O Samsung Galaxy S7 emprega um engenhoso sistema de foco em que todos os pixéis contribuem para a obtenção de foco.

Quando a Samsung anunciou os Galaxy S7 e S7 Edge, baralhou todo o jogo da corrida aos megapixéis, baixando a resolução dos 16MP do S6, para 12MP. Ainda mais importante, enquanto os principais concorrentes começaram a optar por câmaras duplas, a Samsung ficou-se pela simplicidade de um único módulo.

Se a redução de resolução lhe parece algo a lamentar, não poderia estar mais enganado. O Samsung Galaxy S7 é, em muitos casos, um dispositivo com poucas surpresas: tem um hardware invejável que o tornará um alvo a abater, e que configura um dispositivo que os concorrentes terão dificuldade em chegar aos seus calcanhares. Por isso a Samsung apostou forte na câmara e revolucionou, criando um sistema que permitirá aos utilizadores obter das melhores fotografias móveis que o mercado já viu.

A performance final da câmara do Samsung Galaxy S7 tem nível suficiente para finalmente colocar o último prego no caixão das câmaras compactas. Neste tutorial em duas partes vamos ensinar-lhe porque é que a câmara do Samsung Galaxy S7 não é uma câmara normal, e ajudá-lo a dominá-la como um profissional.

Menos resolução, melhor resolução

Podemos pensar que a perda de resolução face aos 16 MP do S6 é significativa, mas, matematicamente não é. De facto, o Galaxy S7 tem um sensor em formato 4:3 (4032 x 3024), face ao sensor 16:9 (4032 x 3024) do Galaxy S6, portanto a maior parte da resolução perde-se nas laterais, e ficamos com uma densidade de pixéis por milímetro bastante aproximada entre os dois dispositivos.

Não somos particularmente fãs do formato 4:3, mas o Galaxy S7 tem também pixéis de maiores dimensões, ou 1,4 micrómetros, face aos 1,12 micrómetros do Galaxy S6.

Porque é que os pixéis maiores são importantes?

O Samsung Galaxy S7 emprega um engenhoso sistema de foco em que todos os pixéis contribuem para a obtenção de foco.
O Samsung Galaxy S7 emprega um engenhoso sistema de foco em que todos os pixéis contribuem para a obtenção de foco.

Pixéis maiores recolhem mais fotões, portanto conseguem obter informação mais completa para todo o sistema melhor avaliar a exposição, e oferecem maior capacidade para encaixar contrastes. Ao mesmo tempo, acabam por produzir imagens com menos ruído em baixa luminosidade, não simplesmente porque recebem mais fotões que pixéis mais pequenos, mas porque com esta maior capacidade de saturação, as flutuações entre as capacidades individuais de cada píxel (apesar de tudo, nenhum pixel é exactamente igual) tornam-se menos significativas face ao conjunto.

A tecnologia dual pixel: um game changer

A tecnologia Dual Pixel, que tem dado provas na Canon, chega, com o Samsung Galaxy S7, pela primeira vez a um smartphone, e muda o jogo. Tradicionalmente, o foco por detecção de fases que funciona alinhando as imagens que chegam ao sensor, vindas de dois pontos diferentes da objectiva, são levadas a cabo por pixéis especializados no sensor.

No sistema Dual Pixel, cada pixel consiste de dois fotodíodos cuja leitura se faz em separado para o foco e em conjunto para a captura da imagem. Sem pixéis “cegos” na grelha, o processamento da imagem simplifica-se, pois não é necessário tentar “perceber” que detalhe estaria naquele pixel de foco, caso ele pudesse “ver”.

Como cada pixel dá o seu próprio contributo para o foco, este torna-se mais rápido e eficaz. Isto não significa, todavia, que o último pixel do canto superior esquerdo sirva para foco. A Samsung (e a Sony, na verdade) não revelou toda a extensão do sistema, mas os pixéis nas porções mais exteriores dos sensores recebem as duas fases com muito mais assimetria e, por isso, não são tão eficazes. Tipicamente, podemos esperar uma área de foco de cerca de 80% da área total do sensor, o que não deixa de ser extraordinário.

Abertura de f/1.7: um recorde

Há duas razões pelas quais a abertura do Samsung Galaxy S7 é de destacar: quando maior, mais luz entra no sensor, ajudando ao foco em condições adversas e tirando alguma necessidade de aumentar o ISO em pouca luz, o que irá sempre gerar ruído e diminuir a gama dinâmica.

A profundidade de campo também diminui, autorizando imagens com desfoque mais notável, com maior separação entre o objecto e o plano de fundo.

