Aquele momento em que o Windows decide que o teu PC agora tem uma placa Wi‑Fi “misteriosa”, o jogo começa a gaguejar do nada, ou o som desaparece como se nunca tivesse existido. Quase sempre há um suspeito habitual: drivers. E sim, atualizar resolve muita coisa. Mas também dá para estragar o dia se fizeres isto à maluca.
Vamos ao que interessa: como atualizar drivers no Windows de forma segura, rápida e com o mínimo de drama.
O que é um driver e porque é que te devias importar
Um driver é o tradutor entre o Windows e o hardware. A tua placa gráfica, a placa de rede, o touchpad, o áudio, o Bluetooth – tudo precisa de um driver para funcionar “a sério”.
Quando um driver está desatualizado (ou quando o Windows mete um que não é o ideal), aparecem sintomas bem típicos: quebras de performance em jogos, ecrãs pretos após updates, Wi‑Fi instável, microfone com ruído, falhas ao ligar monitores externos, consumo de bateria anormal em portáteis. E às vezes nem é bug – é só falta de otimizações para um jogo novo, para uma atualização do Windows, ou para um CPU/GPU recentes.
A parte menos óbvia: nem sempre “mais recente” significa “melhor para ti”. Um driver novo pode corrigir 10 coisas e estragar 1 – e adivinha qual é que te calha.
Como atualizar drivers no Windows sem inventar
Há três caminhos principais. O melhor depende do teu perfil: queres estabilidade ou queres espremer performance e correções mais agressivas?
1) Windows Update: o caminho aborrecido… e muitas vezes o mais certo
Para a maioria dos utilizadores, o Windows Update é a opção mais segura porque tende a distribuir drivers validados pela Microsoft e pelos fabricantes. Não são sempre os mais recentes, mas são geralmente os mais estáveis.
Vai a Definições – Windows Update – Procurar atualizações. Depois abre “Opções avançadas” e procura “Atualizações opcionais”. É aí que, por vezes, aparecem drivers de áudio, rede, Bluetooth e até gráficos.
Isto é perfeito para portáteis e PCs “normais” em que queres simplesmente que tudo funcione. Se o teu objetivo é jogar os lançamentos do momento com o melhor desempenho possível, já vamos ao caminho certo para isso.
2) Gestor de Dispositivos: útil, mas não faz milagres
O Gestor de Dispositivos serve para confirmar o que está instalado e tentar uma atualização rápida, especialmente quando um componente está com erro.
Clica com o botão direito no menu Iniciar – Gestor de Dispositivos. Encontra o componente (por exemplo, “Adaptadores de rede” ou “Placas gráficas”), clica com o botão direito e escolhe “Atualizar controlador”.
O problema? A opção “Procurar automaticamente controladores” costuma encontrar pouco ou nada. Ainda assim, é excelente para diagnosticar: se vês um triângulo amarelo, ou se o dispositivo aparece como “Dispositivo desconhecido”, já sabes onde está a dor.
Se precisares de mais contexto, abre as Propriedades do dispositivo e consulta “Detalhes” – “IDs de hardware”. Isto ajuda a identificar o componente exato quando nem tu sabes que chip está ali dentro (muito comum em portáteis).
3) Site do fabricante: onde estão os drivers que realmente interessam
Se estás a ter problemas específicos, ou se queres drivers mais recentes (especialmente para GPU), vais acabar aqui.
Há duas regras simples que evitam asneiras:
Primeiro: para gráficos, descarrega sempre do fabricante da GPU (NVIDIA, AMD ou Intel). Drivers de gráficas são atualizados com frequência e incluem otimizações para jogos, correções para crashes e melhorias para ferramentas como OBS, DaVinci Resolve ou Adobe.
Segundo: para portáteis, drivers de chipset, energia, teclado, touchpad e afins muitas vezes funcionam melhor no site do fabricante do portátil (ASUS, Lenovo, HP, Acer, etc.). Há personalizações de firmware e perfis de energia que não aparecem nos drivers “genéricos”.
Aqui é onde “depende” entra com força. Se tens um desktop montado por ti, drivers do fabricante do componente (por exemplo, placa‑mãe) fazem sentido. Se tens um portátil, o pacote do fabricante costuma ser mais equilibrado.
Que drivers deves mesmo manter atualizados
Não precisas de transformar isto num ritual semanal. Mas há categorias onde atualizar faz diferença real.
Placa gráfica (NVIDIA/AMD/Intel)
Se jogas, esta é a prioridade número um. É também onde aparecem mais rapidamente correções para bugs e melhorias de desempenho. Aqui faz sentido atualizar quando:
- Sai um jogo grande que queres jogar no lançamento
- Tens crashes, stutter ou problemas com drivers atuais
- Instalaste uma atualização grande do Windows e algo ficou estranho
Se tudo está estável e não tens exigências, podes espaçar. Mas para gamers, atualizar de vez em quando não é “opcional”.
