Caso não saibas, a IA já consegue roubar as tuas impressões digitais, e até o consegue fazer à distância! – Tirar uma fotografia a fazer o clássico sinal de “V” ou de “paz e amor” é um hábito inofensivo para a maioria das pessoas. Não é que seja uma boa foto, porque quase nunca é, mas é muito normal fazer este gesto, especialmente para as pessoas que não se sentem confortáveis a tirar fotos.
No entanto, em 2026, com as câmaras ultra-potentes dos smartphones modernos, este gesto banal é cada vez mais um enorme risco de segurança. Mas… será que a biometria que usamos para desbloquear o telemóvel, autenticar passkeys e aceder à conta do banco está condenada por culpa das redes sociais?
O perigo do sinal de “V”: Hackers só precisam de um metro e meio!
Vários especialistas em segurança digital e biometria lançaram um alerta que se tornou viral nas redes sociais. Se tirares uma fotografia em que as pontas dos teus dedos estejam viradas diretamente para a câmara, a uma distância de até 1,5 metros, a resolução atual dos sensores é mais do que suficiente para recriar a tua impressão digital.
Na realidade, os softwares modernos de edição de imagem e as novas ferramentas de IA conseguem focar, limpar o ruído e detalhar as cristas papilares da pele que antes passavam completamente despercebidas numa selfie comum. Dito tudo isto, com estes dados em mãos, criminosos digitais podem, teoricamente, clonar a tua identidade biométrica para contornar scanners de computadores, telemóveis e até sistemas de pagamentos online.
O hardware evoluiu e facilitou a vida aos piratas!
Esta vulnerabilidade não é uma novidade absoluta no mundo do hacking. Já em 2013, o investigador alemão Jan Krissler, membro do famoso Chaos Computer Club, conseguiu contornar o Touch ID da Apple logo após o seu lançamento. Um ano depois, demonstrou ser possível recriar a impressão digital da própria Ministra da Defesa da Alemanha usando apenas fotografias públicas das mãos dela.
A grande diferença é que, no passado, este processo era complexo, exigia câmaras profissionais, condições de iluminação controladas e estúdios especializados. Hoje, a fotografia computacional dos smartphones facilitou (imenso) o processo. Em 2021, os investigadores da Kraken Security Labs já tinham provado que bastava uma foto focada, o Photoshop, uma impressora laser comum e um bocado de cola de madeira para criar um molde falso perfeitamente funcional.
A minha visão?
Nós adoramos a conveniência de encostar o dedo no ecrã para validar transferências ou desbloquear o smartphone. Mas, a verdade é que andamos a espalhar as chaves da nossa segurança pelo Instagram, TikTok, etc… Em gloriosa alta resolução.
Com smartphones a capturar detalhes quase microscópicos, dar um “passou bem” para a câmara passou a ser um desleixo de cibersegurança. Não precisamos de entrar em pânico e desativar os sensores dos nossos telemóveis. Até porque a biometria continua a ser excelente para evitar que um amigo cusco mexa no teu telemóvel. Mas, talvez seja boa altura para começares a fechar a mão ou a virar as palmas para dentro.





