Recebes um SMS a dizer que tens uma encomenda retida nos CTT e que só falta pagar uns cêntimos de taxa alfandegária para ela seguir viagem. O valor é tão ridículo 0,59 €, 1,20 €, qualquer coisa que mal dá para um café que a tua cabeça nem hesita. Carregas no link, introduzes os dados do cartão e pronto: acabaste de entregar a tua vida bancária a um burlão. Esta é, neste momento, uma das fraudes mais comuns em Portugal, e o mais assustador é que funciona precisamente porque parece inofensiva. Entretanto quando achávamos que cada vez menos pessoas caíam nisto, eis que se está a passar exatamente o contrário. Como tal cuidado com a SMS da encomenda falsa dos CTT.
Burla dos CTT: o SMS da encomenda falsa continua a fazer vítimas
O esquema chama-se smishing, uma mistura de SMS com phishing. Em vez de te pedirem logo uma fortuna, os burlões pedem-te um valor minúsculo. A lógica é psicológica: ninguém desconfia de uma cobrança de cêntimos. Mas o objetivo nunca foi esse euro e tal. O que eles querem são os dados do teu cartão, ou seja, número, validade e código de segurança, para depois fazerem compras de centenas de euros ou subscreverem serviços em teu nome.
Como é que reconheces a armadilha?
Há sempre pistas, e quando aprendes a vê-las já não voltas a cair. A primeira é o remetente: os CTT verdadeiros não te mandam links de pagamento por SMS a partir de um número de telemóvel pessoal. A segunda é o endereço do link. Passa o dedo por cima (sem carregar) e repara para onde aponta — quase sempre é um site estranho, cheio de letras e números, que nada tem que ver com o domínio oficial dos CTT. A terceira é a pressa. A mensagem cria sempre urgência: “a sua encomenda será devolvida em 24 horas”. Essa urgência existe para não te dar tempo de pensar.
Outra variante que tem crescido é a do SMS a dizer que a morada está incompleta e que precisas de “confirmar os dados de entrega”. O destino é o mesmo: uma página clonada, igualzinha à dos CTT, à espera que escrevas tudo. E há ainda a versão por email, com o logótipo perfeito e tudo, que é ainda mais convincente.
Se já recebeste uma destas mensagens, a regra é simples: não carregues no link. Se tens mesmo uma encomenda a caminho, vai ao site oficial dos CTT ou à app, escreve tu o endereço no navegador, e verifica o estado por lá. Nunca, mas nunca, através do link que te chegou.
E se já caíste? Não entres em pânico, mas age depressa.
Liga imediatamente ao teu banco para cancelar o cartão e contestar qualquer movimento. Quanto mais cedo o fizeres, maior a probabilidade de travares cobranças. Muda também as palavras-passe que possas ter usado nessa página. E, se quiseres, apresenta queixa à PSP ou à GNR. Estas burlas só são travadas quando há denúncias que permitem chegar às redes que estão por trás.
O que torna esta fraude tão eficaz é a quantidade. Os burlões disparam milhões de mensagens ao calhas, sabendo que, num qualquer dia, há sempre quem esteja mesmo à espera de uma encomenda. É a tal coincidência que faz baixar a guarda. Por isso, a melhor defesa não é a tecnologia, é o hábito. Habitua-te a desconfiar de qualquer SMS que te peça para pagar seja o que for através de um link.
Partilha isto com os teus pais e avós, que são quem mais cai nestes esquemas. Um aviso a tempo pode poupar a alguém uma grande dor de cabeça e uma conta esvaziada.






