Se costumas acompanhar desporto automóvel e os bastidores das grandes marcas, sabes perfeitamente que o mundo da competição é movido por objetivos de marketing muito frios. Isto significa que, quando uma fabricante atinge o topo… A administração senta-se à mesa para fazer contas e decidir se vale a pena continuar a queimar milhões de euros no asfalto ou na areia. A resposta é óbvia na grande maioria das vezes.
Afinal de contas, nem todos os desportos são como a F1, onde o dinheiro está quase sempre garantido. Ou seja, a grande maioria dos desportos motorizados não dá dinheiro, só despesa.
Sim, tudo isto resulta em outras coisas também ela importantes, sendo exatamente por isso que há sempre marcas a investir. A visibilidade é importante, especialmente para marcas como a Dacia que ainda têm muito a provar aos olhos dos consumidores.
Dacia Sandriders: Sucesso chegou cedo e agora vem o fim
Pois bem, poucas semanas depois de ter conquistado a edição de 2026 do Rali Dakar, a Dacia pegou em toda a gente de surpresa ao anunciar que vai abandonar oficialmente o campeonato de Rally-Raid no final desta temporada.
O Grupo Renault mudou de gestão há poucos meses, e como tal, é preciso cortar gorduras.
Assim, o projeto Sandrider é obviamente um sucesso, mas vai ser arrumado na gaveta e a presença no Dakar de 2027 está completamente fora de questão.
É curioso, existia um plano de três anos para vencer a prova mais dura do planeta. Como o piloto Nasser Al-Attiyah despachou o serviço logo à segunda tentativa, a administração considerou o investimento validado e decidiu bater em retirada enquanto está na mó de cima.
Nós tivemos a oportunidade de fazer um Co-Drive com este piloto, e ficou muito óbvio o porquê de tudo ter corrido bem. É um talento inegável (que por acaso também adora Cristiano Ronaldo).
O marketing fala mais alto que a paixão pelas corridas
Portanto, olhando para os resultados puros, a decisão da Dacia pode parecer um contrassenso técnico. No último Dakar, a marca não só arrecadou o primeiro lugar com Al-Attiyah, como colocou Loeb na quarta posição, Moraes em sétimo e Gutiérrez em décimo primeiro. Ter quatro carros no top 11 da mítica prova do deserto prova que o protótipo Sandrider é uma máquina incrivelmente robusta e competitiva face aos tubarões do setor. É no fundo uma prova de que a Dacia sabe o que está a fazer.
O que claro está, também passa pedigree aos carros da marca, como é o caso dos Dacia Duster e Bigster 4×4. Máquinas que também tivemos a oportunidade de testar em ambientes extremamente complicados, e que fizeram gato-sapato de qualquer estrada complicada.
Mas… É o que é. No desporto moderno, a glória desportiva serve apenas para alimentar os catálogos dos concessionários. A Dacia foi “demasiado” competente, e com o troféu do Dakar garantido na vitrine e o argumento comercial de que constroem jipes indestrutíveis validado, a Dacia prefere focar os seus recursos noutras frentes e fechar este capítulo de ouro com chave de ouro.






