Enquanto os portugueses se queixam dos preços altos nas bombas, o Governo prepara-se para ir buscar dinheiro a quem mais lucra com os combustíveis: as petrolíferas. Foi anunciada uma contribuição extraordinária sobre os lucros do setor petrolífero, uma espécie de “imposto sobre os lucros excessivos”. Explicamos o que é, porque está a ser criada e o que (realisticamente) pode mudar para o teu bolso.
O que é esta contribuição
Chama-se Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o Setor Petrolífero (CSTSP) e é, no fundo, um imposto especial que incide sobre os lucros extraordinários das empresas do setor dos combustíveis. A ideia é que, num período em que os preços dispararam (com impacto pesado nas famílias), as empresas que registaram lucros muito elevados contribuam mais para o Estado.

A medida terá aplicação apenas ao período fiscal de 2026 (daí o “temporária”) e ainda tem de ser discutida e aprovada no Parlamento antes de entrar em vigor.
Porquê agora?
O contexto é o da escalada dos preços dos combustíveis, agravada por fatores internacionais, os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, e o encerramento de várias refinarias na Europa, que reduziu a capacidade de produção. Enquanto os consumidores sentem os preços altos, algumas empresas do setor beneficiaram desse contexto e é sobre esses ganhos que o Estado quer atuar.
É uma lógica semelhante à que vários países europeus aplicaram nos últimos anos às energéticas, quando os lucros dispararam durante a crise energética.
Vai baixar o preço nas bombas?
Aqui é preciso ser honesto e gerir expectativas. Uma contribuição sobre os lucros das petrolíferas não se traduz, diretamente, num preço mais baixo no depósito. O dinheiro vai para o Estado, não é um desconto automático para o consumidor.
O que pode acontecer é o Estado usar essa receita para financiar apoios (como os descontos que tem dado, ou ajudas a setores afetados). Mas não esperes que, no dia em que a contribuição se aprovar, o preço na bomba desça. São coisas diferentes: uma é o que as empresas pagam ao Estado; outra é o que tu pagas no posto.
O que já existe (e afeta mesmo o teu depósito)
Para o teu bolso, o que conta de imediato é o desconto no ISP (o imposto sobre os combustíveis), que o Governo tem mantido. Ronda atualmente os 23 cêntimos por litro no gasóleo e na gasolina. Esse, sim, reflete-se no preço que pagas. E há apoios específicos a setores (transportes de mercadorias, táxis, agricultura, pesca), que não chegam ao condutor comum.

Em resumo
A contribuição sobre as petrolíferas é uma medida de justiça fiscal (fazer contribuir quem mais lucrou) e de encaixe para o Estado, mas não é uma varinha mágica que baixa os preços nas bombas. Para o consumidor, o que pesa mesmo no dia a dia continua a ser o desconto no ISP e a evolução das cotações internacionais.
Como sempre nestes temas, a medida ainda depende de aprovação no Parlamento e pode sofrer alterações. Mas fica o retrato: o Governo quer que as petrolíferas paguem mais, resta ver se, e como, isso chega a beneficiar quem enche o depósito todas as semanas.








