Quantas vezes já vos disse aqui na Leak.pt que o mercado de telecomunicações em Portugal vive à custa do comodismo e do medo que o consumidor tem de mudar? Pagamos balúrdios todos os meses por pacotes de internet, televisão e telemóvel, refilamos com a fatura ao final do mês, mas quando chega a hora de renovar ou procurar alternativas… A esmagadora maioria das pessoas volta a cair exatamente nos mesmos erros de sempre.
Aliás, as próprias operadoras sabem disto, e têm uma estratégia que quase nunca falha. Enviam e-mails, ou fazem chamadas, com alguns descontos, e pronto! A renovação está garantida.
De facto, continuamos a olhar para as telecomunicações como quem olha para a água ou a luz. Aceitamos o que nos metem à frente por puro hábito, assinamos fidelizações às cegas e ignoramos por completo que o mercado mudou radicalmente nos últimos tempos.
Isto é um erro, especialmente nos tempos que correm.
Fidelizações cegas e o apego absurdo ao trio do costume

O primeiro grande tiro no pé que muita gente dá é aceitar uma renovação de 24 meses em troca de uma esmola de dois ou três euros de desconto na fatura ou de uma mensalidade de streaming de oferta. Esse pequeno chupa-chupa serve apenas para te amarrar as mãos e impedir que saltes fora quando aparece uma oferta a sério no mercado.
É preciso ter a noção de que com a entrada de novas operadoras como a DIGI e a consolidação das marcas low-cost. Os preços da internet fixa e dos dados móveis levaram uma valente chapada de realidade.
No entanto, há ainda uma fatia enorme de clientes que se recusa a sair da MEO, da NOS ou da Vodafone por puro preconceito ou por achar que o que é mais barato não presta. Ficam presos a faturas pornográficas por medo.
Cobertura real, letras pequenas e a culpa que nem sempre é da rede!
Outro erro clássico passa por contratar um serviço móvel ou de fibra sem sequer verificar a cobertura real na morada onde se vive. Uma operadora pode ter a melhor publicidade na televisão e oferecer velocidades teóricas brutais. Mas, se a antena mais próxima estiver saturada ou a tua casa ficar num buraco de sinal, vais passar dois anos a sofrer com chamadas a cair e velocidades de caracol.
A somar a isto, muita gente olha apenas para o valor promocional dos primeiros três meses e esquece-se de ler as entrelinhas sobre os aumentos anuais da inflação ou custos escondidos de ativação. Pior ainda: muitas vezes a internet em casa arrasta-se não por culpa do sinal que chega ao prédio. Mas, porque o cliente continua a usar o mesmo router velho encafuado atrás do móvel da sala, à espera que o sinal de Wi-Fi atravesse três paredes de betão.
Escolher uma operadora em Portugal não pode continuar a ser um ato envolto no hábito. É preciso comparar a sério, fugir de fidelizações desnecessárias e ter a coragem de mudar mal apareça uma proposta mais justa para a carteira.
Também não é preciso ter medo de perguntar. Se não se sabe… Pedir ajuda ainda não paga impostos.