Chipset e drivers de gestão de energia
Em portáteis, isto é subestimado. Drivers de chipset e gestão de energia podem afetar desempenho, temperaturas, comportamento do modo de suspensão e até autonomia.
Se o portátil aquece mais do que devia, acorda da suspensão a consumir bateria, ou tem picos de utilização sem razão, vale a pena verificar drivers do fabricante.
Rede (Wi‑Fi, Ethernet, Bluetooth)
Wi‑Fi instável, latência em jogos, Bluetooth a falhar com auscultadores – muitas vezes é driver. Atualizar pode resolver. Também pode piorar, especialmente se o Windows instalar um driver “novo” que afinal é menos compatível com o teu router.
Aqui, se estás estável, não mexas só porque sim. Se tens problemas, atualiza e testa.
Áudio
Se tens estalos, microfone com volume baixo, ou aplicações que não reconhecem o dispositivo, drivers de áudio (e o software associado) são uma boa aposta. Em muitos PCs, o driver “Realtek genérico” funciona, mas o pacote do fabricante da placa‑mãe/portátil pode trazer consola de áudio e correções.
O que deves evitar (a sério)
A internet está cheia de “atualizadores de drivers” que prometem um clique e está feito. Alguns são apenas intrusivos. Outros são mesmo perigosos, com downloads errados, publicidade agressiva, e a típica tentativa de te vender uma versão “Pro”.
Se queres ficar irritado, instala um desses e depois tenta descobrir porque é que a tua webcam agora aparece como “USB2.0 Camera” e falha em chamadas. Esquece isso.
Também convém evitar instalar drivers de fontes duvidosas, pacotes “modded”, ou versões beta, a menos que saibas exatamente o que estás a fazer e tenhas um motivo concreto.
Antes de atualizares: a rede de segurança que te salva
Há duas coisas rápidas que reduzem muito o risco.
Primeiro, cria um Ponto de Restauro do Sistema. Pesquisa por “Criar um ponto de restauro” no menu Iniciar, ativa a proteção na unidade do sistema e cria um ponto. Não é glamour, mas quando um driver estraga o arranque ou dá ecrã azul, isto é ouro.
Segundo, se vais mexer na placa gráfica e estás com problemas estranhos, considera uma reinstalação limpa do driver. Para muitos casos, basta escolher a opção de “instalação limpa” num instalador do fabricante. Isto elimina perfis e restos de versões antigas que às vezes causam conflitos.
Se algo correr mal: como voltar atrás sem drama
Atualizaste e agora está pior? Normal. O importante é ter plano B.
No Gestor de Dispositivos, abre as propriedades do componente e vê se tens a opção “Reverter controlador”. Se estiver disponível, é a forma mais simples de voltar ao driver anterior.
Se o Windows nem arranca bem, entra em Modo de Segurança e remove o driver problemático. Em último caso, usa o Ponto de Restauro que criaste. É precisamente para estes momentos.
E sim, por vezes o “culpado” não é o driver em si, mas uma combinação com uma atualização recente do Windows. Nestes casos, voltar atrás pode ser a decisão mais inteligente até sair uma correção.
Um fluxo prático para não perderes tempo
Se estás só a tentar resolver um problema, faz isto por ordem.
Começa pelo Windows Update e pelas atualizações opcionais. Se não resolveu, identifica o componente exato no Gestor de Dispositivos e confirma se há erros. Depois vai ao fabricante certo: GPU no fabricante da gráfica, drivers específicos no fabricante do portátil/placa‑mãe.
A diferença entre “mexer em drivers” e “resolver” é esta: muda uma coisa de cada vez e testa. Atualizar tudo ao mesmo tempo é a receita perfeita para não saberes o que estragou o quê.
O detalhe que quase ninguém te diz: drivers e performance não são só FPS
Atualizar drivers pode melhorar desempenho em jogos, claro. Mas também pode influenciar coisas bem mais do dia a dia: qualidade de videoconferência, estabilidade em multitarefa, compatibilidade com monitores 4K/alta taxa de atualização, e até consumo energético.
Se usas o PC para trabalhar e jogar, o teu objetivo não devia ser “ter o mais recente”. Devia ser “ter o mais estável com as correções que preciso”. Isso implica resistir ao impulso de atualizar ao minuto – e agir quando há motivo.
Se quiseres mais guias práticos deste género, a Leak.pt costuma atacar estes temas sem rodeios.
No fim do dia, atualizar drivers no Windows é como mexer em configurações avançadas: faz sentido quando há uma razão concreta. Se está tudo a funcionar, aproveita a paz. Se não está, agora já tens um caminho claro para resolver sem transformar o teu PC num laboratório de experiências.













