São duas frases parecidas com significados opostos e confundi-las leva a dois erros caros. Deitar fora comida boa, ou comer algo que pode fazer mal. Muitas vezes lemos estes rótulos na diagonal e podemos acabar por cometer algumas asneiras. Assim vamos mostrar-te a diferença entre o consumir até e o consumir de preferência antes de para que não voltes a cair em qualquer erro.
“Consumir até” ou “consumir de preferência antes de”?
“Consumir até” = data de SEGURANÇA. Aparece em alimentos que se deterioram depressa e onde o risco é microbiológico: carne e peixe frescos, refeições prontas, ovos, alguns lacticínios. Depois desta data, o alimento pode ser perigoso mesmo que tenha bom aspeto, cheiro e sabor. Isto porque as bactérias que causam intoxicação alimentar nem sempre se veem nem se cheiram. Regra sem exceções: passou a data, não consumas. E isto só vale se respeitares a conservação indicada (quase sempre no frio): um produto “consumir até” deixado fora do frigorífico estraga-se ainda antes da data.
“Consumir de preferência antes de” = data de QUALIDADE. Aparece em alimentos estáveis: massa, arroz, bolachas, conservas, chocolate, café, açúcar. Indica até quando o produto está no seu melhor, sabor, textura, aroma. Depois desta data não fica automaticamente perigoso; pode apenas perder qualidade. Muitos produtos são seguros bastante tempo depois, desde que a embalagem esteja intacta e bem guardada.
Que alimentos levam cada data:
- “Consumir até”: carne, peixe e marisco frescos, fiambre e fatiados, refeições prontas, leite fresco, ovos.
- “De preferência antes de”: massas, arroz, leguminosas secas, bolachas, conservas, chocolate, café, mel, açúcar, sal.
Como decidir com um “de preferência” ultrapassado:
- Embalagem intacta + cheiro e aspeto normais – quase sempre seguro consumir.
- Lata ou tampa inchada, bolor, cheiro azedo, sabor estranho, textura alterada – deita fora, mesmo dentro do prazo. O inchaço de uma lata é sinal de alerta sério (risco de botulismo).
Atenção: depois de aberto, a data muda. A data impressa pressupõe a embalagem fechada. Assim que abres, o relógio acelera, independentemente do rótulo: um sumo natural dura uns 3 a 5 dias no frio, um molho aberto poucas semanas, fiambre fatiado poucos dias. Muitos produtos indicam “consumir X dias após abertura”. Segue isso.
Truques que poupam dinheiro:
- Congelar pára o relógio. Congela antes da data de “consumir até” e ganhas meses. Carne, pão, queijo ralado e refeições caseiras congelam bem. Descongela no frigorífico, nunca à temperatura ambiente.
- Primeiro a entrar, primeiro a sair. Ao arrumar as compras, põe à frente o que vence primeiro.
- Teste do ovo: mergulha o ovo num copo de água. Se afunda e fica deitado, está fresco; se fica na vertical, usa depressa; se boia, deita fora.
Atenção a estes mitos
“Passou a data, vai tudo fora.” Falso para os “de preferência antes de”, massa, arroz e conservas duram muito além disso.
“O iogurte estraga no dia do prazo.” Costuma trazer “consumir até”, mas, fechado e bem refrigerado, muitas vezes aguenta alguns dias depois com bom aspeto e cheiro; usa os sentidos.
“Congelados duram para sempre.” Não. Continuam seguros, mas perdem qualidade com o tempo. Assim a maioria mantém-se bem entre 3 e 6 meses.
“Se cheira bem, é seguro.” Verdade só para os “de preferência”; nos “consumir até”, o perigo microbiológico nem sempre tem cheiro.






