Quando a Dyson lança um produto, o mundo para um bocadinho e fica atento ao que está a acontecer. Parece estranho, mas é mesmo verdade. A marca conseguiu criar uma aura à sua volta que muitas outras gostariam de ter nem que fosse um mísero 1%. Mas isso não significa que todos os lançamentos sejam ouro. Especialmente quando se fala de segmentos de mercado como o dos aspiradores robô, onde existem dezenas de marcas a evoluir a um ritmo quase absurdo.
Este primeiro robot aspirador com mopa da Dyson vale a pena? Eu penso que sim. Não é perfeito, porque está longe de ser um produto refinado. Mas limpa e esfrega que se farta. No fim do dia, não é isso que interessa?
Dyson Spot+Scrub Ai: Um robot com mopa que limpa a fundo?
Não é novidade para ninguém que a Dyson é uma das marcas mais conceituadas do mundo quando o assunto é a limpeza do lar, especialmente quando se fala de aspiradores verticais. Aliás, podemos dizer que a Dyson é a imagem de marca deste mundo, sendo muito fácil ver imitações dos seus produtos em qualquer loja.
Dito tudo isto, temos agora a sua primeira grande aposta no mundo dos robôs que aspiram e lavam o chão em simultâneo. Um produto que, logo no papel, promete imenso. Afinal de contas, o novo Dyson Spot+Scrub Ai promete revolucionar a limpeza inteligente ao usar câmaras HD e Inteligência Artificial para detetar e esfregar manchas difíceis no chão.
Se funciona? Sim, funciona. Bastante bem por vezes. No final do dia, é um produto Dyson, e como tal, potência não falta. Mas, contra marcas como a Dreame ou Roborock, a marca tem uma missão árdua pela frente, porque existem algumas especificidades que precisavam de mais algum trabalho.
Uma base de carregamento futurista, que remove um dos maiores problemas dos aspiradores robô
Logo para começar, o Dyson Spot+Scrub Ai segue a receita tradicional no que toca à configuração básica: ligas a base à tomada, emparelhas com a aplicação da Dyson através do Wi-Fi e ele sai para mapear a casa. Muito simples, e funciona muito bem.
O mapeamento em si é rápido, levando cerca de cinco minutos. Porém, apesar de estar a melhorar com atualizações, a aplicação ainda se mostra um bocado “cega” ao não detetar obstáculos grandes como ilhas de cozinha, sofás, mesas, etc… É algo que obriga a alguma edição do mapa à mão, para criar zonas proibidas. Mas não é o fim do mundo.
Entretanto, o grande destaque visual vai para a nova base de carregamento, que traz um design industrial muito característico da marca. Ou seja, encontras três cilindros gigantes: um para a água limpa, outro para a água suja e um terceiro cilindro totalmente transparente para os resíduos secos, imitando o depósito dos aspiradores verticais da Dyson. Isto significa que não precisas de sacos de aspirador para esta base. Nem precisas de andar a ver na aplicação se o saco está cheio. É um depósito de plástico rijo, igual aos dos aspiradores verticais, que pode ser limpo em 2 ou 3 segundos. E que, de facto, podes olhar lá para dentro para saber como estás.
Por um lado, é excelente porque não gastas dinheiro em consumíveis como os tais sacos. Mas, por outro, tens o lixo à vista, o que nem sempre é estético.
O tamanho é um problema
O aparelho em si é gigante. Estamos a falar de 10.8 centímetros de altura, o que derrota um pouco um dos objetivos daquilo que é um aspirador robô, que em 2026 tem de ser capaz de limpar a grande maioria da superfície visível.
Ou seja, é demasiado alto para passar por baixo da maioria dos armários e sofás. Além disso, como a câmara não consegue ver o que está imediatamente acima dela, o robô interpreta mal o espaço, e como tal, bate consecutivamente contra rodapés ou tenta forçar a entrada em espaços onde pura e simplesmente não cabe. De facto, a minha unidade tem alguns riscos superficiais devido a isso. Ele quer mesmo limpar o que está à sua frente, mas não cabe. Não é o fim do mundo, nem acho que seja por aqui que deixa de ser uma boa compra. Mas é um detalhe importante. Tens de perceber se ele cabe debaixo dos teus móveis.
Além disso, como não tem nenhum braço ou mopa extensível, há sempre cantos que ficam por limpar ao longo de 2026.
Como é na limpeza a sério? A IA funciona?
Na limpeza a sério, este robô brilha. É como disse em cima, este não é o produto mais refinado de sempre, sendo exatamente por isso que anda a receber atualizações regulares por parte da Dyson. Mas… não deixa de ser um Dyson. Limpeza é com ele.
De facto, depois de 1 semana a limpar normal, decidi que não ia meter líquido de limpeza no depósito do aspirador. Ia limpar só com água. Mas, ainda assim, andou a “arranjar” espuma dos azulejos do chão de minha casa. De onde veio esta espuma? Simples, das limpezas feitas pela mulher a dias. Ele esfrega tanto o chão, que vai tirar resíduos de produto de outras sessões de limpeza. É um monstro neste campo.
Além disso, no lado do aspirador, também tem uma força de sucção brutal. A sujidade dos tapetes treme quando vê este Dyson a chegar, e ainda bem que assim é. Tenho um cão a mudar de pelo em casa, e isto tem feito maravilhas em Salvaterra de Magos.
Quanto à IA, é o que é. Ele é capaz de identificar sítios mais sujos, e insiste mais nessas zonas. Mas este tipo de funcionalidade não é uma gigantesca novidade. É o funcionamento normal de qualquer aspirador robô. Ele é bom a limpar, e sabe identificar que zonas precisam de mais insistência para ficarem impecáveis.
Conclusão
Aqui temos de falar do preço. Sendo um produto Dyson, este Spot+Scrub Ai não é barato. Custa 1199€. Um valor que o mete como rival direto de pesos-pesados deste mercado.
Ainda assim, se gostas da marca, e queres um monstro da limpeza pura e dura, tens aqui uma belíssima proposta. Podia ser mais pequeno para caber debaixo de mais móveis, e podia ser mais inteligente para não andar a dar cabeçadas a tudo e mais alguma coisa. Mas, quando entra para limpar, fica limpo, e no fim do dia, é exatamente isso que interessa.
Achas que a força bruta de limpeza da Dyson justifica os 1199€ e as “cabeçadas” nos móveis, ou preferes a inteligência e o tamanho reduzido das marcas rivais? É uma questão muito pertinente. Deixa a tua opinião nos comentários.








