Com os preços dos combustíveis completamente descontrolados, há uma pergunta que começa a aparecer cada vez mais vezes: vale mesmo a pena andar a brincar aos cartões, apps, cupões e campanhas… ou mais vale meter combustível nas low-cost e seguir com a vida?
A resposta curta é chata, mas é a correta. Depende!
Mais concretamente, depende do carro, depende dos quilómetros que fazes, depende dos supermercados onde já fazes compras normalmente, e depende também da tua paciência para entrar num ecossistema de descontos que, por vezes, parece mais um jogo para te manter dentro do mesmo grupo do que uma poupança real.
As low-cost continuam a fazer sentido?
Comecemos pelo mais simples. As bombas low-cost, como Intermarché, Auchan, Petroprix, Plenergy e outras do género, continuam a ter uma grande vantagem: o preço base é logo mais baixo! Além disso, apesar de tudo aquilo que é dito pelo amigo, vizinho ou mecânico da esquina, a realidade é que todos os combustíveis chegam aos postos a partir do mesmo sítio.
Alguns podem ter mais aditivos do que outros, ou podem ter um transporte de maior qualidade do que outro. Mas as diferenças entre postos não são, nem nunca foram, o bicho que muita gente faz parecer ser.
Por isso, ao meter combustível low cost, não tens de fazer contas à vida, não tens de esperar por cupões, não tens de acumular saldo num cartão qualquer, nem tens de ir fazer compras de propósito para depois ter direito a um desconto futuro.
Chegas, abasteces, pagas, vais embora. Simples, e a simplicidade também tem valor.
Mas os cartões podem mesmo compensar!
Dito isto, há casos em que os cartões e campanhas ganham, e ganham sem grande discussão.
O exemplo mais falado continua a ser o combo Pingo Doce + BP + Poupa Mais. Quando bem aproveitado, especialmente nas campanhas dos 100€, há quem consiga meter combustível com descontos absurdos, ao ponto de pagar muito menos por litro do que numa low-cost.
Aliás, quando juntas saldo acumulado, vales de combustível, promoções de fim de semana e até cashback de cartões de crédito, a diferença pode ser mesmo grande e vantajosa para uma família.
O problema é que isto obriga a que fiques mesmo preso ao ecossistema. É quase como comprar um iPhone e um MacBook. Agora tens de ter tudo o resto e já não podes sair.
Há que fazer contas! É aqui que muita gente se engana!
Há um erro muito comum neste tipo de contas. Muita gente olha só para o desconto na bomba e esquece tudo o resto.
Porque uma coisa é receber 20€ em combustível. Outra é perceber quanto tiveste de gastar antes para lá chegar, onde gastaste esse dinheiro, e se esses produtos eram realmente os mais baratos face a outras superfícies.
Se já fazes compras no Pingo Doce, Continente, Lidl, ou onde quer que seja, e aproveitas campanhas sem alterar os teus hábitos, ótimo. Faz todo o sentido aproveitar.
Mas se começas a fazer compras mais caras, ou a comprar coisas de que não precisas, só para teres direito ao desconto no combustível, então a poupança acaba por não fazer muito sentido.
No fundo, há duas estratégias válidas
A primeira é a mais simples: ir sempre à low-cost mais barata e não perder tempo com mais nada.
A segunda é mais trabalhosa, porque tens de fazer contas e perceber se vais de facto poupar dinheiro. Mas pode compensar muito mais: usar cartões, apps, cupões, cashback e campanhas de forma quase cirúrgica.
Como dissemos em cima, o problema é que esta segunda abordagem exige alguma disciplina. Tens de saber os preços dos supermercados, perceber se a campanha é mesmo boa, evitar compras por impulso e ainda ter paciência para gerir tudo.
Nem toda a gente tem tempo, vontade ou cabeça para isso.
A minha opinião? A maioria das pessoas complica demais
Para quem gosta de otimizar tudo, sim, os cartões podem valer muito a pena. Especialmente se já fazes compras nos sítios certos, tens cashback e consegues encaixar tudo sem esforço extra.
Mas para a maioria das pessoas, a verdade é mais dura. Mais vale meter na low-cost e não perder tempo.
É o que eu faço, e nunca me caiu um braço, ou uma roda.










