Já alguma vez te perguntaste por que razão os discos rígidos (HDD) parecem ter estagnado na velocidade de rotação? Durante anos, a indústria tentou levar a performance mecânica ao limite, mas a verdade é que a física acabou por ganhar a batalha. Embora tenham existido discos rígidos de 15000 RPM, elas desapareceram quase por completo. Vamos explicar-te o que aconteceu.
Discos rígidos de 15000 RPM: A obsessão pela velocidade de rotação
Para compreenderes este problema, primeiro precisas de saber que a velocidade de um disco rígido está diretamente ligada à rotação física dos seus pratos magnéticos. Como o dispositivo utiliza um braço mecânico para ler e escrever dados, quanto mais rápido o disco girar, menor é a latência.
Antigamente, os discos de 5.400 RPM eram o padrão, mas rapidamente se tornaram um estrangulamento para o desempenho dos computadores. Por essa razão, o salto para os 7.200 RPM foi muito bem-vindo, pois reduziu o tempo que o cabeçote de leitura precisava para encontrar a informação. No entanto, para ambientes empresariais e servidores que lidam com bases de dados massivas, até isso era lento. Foi então que surgiram as unidades de 10.000 e 15.000 RPM.
O barulho de turbina e o calor extremo
Apesar de serem extremamente rápidos para a época, estes discos enfrentaram problemas sérios. Em primeiro lugar, o calor gerado pela fricção do ar e pelo motor a estas velocidades era absurdo. Consequentemente, estas unidades exigiam sistemas de refrigeração muito complexos e barulhentos que simplesmente não cabiam num computador comum.
Além disso, o ruído era insuportável. Um disco de 15.000 RPM em funcionamento emite um assobio agudo muito semelhante ao de uma pequena turbina de avião. Como podes imaginar, ninguém quereria ter algo assim a funcionar na secretária do escritório ou no quarto durante a noite.
O perigo das vibrações e dos “head crashes”
Outro obstáculo crítico foi a estabilidade mecânica. A 15.000 RPM, qualquer vibração mínima ou desequilíbrio microscópico nos pratos podia ser catastrófico. Nestas velocidades, o risco de um “head crash” que acontece quando a cabeça de leitura toca fisicamente na superfície do disco e destrói os dados aumenta exponencialmente.
Para mitigar este risco, os fabricantes tiveram de usar pratos mais pequenos e componentes muito mais densos e caros. Por causa disso, estes discos tinham sempre capacidades de armazenamento muito inferiores aos modelos de 7.200 RPM e custavam uma pequena fortuna por cada gigabyte disponível.
O golpe final dado pelos SSDs
Eventualmente, o desenvolvimento destas tecnologias mecânicas ultra-rápidas parou porque surgiu uma alternativa imbatível: o SSD. Ao contrário dos discos rígidos, os SSDs utilizam memória flash e não têm peças móveis.
Portanto, um SSD moderno, mesmo o mais barato que possas comprar hoje em 2026, é dramaticamente mais rápido do que o melhor disco de 15.000 RPM alguma vez fabricado. Além disso, os SSDs são silenciosos, não vibram e consomem uma fração da energia.
Atualmente, o papel do disco rígido mudou. Em vez de focarem na velocidade, os fabricantes estão agora focados apenas na densidade, ou seja, em enfiar o máximo de Terabytes possível em discos de 5.400 ou 7.200 RPM para armazenamento secundário. Se queres performance, a tua única escolha lógica é o SSD; os discos de “alta rotação” são agora apenas uma curiosidade na história da informática.









