Há um apoio da Segurança Social pensado para os idosos com pensões mais baixas que pode valer até 670 euros por mês e, ainda assim, muitos que teriam direito a ele nunca chegam a pedi-lo, por desconhecimento. Chama-se Complemento Solidário para Idosos (CSI), e em 2026 ficou mais generoso. Se tens familiares idosos com rendimentos reduzidos (ou és tu próprio), vale a pena perceber como funciona.
Não é um apoio marginal: em junho de 2026, cerca de 245 mil idosos já recebiam o CSI — mais 105 mil do que dois anos antes, um crescimento de 75%. Muito desse aumento deve-se precisamente às regras que ficaram mais generosas. Ou seja, milhares de pessoas descobriram só agora que tinham direito. Podes ser, ou conhecer, a próxima.
O que é o CSI
O Complemento Solidário para Idosos é um apoio pago mensalmente pela Segurança Social aos reformados residentes em Portugal com baixos recursos. Não substitui a pensão, complementa-a, garantindo um rendimento mínimo a quem recebe pouco.

Em 2026, o valor de referência subiu 40 euros e passou para 670 euros por mês (8.040 euros por ano). E o Governo já anunciou a intenção de o continuar a aumentar gradualmente, até chegar aos 870 euros em 2029, com o objetivo de o aproximar do salário mínimo nacional.
Quem tem direito
Para receber o CSI em 2026, é preciso cumprir, ao mesmo tempo, várias condições:
- Ter 66 anos e 9 meses ou mais (a idade normal de acesso à pensão de velhice este ano).
- Residir em Portugal há pelo menos 6 anos seguidos.
- Ser pensionista (de velhice, invalidez ou sobrevivência).
- Ter rendimentos abaixo do valor de referência: até 8.040€ anuais para quem vive só; no caso de casais ou uniões de facto, os rendimentos conjuntos não podem ultrapassar 14.070€ por ano.
Há aqui uma novidade importante: desde junho de 2024, os rendimentos dos filhos deixaram de contar como condição de exclusão, algo que, no passado, afastava muitos idosos do apoio. Foi uma das principais razões para o número de beneficiários ter crescido tanto, de repente, milhares de pessoas passaram a poder candidatar-se.
Atenção: não são só os rendimentos, é também o património
Aqui está um pormenor que apanha muita gente desprevenida. Para o CSI, a Segurança Social não olha só para a pensão, considera também o património, através de uma imputação de 5% ao ano.
Na prática, funciona assim: se um idoso tiver, por exemplo, 20.000 euros em depósitos ou imóveis, a Segurança Social conta 5% desse valor (1.000 euros) como rendimento anual, mesmo que esse dinheiro esteja parado. A regra existe para evitar que alguém com capital significativo, mas pouca pensão, receba o apoio como se não tivesse recursos nenhuns.
Por isso, ao fazeres as contas, não olhes só para o valor da pensão. Soma a imputação do património, é isso que a Segurança Social vai fazer.

Quanto se recebe (com exemplos)
O valor não é fixo: o CSI paga a diferença entre o valor de referência (8.040€/ano) e os rendimentos anuais do idoso, dividida por 12. Traduzindo:
- Um idoso sem qualquer rendimento recebe o máximo: 670€ por mês.
- Um idoso com rendimentos de 4.800€ por ano receberia cerca de 270€ por mês de CSI (8.040 − 4.800 = 3.240, a dividir por 12).
Ou seja, quanto mais baixa a pensão, maior o complemento. Hoje, mais de metade dos beneficiários recebe acima de 200 euros por mês, e um em cada cinco recebe mais de 300 euros.
Antes de fazeres o pedido, podes ter uma ideia do valor com um simulador de CSI, há vários gratuitos online que estimam o montante a partir dos rendimentos e do património. O resultado é apenas uma aproximação; o valor real é sempre o que a Segurança Social apurar. Mas ajuda a perceber se vale a pena avançar.
Um bónus que vale (quase) tanto como o dinheiro
Receber o CSI abre ainda a porta a outros apoios que fazem grande diferença no orçamento de um idoso:
- Medicamentos comparticipados a 100%: gratuitos na farmácia, na hora da compra.
- Apoio na compra de óculos, lentes e próteses dentárias removíveis.
- Tarifas sociais de eletricidade e gás, e outros apoios consoante o concelho.
E aqui está o detalhe que muda tudo: só em 2026, mais de 220 mil idosos beneficiaram de medicamentos gratuitos através do estatuto de beneficiário do CSI. Mesmo que o valor mensal aprovado seja simbólico, 10 euros, por exemplo, a simples aprovação do CSI abre logo a porta a estes apoios. Às vezes, o valor mensal é o menos importante de tudo.
E quem regressou de emigração?
Há uma exceção pouco conhecida à regra dos 6 anos de residência: quem regressou recentemente de emigração pode ter direito ao CSI mesmo sem cumprir esse prazo completo. As condições exatas são analisadas caso a caso, por isso convém confirmar diretamente com a Segurança Social, mas vale a pena saber que a porta não está automaticamente fechada.

Como pedir
O pedido pode ser feito online, na Segurança Social Direta (em “Ação Social > Apoios e respostas sociais > Complemento Solidário para Idosos”), ou presencialmente num serviço de atendimento da Segurança Social, numa Loja do Cidadão ou num Balcão Sénior. É preciso autorizar a Segurança Social a consultar a informação fiscal e bancária.
Os valores acima são estimativas para perceberes se te enquadras; o montante exato depende de cada caso, por isso confirma sempre em seg-social.pt. Mas a mensagem principal fica: se conheces um idoso a viver com uma pensão muito baixa, este pode ser um apoio de centenas de euros por mês que ele desconhece. Vale mesmo a pena verificar.








