A Dacia tem sido uma marca incrível de se acompanhar ao longo dos últimos anos. Afinal, desde que a marca entrou no Grupo Renault (sim, já existia Dacia antes), rapidamente se posicionou como alternativa low-cost. Mas, aos poucos, começou a posicionar-se como o carro que é barato e excelente para o dia-a-dia, mas que já não é demasiado barato para se começar a pensar que é feito de plástico barato que se desfaz à menor pancada.
Prova disso é a quantidade de veículos Dacia que ainda podemos encontrar nas estradas portugueses com muitos anos em cima. São máquinas de guerra autênticas.
Aliás, este Striker é o exemplo de tudo isto. É um Dacia, isso é certo. Mas, é o Dacia mais diferente de todos os Dacia. Aliás, eu acho que é o Dacia mais bonito que a fabricante alguma vez lançou no mercado europeu.
É aquele tipo de carro que muitos condutores vão ver na estrada e vão dizer “o que é aquilo?”. Finalmente!
Novo Dacia Striker quer ser diferente, bom e barato!

Se andas atento ao mercado automóvel e as estratégias das grandes marcas, sabes perfeitamente que o segmento C se transformou numa autêntica dor de cabeça para a carteira dos portugueses.
Ou seja, encontrar um carro espaçoso, moderno e com capacidades reais para a estrada e para as escapadelas de fim de semana, sem ter de contrair um crédito a perder de vista, tornou-se quase uma missão impossível.
No fim do dia, todos os carros encareceram com o acréscimo de tecnologia, muitas vezes mais de 10 mil euros, mas quem mais sofreu foi o ponto ótimo, que era o segmento C. É precisamente para quebrar este ciclo que a Dacia acaba de revelar oficialmente o Striker. O objetivo da marca é claro! Expandir a sua ofensiva depois do Bigster e criar um crossover inovador que junta o melhor de três mundos por um preço que começa abaixo dos 25.000€.
Olhando para os argumentos e para o preço, a marca romena tem tudo para faturar forte e feio no retalho nacional.
A questão agora, que mundos são estes mencionados pela própria marca?
Um design “híbrido” que mistura carrinha, SUV e sedan

Portanto, para desenhar o Striker, os engenheiros da Dacia não se limitaram a copiar as fórmulas dos SUV convencionais que já cansam o mercado. Ou seja, decidiram arriscar num conceito estético que divide o carro em dois níveis.
Mais concretamente, acima da linha de ombros da carroçaria, temos um perfil fluido e aerodinâmico, com um para-brisas inclinado e uma linha de tejadilho alongada que pisca claramente o olho à elegância das carrinhas e dos sedans. Entretanto, abaixo dessa linha, o cenário muda por completo com superfícies verticais robustas, proteções exteriores em material Starkle resistente a riscos e uma distância ao solo generosa de até 20 cm, herdada diretamente do universo todo-o-terreno.

As dimensões explicam bem esta postura. O Striker mede 4,62 metros de comprimento, o equivalente a uma carrinha média, mas mantém-se colado ao asfalto com apenas 1,53 metros de altura total.
Isto garante uma eficiência aerodinâmica muito superior à dos SUV normais de um metro e sessenta, o que por sua vez significa que vai ser um carro mais poupado no lado do combustível, e de facto, mais agradável de ser conduzido.
Entretanto, na frente e na traseira, estreia-se a nova assinatura luminosa em “T” da marca, que abraça a grelha preta brilhante com o icónico logótipo Dacia Link.
Duas almas à escolha: Aventura ou conforto familiar?

No que toca à vida a bordo e aos níveis de equipamento, a Dacia montou duas versões muito distintas para responder às necessidades reais de cada utilizador. A versão “Extreme” é totalmente direcionada para quem tem um espírito outdoor e quer enfiar o carro na lama sem medos. Chega equipada com estofos laváveis em Microcloud, tapetes de borracha feitos com 50% de material reciclado, controlo de velocidade em descidas e uma transmissão 4×4 opcional acoplada a uma motorização híbrida de 150 cv. É o parceiro ideal para carregar material de lazer e explorar caminhos de terra batida.

Dito tudo isto, se a tua praia são as viagens longas em autoestrada com a família e valorizas o descanso, a versão “Journey” é a escolha lógica.
Entretanto, vale a pena dizer… Aqui a prioridade é o conforto acústico e a comodidade! Trazendo mimos como banco do condutor com regulação elétrica, bancos e volante aquecidos, estofos em tecido suave e uma porta da bagageira com abertura elétrica.

Mas, não nos vamos fazer de anjinhos! A Dacia sabe perfeitamente que o mercado empresarial e os particulares estão fartos de ver preços inflacionados na concorrência. Ao colocar no mercado um crossover multi-energias eletrificado, com espaço de carrinha e visual robusto por menos de 25 mil euros, a marca não está apenas a lançar mais um modelo… Está a encostar os rivais à parede. Algo muito importante nesta era, onde os carros chineses são cada vez mais apelativos, e começam a ganhar cada vez mais a confiança dos consumidores.
No fim dia, acho que é um automóvel interessantíssimo, e pode até ser o produto mais importante desta “nova” Dacia. Agora falta conduzir para perceber se toda a aposta no design e tecnologia resultou num carro divertido e bem mexido.