Uma abertura maior também significa maior possibilidade de vinhetagem nas margens da imagem, e aberrações cromáticas devido à dificuldade de fazer convergir no mesmo plano de foco os diferentes comprimentos de onda da luz visível. Este é um desafio muito importante para qualquer fabricante e veremos se a Samsung esteve à altura.

Como tirar o máximo proveito da câmara do Samsung Galaxy S7

A câmara do Samsung Galaxy S7 é praticamente à prova de tolos, e em modo automático obtém resultados que seriam difíceis de acreditar,

Aproveite os modos de disparo que o Samsung Galaxy lhe oferece para se adaptar a situações novas.
Aproveite os modos de disparo que o Samsung Galaxy lhe oferece para se adaptar a situações novas.

mesmo para utilizadores do S6. A gama dinâmica apreciável e o modo HDR automático oferecem grande protecção contra imagens queimadas e os detalhes são apreciáveis. Com o foco ultra-rápido, esta é o tipo de câmara que podemos apontar e disparar com a quase certeza de que a imagem sairá com qualidade para mostrar aos amigos.

A Samsung incluiu mesmo um pequeno slider que nos permite aumentar ou diminuir a exposição em modo automático e esta é uma opção que aplaudimos, pelo controlo extra sobre o resultado final.

Mas fora das situações quotidianas há sempre algo mais que podemos fazer.

A sua câmara tem início rápido.

Não há nada melhor que um botão dedicado para a câmara. Pressionar o botão lança a câmara sem termos de passar pelo ecrã de bloqueio e salva-nos preciosos segundos. O Samsung Galaxy S7 não tem tal botão, mas a Samsung activou o lançamento rápido da câmara com dois simples toques na tecla home/início.

Naqueles momentos rápidos, a câmara pode estar pronta a disparar entre o momento em que agarra o telemóvel do bolso e o levanta ao nível dos olhos. Se não gostar, pode sempre desactivar a funcionalidade a partir das definições da câmara.

Use o modo profissional

Controle a sua fotografia ao máximo com o modo profissional.
Controle a sua fotografia ao máximo com o modo profissional.

O modo profissional dá-lhe o tipo de controlo que permite criar imagens únicas e pessoais. Pode parecer-lhe dantesco controlar seis ou sete definições diferentes, mas a Samsung deixa-as em auto para que não tenha que se preocupar.

O importante é lembrar que quando a luz começa a baixar, a câmara controla de modo automático o aumento de ISO e o tempo de exposição. É por isso que poderemos dar por nós com imagens de movimentos borrados; os algoritmos podem ser algo conservadores e preferir aumentar a exposição, para não aumentar o ISO. No modo Pro, podemos controlar melhor qual o factor que aumentará para obter o resultado que esperamos.

Por exemplo, ao mantermos o ISO manualmente baixo e aumentarmos a exposição para cerca de 1/20, continuamos a obter imagens estáveis, mas com rastos de movimento nas pessoas ou automóveis que passam, gerando um efeito muito interessante. Para perceber se a exposição está correcta, levar sempre em consideração o ícone quadrado no canto inferior direito cujo número directamente abaixo nos diz se a fotografia está demasiado escura (número negativo) ou demasiado clara (número positivo).

Podemos controlar os seguintes parâmetros no modo profissional:

  • Padrão: o Samsung Galaxy S7 abandona o aspecto saturado das imagens dos seus antecessores, e é mais gentil em quão processadas são as imagens, mas podemos optar maiores níveis de saturação ou filtros, com este parâmetro;

    Podemos tirar o partido máximo do foco manual para um foco preciso onde desejamos. Por exemplo, os olhos.
    Podemos tirar o partido máximo do foco manual para um foco preciso onde desejamos. Por exemplo, os olhos.
  • AF: este modo oferece-lhe um slider para controlar a distância de foco. É extremamente útil para focarmos precisamente onde queremos, por exemplo nos estames de uma flor ou nos olhos de um modelo.
  • Equilíbrio dos brancos: os humanos conseguem compreender o que é ou não branco, quer estejamos sob luzes de tungsténio, ou ao sol. Os sensores, nem por isso. As câmara procura compensar as cores para encontrar sempre um branco de referência, mas isso também pode roubar a imagem da sua aura; utilize o equilíbrio dos brancos para dar à sua imagem maior expressividade. Por exemplo, utilize o modo nublado para criar um por-do-sol mais quente e saturado, em vez do modo automático que remove os amarelos artificialmente.
  • ISO: o ISO consiste na ampliação do sinal recebido do sensor. É como uma operação matemática exercida sobre a quantidade de luz recebida, para gerar uma imagem mais clara. Utilize o ISO sabiamente, para ter uma exposição suficiente sem aumentar a duração da exposição, mas tenha cuidado porque, quanto maior esta ampliação, maior o ruído gerado.
  • Exposição: governa quanto tempo o sensor recebe luz para criar uma imagem. Utilize exposições mais curtas para parar o movimento e evitar queimar as imagens, e aumente a exposição para criar interessantes rastos de luz ou conseguir uma melhor exposição quando a luz começar a faltar.
O Samsung Galaxy S7 tem prestações fantásticas em ambientes de baixa luz com elevado contraste.
O Samsung Galaxy S7 tem prestações fantásticas em ambientes de baixa luz com elevado contraste.

