Se costumas olhar para os preços dos iPhones lá fora, especialmente nos Estados Unidos, é muito provável que já tenhas ficado a questionar muito da tua vida. Por vezes, a diferença de valores é simplesmente um absurdo. O mesmo iPhone 17 Pro de 256 GB que os americanos compram por 1099$ custa 1349€ em Portugal, e de facto, custa mais que o dobro desse valor na Turquia ou no Brasil.
Mas a grande rasteira está na forma como olhamos para a etiqueta. Como já disse noutras ocasiões, a culpa não está apenas em um sítio. Há uma ilusão ótica gigante quando comparamos o nosso mercado com o americano, a começar pela forma como os impostos são apresentados. M
as calma… Isto não justifica tudo, e o cenário para o futuro iPhone 18 promete ser ainda mais doloroso para a carteira.
A ilusão dos 1099 dólares?
Antes de mais nada, convém desmistificar o preço americano. Aqueles 1099$ que vês no site da Apple dos EUA são um valor limpo, sem um único cêntimo de imposto.
Lá, as taxas de venda mudam de estado para estado e só são somadas quando vais pagar na caixa.
Por sua vez, em Portugal e no resto da Europa, o preço que vês na montra inclui obrigatoriamente o IVA, que no nosso caso são uns pesados 23%. Dito isto, como a União Europeia não tem um IVA uniforme, os preços oscilam ligeiramente entre os países membros.
Só que os impostos são apenas metade da história. A Apple faz uma gestão de margens brutal para proteger os seus lucros. Nos EUA, eles mantêm o preço base de 799$ intocável desde o iPhone 12 (lançado em 2020), mas isto é puro marketing. Para segurar esse número no papel, a Apple começou a matar modelos mais baratos, como o Mini, trocando-o pelo Plus a 899$ e depois pelo Air a 999$. Para além disso, limparam a versão de 128 GB do iPhone 15 Pro Max e do iPhone 17 Pro, obrigando as pessoas a saltar para os 256 GB se quiserem as versões Pro. Na prática, gastas mais dinheiro na mesma.
Como se isto não bastasse, Tim Cook já veio a público avisar que os produtos vão ficar mais caros devido ao “RAMpocalypse”. Ou seja, à escassez global de memória. E os rumores dizem que a razia vai ser total: em setembro, a Apple só vai lançar os modelos premium (iPhone 18 Pro, Pro Max e o tão falado dobrável). O iPhone 18 normal? Supostamente foi empurrado para março de 2027. Ou seja, o preço médio de entrada vai disparar.
É muito provável que os preços aumentem mais de 100€ em cada modelo.
Comprar um iPhone nos EUA para poupar? Cuidado com as rasteiras
Com esta escalada absurda, é normal que penses em aproveitar aquela viagem de férias ou pedir a um amigo para te trazer um iPhone dos EUA. Sim, a poupança direta parece incrível à primeira vista, e o hardware vai funcionar cá sem problemas de redes. Mas, há problemas a ter em conta.
Em primeiro lugar, os iPhones vendidos no mercado americano já não trazem ranhura para cartões SIM físicos, são puramente eSIM. Tens de garantir que o teu operador cá em Portugal suporta a tecnologia sem te cobrar taxas extra no teu tarifário atual. Em segundo lugar, e apesar de ser raro, se fores apanhado na alfândega ao aterrar em Lisboa ou no Porto, habilitas-te a pagar o imposto de importação e lá se vai a poupança toda.
Mas a pior rasteira de todas está na garantia. Enquanto na Europa tens direito a três anos de cobertura por lei, a Apple americana oferece apenas um ano de garantia limitada. Ah, e outra coisa, esta garantia de 1 ano não é internacional. Apple reserva-se o direito de limitar a garantia ao país onde o aparelho foi originalmente comprado. Se o teu iPhone importado avariar em Portugal, os centros de assistência oficiais por cá podem simplesmente recusar a reparação gratuita, obrigando-te a pagar taxas específicas do teu bolso. No fim do dia, o barato pode sair-te muito caro.






