Chega o verão e, com ele, outra surpresa desagradável na caixa do correio: a conta da água bem mais alta do que o costume. Não é imaginação tua. No verão gastamos genuinamente mais água, por várias razões, e muitas delas passam-nos completamente despercebidas. A boa notícia é que, percebendo onde está o desperdício, dá para travar a fatura sem viver com sede nem deixar o jardim morrer. Assim a conta da água vai deixar de disparar no verão.
A conta da água a disparar no verão: onde se gasta mais e como travar
Comecemos pelos grandes responsáveis pelo aumento de verão. O primeiro é a rega de jardins, hortas e plantas, que dispara com o calor. O segundo são os banhos e duches mais frequentes, naturais quando se transpira muito. O terceiro, para quem tem, é a piscina, que consome água ao encher e a perde por evaporação e salpicos. E há ainda o hábito de lavar pátios, terraços e o carro com mais frequência. Somados, estes consumos explicam grande parte do salto na fatura.
A rega é, talvez, onde há mais a ganhar com pequenos ajustes
O erro clássico é regar nas horas de calor, ao meio-dia ou à tarde, quando boa parte da água se evapora antes de chegar às raízes, estás literalmente a regar o ar. Rega ao início da manhã ou ao fim do dia, quando está mais fresco, e a água aproveita-se muito melhor, o que significa que precisas de menos para o mesmo efeito. Rega o solo, junto às raízes, e não as folhas. E considera plantas mais adaptadas ao clima seco, que precisam de menos água, além de truques como cobrir a terra com material que reduz a evaporação.
Nos duches, a poupança é simples e indolor
Duches mais curtos fazem uma diferença enorme, cada minuto a menos são litros poupados. Fechar a água enquanto te ensaboas, e também enquanto escovas os dentes ou fazes a barba, parece um detalhe, mas ao longo de uma família e de um mês inteiro soma imenso. Um chuveiro eficiente, que reduz o caudal sem perder conforto, paga-se rapidamente.
Há também os desperdícios escondidos, que correm sem darmos por eles. Uma torneira a pingar ou um autoclismo que verte continuamente podem deitar fora uma quantidade surpreendente de água ao longo do mês, gota a gota, sem que repares. Vale a pena fazer uma ronda à casa à procura de fugas: torneiras, canos, o autoclismo (um truque é pôr umas gotas de corante no depósito e ver se a água da sanita ganha cor sem puxares o autoclismo, se ganhar, há fuga). E o autoclismo, por falar nele, é dos maiores consumidores domésticos de água; os de dupla descarga ajudam bastante a poupar.
Na cozinha e na lavandaria, há ganhos fáceis
Põe a máquina de lavar loiça e a de lavar roupa a trabalhar só quando estão cheias, evitando meias cargas que gastam quase a mesma água para menos. Lavar a loiça à mão com a torneira sempre aberta gasta muito mais do que encher uma bacia. E reaproveitar água é uma arte que compensa: a água com que lavas os legumes ou que sobra de uma garrafa pode regar as plantas.
Para quem tem piscina, cobri-la quando não está em uso reduz drasticamente a perda por evaporação, que no verão é considerável. E lavar o carro com balde e esponja, em vez de mangueira aberta, gasta uma fração da água.
Por fim, um conselho que junta tudo: acompanha o teu consumo
Olha para a fatura, vê quanto gastas e compara mês a mês. Ter noção dos números é o primeiro passo para os controlar, e muitas vezes basta essa consciência para mudarmos os hábitos quase sem esforço.
Poupar água no verão não é privação. É deixar de a desperdiçar. Assim com a rega à hora certa, duches mais curtos, fugas reparadas e máquinas cheias, travas a fatura e ainda fazes um favor ao ambiente, num recurso que é cada vez mais precioso.
Qual destes desperdícios achas que é o teu calcanhar de Aquiles? Confessa nos comentários.







