era simples. Faltava hardware e, neste campo, isso significava que faltava tudo. Portanto, ainda havia tempo para respirar. Mas, agora, a conversa começou a mudar.
O verdadeiro choque é o calendário?
O risco quântico não começa apenas no dia em que alguém ligar uma máquina poderosa o suficiente para partir a encriptação moderna. Começa antes.
Começa quando alguém decide guardar dados encriptados hoje para os abrir mais tarde. Ou seja, informação roubada agora, armazenada em silêncio e desencriptada no futuro, quando a tecnologia finalmente lá chegar.
Documentos, comunicações, segredos industriais, dados médicos, dados financeiros. Tudo aquilo que tenha valor daqui a alguns anos pode já estar a ser colecionado.
Google já mexeu. E isso diz tudo.
Quando empresas como a Google começam a acelerar a migração para criptografia pós-quântica, não é porque querem parecer futuristas. É porque já perceberam que esperar demais pode sair muito caro.
No fundo, isto é o maior sinal de todos. Quando um dos maiores nomes da tecnologia decide apertar prazos e começar a preparar produtos e plataformas para resistir a este novo tipo de ameaça, é porque a conversa deixou de ser teórica ou engraçada.
Conclusão – Quando é que temos de nos preocupar?
No fundo, não há muito que tu ou eu possamos fazer. A encriptação que é a base da internet está do lado das grandes empresas. São elas que têm de se preocupar para mudar sistemas atempadamente. Nós só temos de estar atentos, e talvez meter alguma pressão.
Quanto a datas, há quem fale em 2035, com várias empresas a planear mudar sistemas de encriptação antes do final da década. Mas ninguém tem a certeza de nada. Pode acontecer mais tarde, mas também pode acontecer mais cedo.










