Atestar um veículo a combustão em Portugal já é um exercício complicado, especialmente agora que até poderá resultar num telefonema do teu gestor de conta a perguntar se estás a fazer alguma loucura antes da chegada do ordenado. Mas, nas autoestradas é ainda pior!
Como deves saber, fazer uma viagem longa em Portugal já é, por si só, um exercício doloroso para a carteira entre portagens exorbitantes e o preço do gasóleo e da gasolina pelas horas da morte. Mas se há coisa que me tira do sério é o preço do combustível, o mesmo exato combustível, nas áreas de serviço. É completamente normal, e aceitável, pagar mais 5 ou 10 cêntimos por litro, ou mais, apenas pela comunidade de meter gasolina, gasóleo ou GPL sem sair da autoestrada.
Combustível na autoestrada: O “roubo” autorizado?

A pergunta que qualquer condutor faz é simples… Como é que o mesmo combustível, transportado pelos mesmos camiões e refinado no mesmo sítio… Encarece magicamente só por estar a cinquenta metros do asfalto rápido?
Porque é que a autoestrada é um luxo?
Não há qualquer milagre na gasolina que justifique a diferença de preço. O que estás a pagar a mais não é qualidade de combustível, é a taxa da tua própria preguiça e o monopólio da localização.
- As rendas milionárias das concessões: As marcas que operam nas áreas de serviço pagam valores altísimos às concessionárias das autoestradas e ao Estado pelo direito de explorar aquele pedaço de terra. E como as grandes petrolíferas não estão para perder margens de lucro… Já deves ter percebido quem paga.
- Zero concorrência e cliente cativo: Dentro da autoestrada não tens alternativas independentes nem bombas low-cost de hipermercado a fazer pressão. A operadora sabe perfeitamente que estás em viagem, que queres despachar o assunto e que a probabilidade de saíres para procurar uma bomba é mais barata é possível mas muito reduzida. Cobram mais porque simplesmente podem fazê-lo.
- A desculpa do horário contínuo: Manter uma infraestrutura aberta 24 horas por dia, com balneários, lojas de conveniência e segurança, tem custos logísticos reais.
Sair da autoestrada dá trabalho? Dá. Mas a poupança compensa
Se olharmos para os números práticos de um depósito normal de 50 litros, a diferença traduz-se imediatamente em 2,50€ a 5,00€ a mais por cada abastecimento. Numa viagem de férias ou para quem faz muitos quilómetros por semana em trabalho, estamos a falar de dezenas de euros deitados fora.
Basta abrir o portal oficial da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia) ou uma daquelas aplicações comunitárias no smartphone para perceber que a escassos 500 metros ou 1 quilómetro de uma saída de autoestrada. Isto numa qualquer zona industrial ou circular urbana, tens quase sempre postos com preços muito mais em conta. Perdes cinco minutos a contornar a rotunda e a passar a portagem, mas trazes dinheiro suficiente no bolso para pagar os cafés da viagem e ainda sobra troco.






