Olha bem para o extrato da tua conta. Por entre os pagamentos, há quase de certeza pequenas comissões que o banco te cobra todos os meses e que, somadas ao longo do ano, dão muito mais do que imaginas. A boa notícia é que grande parte delas pode ser reduzida ou eliminada de vez. É que o que parece pouco ocasionalmente, ao fim do ano pode ser realmente muito. Vamos dar-te uma ajuda e explicar-te como podes poupar nas comissões bancárias.
As comissões bancárias que mais pesam (mas podes poupar)
Vamos começar por olhar para as as comissões que mais pesam:
Manutenção de conta. A mais comum. Muitos bancos cobram uma comissão trimestral só por teres a conta aberta, mesmo sem a usares quase.
Anuidade do cartão. Cartões de débito e, sobretudo, de crédito cobram uma taxa anual que muita gente nem repara que paga.
Comissões de transferências. Algumas transferências, sobretudo as imediatas ou ao balcão, têm custo. As transferências normais e o MB WAY entre particulares costumam ser gratuitos, usa-os.
Levantamentos noutras redes. Levantar dinheiro fora da rede Multibanco (em caixas de operadores privados, muitas vezes com nomes apelativos) pode ter custo. Confirma sempre antes.
Comissão de inatividade. Há contas paradas que continuam a gerar custos só por estarem abertas e sem movimento.
A solução que poucos conhecem: os Serviços Mínimos Bancários
A lei portuguesa obriga os bancos a oferecer uma conta com serviços mínimos bancários, com comissões anuais limitadas a um valor muito baixo. Inclui conta à ordem, cartão de débito, acesso ao homebanking e um número de operações por ano. Para muita gente com necessidades simples, é a forma legal de cortar quase tudo o que paga em comissões. Qualquer pessoa pode pedir a conversão da conta ou a abertura de uma destas contas, desde que cumpra as condições (em regra, não ser titular de outra conta à ordem).
Compara e negoceia
Os bancos têm um preçário público, obrigatório, onde constam todas as comissões. Pede o teu e compara com o de outros bancos, incluindo os digitais, que costumam ter conta e cartão sem comissões de manutenção. Se descobrires que pagas de mais, liga ao teu banco: por vezes, a simples ameaça de mudar de banco leva à isenção de comissões, sobretudo se tens lá o ordenado domiciliado.
Passos práticos para pagares menos:
- Lê o extrato dos últimos meses e marca todas as comissões.
- Pede o preçário e percebe o que estás a pagar e porquê.
- Verifica se compensam os Serviços Mínimos Bancários ou um banco digital sem comissões.
- Cancela cartões e produtos que não usas (mas confirma se algum isenta comissões da conta).
- Domicilia o ordenado onde isso te dê isenções.
Atenção aos pacotes e às compras no estrangeiro
Muitos bancos vendem pacotes de conta que juntam vários serviços por uma mensalidade só compensam se usares mesmo tudo o que incluem; caso contrário, pagas por extras inúteis. E se compras online em sites estrangeiros ou viajas para fora da zona euro, vê as comissões de câmbio e de operações em moeda estrangeira: alguns cartões cobram uma percentagem em cada compra noutra moeda. Há cartões (sobretudo de bancos digitais) que fazem isto sem comissão vale a pena ter um para essas situações.
Mudar de banco é mais fácil do que pensas
A maior desculpa para aturar uma conta cara é o trabalho de mudar os débitos diretos e o ordenado. Mas existe um serviço de mudança de conta que a nova instituição é obrigada a tratar por ti, transferindo as domiciliações sem teres de andar a avisar cada entidade uma a uma. Retirada essa barreira, não há razão para continuares preso a comissões que não justificam o serviço. Rever isto uma vez por ano pode poupar-te facilmente dezenas de euros, dinheiro que estava a sair da tua conta em silêncio, sem te dar nada em troca.