Tire partido dos ficheiros RAW

Os ficheiros RAW são ficheiros de imagem em bruto, face aos jpeg processados. Possuem a totalidade da informação recolhida pelo sensor e por isso são maiores, mas nas situações mais difíceis de fotografar dão-lhe grande espaço de manobra para editar a imagem posteriormente e chegar ao resultado que queria.

Por exemplo, durante um evento de desporto pode ser impraticável aumentar a exposição para ter melhor luz e ainda assim congelar movimentos, por isso a opção será obter uma imagem mais escura à qual acrescentaremos luz com a ajuda de software. Este processo será muito menos eficaz, quiçá impossível, com o ficheiro jpeg final.

Mantenha-se focado com o foco de seguimento

O foco de seguimento do Samsung Galaxy S7 é muito eficaz. . A Samsung chama-lhe “Rastrear AF”. Enquanto pressionar um ponto de foco no ecrã mantém o foco nessa área o foco de seguimento segue o objecto inicial e mantém-no em foco à medida que o seguimos durante um momento de acção rápida em que ele se aproxima e se afasta ou se move ao longo do enquadramento.

O foco de seguimento pode ser activado nas opções da câmara e será igualmente útil para focar e recompor uma imagem, mas será um salva-vidas quando tentarmos fotografar os nossos bichos de estimação ou crianças irrequietas.

Tire partido da estabilização óptica de imagem

O Samsung Galaxy S7 é um de alguns smartphones no mercado com estabilização óptica de imagem. Isto significa que poderemos, em teoria, obter imagens nítidas (sem estremecimentos) com exposições mais longas. Quando a luz começar a baixar, aumente a exposição o máximo que puder antes de aumentar o ISO. Isto permitirá continuar a usufruir da máxima capacidade do sensor, sem os efeitos relativamente nefastos que o aumento do ISO acarreta.

Chegue-se à frente e maximize o desfoque do segundo plano

Em automático, o Samsung Galaxy S7 oferece imagens ricas sem esforço.
Em automático, o Samsung Galaxy S7 oferece imagens ricas sem esforço.

Um grande destaque da câmara do Samsung Galaxy S7 vai mesmo para a sua abertura de f1/7. Não teremos uma profundidade de campo tão rasa quanto numa câmara SLR, mas ainda assim tem potencial para alguns efeitos criativos muito interessantes. Lembre-se que o desfoque do segundo plano pode ser maximizado quando nos aproximamos do objecto que queremos em foco, por isso não tenha medo e aproxime-se.

Não tenha medo das linhas de grelha.

Uma regra importante na fotografia é alinhar o horizonte. Esteticamente, uma paisagem com o horizonte torto fica simplesmente feia se não houver uma intenção específica para tal ocorrência. As linhas de grelha também nos ajudam a enquadrar melhor a imagem segundo a regra dos terços; imagens com objectos centrados podem ser extremamente enfadonhas.

Através das opções da câmara, ligue as linhas de grelha para perceber melhor se o seu horizonte está direito correctamente alinhado e poupe o tempo que passaria depois a endireitar a imagem.

Use o flash com inteligência

Existe sempre a tentação de usarmos o flash quando fica mais escuro, mas se pudermos evitá-lo acabaremos com tons mais naturais, ajustando o ISO e a exposição. Mas durante o dia o flash pode ser útil, quando não temos outra opção que não ter luz pela frente e o nosso modelo está na sombra.

Acima de tudo, não tenha medo de experimentar e expressar a sua criatividade. A câmara do Samsung Galaxy S7 funciona de modo excepcional num leque muito alargado de condições de luminosidade e contextos, e se comprou um smartphone com este gabarito, está na hora de tirar o máximo proveito de uma câmara que poucas podem igualar. Com todas as funcionalidades que apresenta, a câmara inovadora do Samsung Galaxy S7 pode relegar a sua câmara compacta para o fundo da gaveta.

Acompanhe ao minuto as últimas noticias de tecnologia. Siga-nos no Facebook, Twitter, Instagram! Quer falar connosco? Envie um email para geral@leak.pt.