A conversa dos últimos meses tem estado sempre à volta da IA, crise de memória, crise de chips no geral, etc… Além de tudo isto, temos os problemas no Estreito de Hormuz, que caso não saibas, não significam problemas apenas para o gasóleo e gasolina que metes nos teus veículos, há outras matérias-primas que deixaram de estar tão acessíveis, devido à guerra no Médio Oriente.
Tudo isto significa que vais ter de pagar mais pelos produtos que quiseres comprar. De facto, as grandes fabricantes já sabem disto há muito tempo. Na realidade, sabem disto há mais de 1 ou 2 anos. Sendo exatamente por isso que gigantes como a Lenovo e Apple reservaram muitos milhões de euros em componentes para aguentar grande parte da crise.
A questão é… Nem estas empresas são capazes de aguentar o que está a acontecer. A crise de chips veio para ficar, e deverá apenas piorar nos próximos 12 meses. É esperado que novas linhas de produção fiquem “online” em 2027 e 2028. Mas, como é óbvio, o impacto destas novas linhas não é imediato, e talvez mais importante que isso, a procura é tão absurda, que esta vai permanecer muito superior à oferta até pelo menos 2030.
Basicamente, as reservas de componentes estão a terminar, e quem vai sofrer a sério és tu. Os preços já começaram a aumentar (basta olhar para a gama de produtos da Apple), e a tendência é que os aumentos sejam quase sufocantes. Eu acredito que o pesadelo já começou, mas vai ganhar outros contornos em setembro, altura em que a Apple vai lançar a nova geração do iPhone (iPhone 18).
Se o iPhone aumentar 200€… Podes ter a certeza que tudo vai aumentar na mesma exata proporção.
E do nada… Tudo fica mais caro. O que vais fazer?

Caso não saibas, apesar de toda a gama que a Apple tem de preços acima da média, a realidade é que a gigante norte-americana tem sido a “rolha” do mercado. O iPhone mais premium tem estado nos 1500€ há vários anos, e na realidade, os portáteis MacBook também têm aparecido a preços extremamente interessantes. Aliás, o MacBook Air já andava abaixo dos 1000€, e não satisfeita, a Apple ainda lançou o MacBook Neo à volta dos 600€.
A Apple, de forma um pouco escondida, tem sido incrível na qualidade-preço. O que por sua vez obrigava todas as outras fabricantes a ter cuidado com o preço. De facto, a única com “coragem” para ultrapassar a barreira iPhone no mundo dos smartphones foi a Oppo com o seu Find X9 Ultra. Mas, até a Oppo percebeu que para justificar o preço mais alto, era necessário apresentar algo completamente fora do normal.
O problema é, quando os componentes escasseiam, ou o seu preço começa a roçar a loucura, a Apple tem de aumentar preços.

Algo que já aconteceu em várias gamas de produtos da gigante norte-americana. Apenas o iPhone aguentou, porque, claro… Vem aí o iPhone 18. Não faria muito sentido aumentar o preço do iPhone 17 quando este está em fim de ciclo de vida.
Mas, se o iPhone 18 Pro Max chegar a 1700 ou 1800€, o iPhone Ultra chegar a 2500€, etc… O mercado vai ficar todo partido. Todas as outras fabricantes vão ver este aumento como um “finalmente posso aumentar preços”.
O que levanta uma questão muito importante. Apesar do facto de um smartphone ser hoje o produto computacional mais importante das nossas vidas, será que este vale 1700 ou 1800€? As pessoas vão ficar impedidas de comprar smartphones novos? O que significa isso para o mercado no seu todo?
Vamos ver mais foco nos usados e recondicionados. Ter um smartphone ou um portátil novo vai ser só para os “ricos”? O mundo da tecnologia vai perder a sua capacidade de evoluir e de se reinventar?
Assumo que estou com um pouco de receio daquilo que pode vir a acontecer num futuro muito próximo. Aliás, tenho ainda mais receio do facto de tudo ficar assim, ou pior, até 2030.
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