Quando os componentes tinham preços acessíveis, era fácil aumentar a “velocidade” de um portátil com alguns anos em cima. Bastava dizer para meter mais RAM, ou trocar o SSD por algo mais rápido. Mas, nestes “novos” tempos, andamos numa altura absolutamente ridícula em que comprar memória RAM se tornou quase um luxo.
Ou seja, entre a loucura do investimento em inteligência artificial e a escassez de componentes que está a fazer os preços do DDR5 disparar. A velha solução de “abrir o computador e meter mais um módulo de RAM” deixou de ser assim tão simples para a carteira de cada um de nós.
Aliás, tenho um amigo que apenas usa o PC para jogar World of Warcraft, e de há uns dias para cá, anda a sofrer com erros atrás de erros. Com um filho pequeno em casa, mudar componentes não está nos planos, por isso andamos a ver tudo e mais alguma coisa para evitar dar esse passo.
Dito tudo isto, se antes os 8GB de RAM chegavam perfeitamente para o dia a dia, hoje em dia são o mínimo dos mínimos para o sistema não se arrastar. Mas a verdade é que, antes de entrares em pânico ou de pensares em ir a uma loja gastar dinheiro que te faz falta, há vários truques práticos para fazeres o teu portátil voar com a memória que já tem instalada.
Reiniciar o computador: A solução mais simples e mais fácil. Mas que quase toda a gente ignora

A memória RAM é a memória de curto prazo da tua máquina. Sempre que alternas entre abas no navegador, trabalhas num documento ou editas uma foto, tudo isso fica armazenado temporariamente. Obviamente para ser acedido num piscar de olhos.
O problema é que, quando a RAM fica cheia, o sistema é obrigado a usar o disco (seja ele SSD ou HDD) para compensar, e é aí que o computador começa a arrastar-se feito um caracol. Afinal, até o SSD mais rápido à face da terra, não consegue chegar ao nível de memória RAM de qualidade.
Duto tudo isto, não há um botão mágico para limpar a RAM de forma instantânea, mas o velho hábito de reiniciar o computador faz milagres. Como a RAM é uma memória volátil, o corte de energia limpa a máquina por completo e elimina os chamados “memory leaks” (quando uma aplicação guarda memória sem necessidade, mesmo depois de a fechar).
Entretanto, se não quiseres estar a reiniciar o PC todo, podes ir ao Gestor de Tarefas no Windows e reiniciar apenas o processo do “Explorador do Windows”.
Fecha o que não é necessário e limpa os programas que iniciam sozinhos!

O maior vilão do consumo de memória RAM nos tempos que correm é, sem margem para dúvidas, o navegador de internet. Seja o Chrome, o Edge ou o Firefox, a verdade é que cada aba aberta funciona como um programa independente.
Hoje em dia, há sites extremamente pesados. Por isso, há abas a gastar 100MB. Aliás, basta teres um site mais pesado ou um vídeo aberto para essa aba isolada devorar mais de 1GB de RAM.
Para além de fechares as dezenas de abas que dizes sempre que “vais ler mais logo”. Há outro ponto crítico! As aplicações que se armam em espertas e iniciam logo quando ligas o computador. Programas como a Steam, Spotify, Discord ou aplicações de cloud ficam a comer memória em segundo plano sem tu estares a usá-los.
São programas que não precisam de estar sempre abertos. Por isso, no Windows, basta abrires o Gestor de Tarefas (Ctrl + Shift + Esc), ir a Aplicações de Arranque e desativar tudo o que não precisas que abra no segundo em que ligas a máquina. No Mac, o processo é idêntico em Definições do Sistema > Geral > Itens de Acesso.
São pequenos hábitos que não custam um único cêntimo e que devolvem a fluidez ao teu portátil sem teres de cair na armadilha de comprar componentes a preços inflacionados.
Em suma, estas mudanças não vão resolver problemas complicados, mas vão dar uma ajuda, e isso já vale qualquer coisa nos dias que correm.







