Voltar ao Mac depois de muitos anos. Foi uma boa ideia? – De facto, já tive um MacBook há muitas luas atrás, nos meus tempos de faculdade, altura em que cometi uma loucura e comprei um MacBook Pro em 2016 com o pouco dinheiro que tinha poupado. Na altura trabalhava para pagar a faculdade, e ter alguns caprichos ligeiros.
Dito isto, com a ajuda dos meus pais lá consegui comprar o portátil, na altura através de uma campanha que oferecia o dobro do armazenamento. (Sim, há 10 anos a Apple continuava a vender armazenamento a peso de ouro. Porém, acho que os modelos base começavam nos 128GB, e não nos atuais 256GB).
Uma máquina que ficou comigo até meados de 2020 e que, justiça seja feita, cumpriu aquilo que prometia. Mas também é impossível ignorar a outra face da moeda.
Aquele MacBook estava cheio de compromissos de hardware. Compromissos a mais para um portátil que se vendia como “Pro”. Estamos a falar de uma máquina de 1500€ em 2016. Não eram trocos.
Mais concretamente, estou a falar dos famosos 8GB de RAM e de um processador Intel Core 2 Duo que, ainda hoje, me dão arrepios só de pensar. Era um conjunto que não fazia grande sentido para o dinheiro que se deixava em cima da mesa. No lado Windows havia melhor. Bastante melhor, e quase sempre mais barato.
Sim, é verdade que o macOS sempre foi mais eficiente do que o Windows e isso ajudava a disfarçar algumas limitações. Não era preciso tanto hardware para fazer o mesmo trabalho. Mas isso nunca deveria servir de desculpa para aceitar tudo sem questionar. A exigência tem de existir, seja com quem for. Especialmente quando se paga caro.
Os portáteis Apple mudaram

Os tempos mudaram!
A Apple deixou de usar processadores Intel para passar a desenhar os seus próprios SoCs, tirando partido das linhas de produção mais avançadas da TSMC. Ao mesmo tempo, abandonou finalmente a ideia absurda de que 8GB de RAM chegam para toda a gente, mesmo nos modelos base.
Só isto já alterou por completo a forma como se olha para os portáteis da marca.
Mas não foi apenas o hardware a evoluir. O software também mudou, e muito. A experiência hoje é diferente, mais madura, mais estável e mais acessível para quem vem do Windows. Já lá vamos.
O MacBook Air deixou de ser “o coitadinho”

Tudo isto é especialmente verdade no caso do MacBook Air. Um portátil que existe há muitos anos, mas que durante demasiado tempo andou preso a uma mentalidade pequena, quase como se tivesse de ser limitado para não incomodar os modelos Pro.
Hoje isso já não acontece. Aliás, a grande maioria das pessoas que pensa precisar de um Pro, pode muito bem ficar pelo Air.
O novo MacBook Air é uma máquina incrível para quem quer um portátil simples, silencioso e leve, mas que também entrega performance a sério. Estamos a falar de um portátil com SoC M4, 16GB de memória RAM e, infelizmente, ainda apenas 256GB de armazenamento interno no modelo base, um defeito que continua a ser difícil de justificar em 2026.
O ecrã continua preso aos 60Hz, o que para alguns soa a pecado mortal. Mas, honestamente, no macOS isso pesa menos do que parece no papel. Não é perfeito, mas também não estraga a experiência.
O mais impressionante é o preço. Dá para comprar este MacBook Air por pouco mais de 900€, ou até menos se for através de empresa ou numa boa campanha. Para aquilo que oferece, começa a ser muito difícil ignorar.
Porque é que voltei à Apple?
Esta decisão não surgiu do nada.
O meu carro foi assaltado em Lisboa e levaram a mala de trabalho, que tinha lá dentro o meu portátil pessoal, um Lenovo Aura Edition que, diga-se de passagem, era uma máquina brutal. De um dia para o outro fiquei sem portátil e precisei de resolver o problema rapidamente.
Desta vez, decidi arriscar e voltar à Apple.

A diferença é que agora já estou dentro do ecossistema. Tenho um iPhone 17 Pro no bolso, uso AirPods todos os dias e, ao contrário da altura da faculdade, já sei exatamente o que quero de um portátil.
Isso muda tudo.
macOS em 2026: muito mais fácil do que parece
A experiência é, de facto, superior.

O ecossistema da Apple continua a ser um dos seus maiores trunfos. A integração entre dispositivos funciona quase sem pensar. AirDrop, copiar e colar entre equipamentos, chamadas, mensagens, tudo acontece de forma natural.
Mesmo passados quase 10 anos, continua a ser algo que o Windows 11 simplesmente não consegue igualar.
Se há uma década mudar para macOS implicava reaprender muita coisa, hoje a adaptação faz-se em um ou dois dias. Existem diferenças, claro, mas nada que complique a vida. Pelo contrário, parece quase que o sistema foi pensado para facilitar a migração de quem vem do Windows.
A bateria muda tudo
Aqui não há forma elegante de dizer isto.
É absurda.
Carreguei o MacBook Air uma única vez. Usei-o sem grandes cuidados, trabalhei, naveguei, escrevi, e passado um dia inteiro ainda estava com cerca de 80% de bateria. Isto muda completamente a forma como se usa um portátil.
Dá para sair de casa, ir passar o fim de semana fora e nem sequer pensar em levar carregador.
No lado Windows já existem portáteis ARM com autonomias muito boas, é verdade. Mas aqui sente-se outro nível de otimização. Tudo é silencioso, frio e consistente, sem aquelas oscilações estranhas que ainda aparecem noutros sistemas.
Valeu a pena?
Ainda é cedo para conclusões definitivas. Tenho o MacBook Air M4 há pouco mais de 24 horas. Mas até agora, tudo aponta para uma decisão acertada. Nem que seja para fugir ao caos que o Windows 11 se tem tornado nos últimos tempos.
Não é perfeito. Continua a ter compromissos. Mas, desta vez, parecem compromissos bastante mais aceitáveis.

