Toda a gente sabe que as despesas de saúde e educação abatem no IRS. Mas há uma série de outras deduções perfeitamente legais que a maioria das pessoas deixa escapar, muitas vezes só por não pedir fatura com o NIF ou por não saber que contam. E cada uma delas pode significar um reembolso maior (ou menos imposto a pagar). Aqui ficam as mais esquecidas, para 2026.
O ginásio, o cabeleireiro e o veterinário contam

Aquelas despesas do dia a dia que parecem não ter nada a ver com impostos, afinal contam, através das chamadas deduções por exigência de fatura (o IVA de setores específicos):
- Ginásio e aulas de desporto: deduzes 30% do IVA (uma das percentagens mais altas).
- Cabeleireiro, barbeiro e estética: 15% do IVA.
- Veterinário (consultas, cirurgias, medicamentos com receita): 15% do IVA.
- Reparações do carro ou da mota (revisões, pneus, mecânica): 15% do IVA.
- Restaurantes e alojamento: 15% do IVA.
- Passes de transportes públicos: 100% do IVA.
- Jornais e revistas (papel ou digital): 100% do IVA.
Há um limite global de 250€ por contribuinte (500€ num casal em tributação conjunta) para o conjunto destas despesas mas enche-se mais depressa do que parece, e cada fatura conta.
Novidade de 2026: a cultura passa a abater
A partir das despesas de 2026, entram nesta categoria as despesas culturais: livros (em livrarias), bilhetes de espetáculos (teatro, música, dança), e entradas em museus, monumentos e bibliotecas. Deduzes 15% do IVA. É uma boa razão a mais para pedir fatura com NIF quando compras um livro ou vais a um concerto.

Lares e apoio a idosos: 25% até 403,75€
Uma dedução importante e muitas vezes esquecida por quem cuida de familiares: os encargos com lares, apoio domiciliário e instituições da terceira idade, do próprio, do cônjuge, dos pais ou avós, deduzem 25%, até 403,75€. Aplica-se também a lares para pessoas com deficiência. (Há um limite de rendimento do familiar para contar.)
Pensão de alimentos: 20% sem limite
Quem paga pensão de alimentos (decretada por tribunal ou acordo homologado) pode deduzir 20% do valor pago — sem qualquer teto máximo. É uma das raras deduções sem limite, e uma das mais esquecidas por quem tem essa obrigação.
O PPR: a dedução com melhor retorno
Se pões dinheiro num Plano Poupança Reforma (PPR), podes deduzir 20% do que investiste, até um máximo que varia com a idade (300€, 350€ ou 400€). É considerada por muitos a dedução com melhor relação esforço-benefício do sistema fiscal, poupas no IRS e estás a poupar para a reforma.

O essencial: pedir fatura e validar no e-fatura
Todas estas deduções têm uma coisa em comum: só contam se pedires fatura com o teu NIF e se ela estiver corretamente classificada no e-fatura. Por isso, dois hábitos que valem dinheiro:
- Pede sempre fatura com contribuinte — mesmo no café, no cabeleireiro ou no veterinário.
- Vai ao e-fatura validar as faturas pendentes (até 25 de fevereiro do ano seguinte) e confirma se ficaram na categoria certa.
Como sempre nestes temas, os limites e regras dependem da tua situação, por isso confirma no Portal das Finanças. Mas a mensagem principal fica: há dinheiro que muita gente deixa em cima da mesa todos os anos e, muitas vezes, basta um hábito simples (pedir fatura) para o recuperar.






