A Dyson é sinónimo de produtos caros e tecnológicos dos aspiradores aos secadores de cabelo. Mas o seu último lançamento, uma escova de dentes com câmara e inteligência artificial, teve uma estreia atribulada: a marca suspendeu a sua venda em França apenas dez dias depois de a lançar, por causa de um defeito. E fica a pergunta que muitos fazem: será que o mesmo pode acontecer noutros países?
Uma escova de dentes de 479 euros com câmara
Primeiro, o produto, porque é, no mínimo, invulgar. A Dyson CameraJet chegou a 1 de setembro, a Paris, e custa uns impressionantes 479 euros. Não é uma escova de dentes qualquer: tem uma câmara macro minúscula que “vê” os espaços entre os dentes e dirige um jato de líquido de limpeza precisamente para esses pontos, muitas vezes invisíveis a olho nu.

Segundo a Dyson, o aparelho resulta de seis anos de investigação, com centenas de engenheiros e dezenas de patentes. A câmara capta 28 imagens por segundo e usa inteligência artificial (treinada com centenas de milhares de imagens dentárias) para identificar, em milésimos de segundo, onde a placa se acumula.
O que correu mal
A euforia durou pouco. Cerca de dez dias após o lançamento, começaram a surgir queixas de utilizadores, e a Dyson suspendeu as vendas em França. A marca explicou ter identificado um defeito num componente, que poderá afetar um número limitado de unidades dos primeiros lotes de fabrico.
A empresa fez questão de sublinhar que se trata de uma suspensão temporária e que não há uma recolha geral em curso, está apenas em contacto direto com os clientes cujos aparelhos apresentam problemas. Ainda assim, ficam perguntas no ar: a Dyson não identificou qual o componente com defeito, não disse quantos aparelhos podem estar afetados, nem avançou uma data para o regresso às lojas.
E em Portugal?
É a dúvida natural. Para já, a suspensão foi anunciada apenas para o mercado francês, e não há qualquer indicação de que a Dyson vá tomar a mesma decisão em Portugal ou noutros países. Aliás, a CameraJet ainda nem chegou a todos os mercados da mesma forma.
Ou seja: não há motivo para alarme para quem eventualmente já tenha o produto. A própria marca diz que o problema afeta um número limitado de unidades dos primeiros lotes. Mas o caso serve de aviso: mesmo produtos de marcas de topo, e a preços premium, não estão imunes a defeitos de estreia. Quando um aparelho é a primeira geração de uma tecnologia nova, os primeiros lotes são sempre os mais arriscados.
A lição para quem compra “novidades”
Este episódio reforça um conselho que vale para qualquer gadget caro e inovador: com produtos de primeira geração, muitas vezes compensa esperar uns meses. Deixar que os primeiros compradores “testem” o produto e que a marca corrija os problemas iniciais pode poupar-te dores de cabeça (e, no caso de uma escova de dentes de 479€, bastante dinheiro).
No fundo, a CameraJet é um bom exemplo de como a inovação e o risco andam de mãos dadas. A ideia é fascinante uma escova que “vê” a tua boca, mas a execução, pelo menos nesta estreia, tropeçou. Resta ver se a Dyson resolve o problema depressa e devolve a escova às prateleiras.








