Em Portugal, existe um tema clássico que mexe com as carteiras de todos nós e que, de tempos a tempos, volta a saltar para as tendências das redes sociais. Estamos a falar do preço dos combustíveis, que funcionam quase como uma montanha-russa.
A ilusão da descida direta e o mito do combustível premium
Antes de mais nada, o mercado global de combustíveis não funciona com uma regra de três simples. O preço que encontras no posto não é determinado apenas pelo preço do petróleo que vês nas notícias, mas sim pela média semanal do produto já refinado (o Platts), além de fatores como a flutuação do Euro face ao Dólar.
Mas a grande rasteira está na própria mentalidade corporativa. Quando as taxas descem, o espaço livre na margem de lucro é uma tentação demasiado grande para as marcas. As gasolineiras privadas jogam com a inércia do mercado. Ou seja, têm uma pressa brutal para aplicar aumentos à mínima ameaça de crise, mas quando o vento sopra a favor do consumidor, a descida é feita a conta-gotas.
Sim, há muita culpa no lado dos impostos em Portugal, mas se olharmos para Espanha, onde as taxas são diferentes, percebemos que a dimensão do mercado e a concorrência agressiva moldam os preços de outra forma. Por cá, o setor continua a parecer um clube muito restrito.
A DIGI dos combustíveis e a rasteira dos preços fixos
Para colocar a concorrência a funcionar a sério e quebrar este cenário, o caminho devia passar por desmistificar velhos mitos urbanos.
Há quem ainda jure que o combustível das marcas low cost destrói os motores, quando a produção e a qualidade são altamente reguladas para todos.
De facto, a diferença real no desempenho costuma estar no estado de conservação dos tanques de cada posto e não em misturas milagrosas. Por isso, se o consumidor perdesse o medo de abastecer no mais barato, o mercado sofria um abanão. Aliás, as muitas promoções que vemos agora no lado premium da coisa não acontecem por acaso. Existem descontos em cartão, talão, em supermercados, etc… Porque estas empresas viram necessidade em fazer algo para mudar o jogo.
Aliás, vimos bem o impacto que a entrada de um operador disruptivo como a DIGI teve no setor das telecomunicações. O mundo dos combustíveis precisa urgentemente do seu próprio momento de rutura.
Por outro lado, ir ao extremo oposto e exigir a fixação de preços máximos por decreto governamental é entrar num caminho perigosíssimo. Portugal importa a esmagadora maioria do combustível que consome. Se o Estado impuser um teto máximo que fique abaixo do custo real de importação e refinação, nenhuma empresa privada vai querer vender com prejuízo.
No fim do dia, ficámos no pior dos dois mundos… Os impostos continuam altos, as marcas continuam a proteger as suas margens e o tuga continua a pagar e a não bufar na hora de atestar. Tu por aí, achas que esta mentalidade das gasolineiras alguma vez vai mudar com concorrência real, ou o tuga vai simplesmente continuar a pagar e a calar?






