2400 euros… É muito dinheiro! Não é? Eu não estou a ficar maluco, pois não? Sim, é perfeitamente verdade que os smartphones dobráveis sempre foram caros desde o primeiro dia. Mas, ainda assim, ver uma fabricante a fazer uma primeira aposta num formato que sempre foi de nicho, e começar logo a pedir 2400 paus à cabeça, para mim não faz ponta de sentido.
Dito isto, o maior problema nem sequer é o preço em si. A verdade nua e crua é que isto vai, muito provavelmente, esgotar.
As reações pela internet fora estão carregadas de entusiasmo e, como tudo indica que vai ser um iPhone raro devido às dores de cabeça que a Apple anda a ter nas linhas de produção, a malta vai correr desalmadamente para as lojas a tentar garantir uma unidade.
O que é que isto significa para o futuro? Dar 2400€ por um telemóvel vai passar a ser encarado como o novo normal? Vamos começar a ver a fasquia a subir para estes valores sem ninguém pestanejar?
Como é que se justifica dar 2400 euros por um smartphone?

Antes de mais nada, eu até acredito que o desenvolvimento deste iPhone Duo tenha sido um inferno técnico e, acima de tudo, um sorvedouro absurdo de dinheiro em investigação. Não tenho a mais pequena dúvida quanto a isso. Mas, ter um iPhone 18 Pro nas prateleiras a 1500€, que é objetivamente um equipamento superior em quase tudo o que é câmara e força bruta, e depois ver este Duo a aterrar nos 2400€… Deixa-me com um nó no cérebro.
Para colocar a coisa em perspetiva…
Com 2400 euros no bolso, entras numa loja e compras um MacBook Pro M5 com 1TB de SSD. Estamos a falar de um computador de trabalho a sério, uma máquina profissional para durar anos a fio, com uma performance estúpida e com mais memória RAM que este telefone.
Aliás, com 2400 euros vais de férias para muito longe, e durante muito tempo. É mesmo algo justificável? Dar tanto dinheiro por um telemóvel? Só porque se dobra?
O efeito novidade é poderoso e o estatuto que a Apple carrega continua intocável. No entanto, quando cruzamos a fasquia dos dois ordenados médios por um telefone que dobra, convém parar um segundo e pensar se a indústria não nos está a empurrar para um precipício financeiro sem volta a dar.








