Se há sensação partilhada por praticamente todos os condutores em Portugal é aquela velha máxima: basta o petróleo subir meio cêntimo no mercado internacional para as gasolineiras aumentarem logo os preços na bomba à segunda-feira. Aliás, o petróleo aumentou entre 2 e 3 dólares na última semana, e é agora esperada uma subida de 10 cêntimos no gasóleo e gasolina a partir da próxima segunda-feira.
Foi exatamente por isso que o governo quis tirar a história a limpo e mandou a ERSE investigar o fenómeno. O resultado do relatório acabou de sair, e a conclusão oficial é quase cómica de tão previsível… Está tudo normal.
Ou seja, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos analisou os primeiros sete meses de 2026 e garantiu, em relatório enviado ao Ministério do Ambiente e Energia, que não encontrou qualquer irregularidade no funcionamento do mercado de combustíveis nem distorções que justifiquem uma intervenção nos preços.
Combustívies: A teoria vs a realidade?

Portanto, segundo o estudo da ERSE, na gasolina 95 simples não foi encontrada qualquer assimetria estatística entre a velocidade a que o preço sobe e a velocidade a que desce.
Já no caso do gasóleo simples, o regulador admite que existe, de facto, uma ligeira assimetria onde a subida é mais rápida do que a descida, mas classifica-a como sendo de “reduzida magnitude económica” (cerca de 0,76 cêntimos por litro na primeira semana) e garante que ao fim de quatro semanas o impacto desaparece por completo.
A justificação dada pela entidade é o guião técnico habitual. Ou seja, o preço do barril de crude (Brent) não conta a história toda. O que interessa é a cotação internacional do produto já refinado (gasóleo e gasolina prontos a usar), a disponibilidade e o custo das refinarias, as perturbações logísticas e, claro está, a fatia gigantesca da fiscalidade que o Estado cobra em cada litro.
Em Espanha é mais barato? É. Mas os impostos também são.
Com esta conclusão da ERSE, cai por terra a ameaça recente do Executivo de avançar com a fixação administrativa de preços máximos nos postos de abastecimento. Para o regulador, o mercado apenas se adaptou a um contexto de custos internacionais voláteis sem alterar a sua estrutura base.
É boa ideia entender que mais de metade do custo do combustível refinado em Portugal é imposto. De facto, as gasolineiras não ganham assim tanto dinheiro nos postos de combustível. Já o estado… Essa é outra conversa.
Acreditas nas conclusões da ERSE de que os preços sobem e descem ao mesmo ritmo? Ou continuas a sentir o efeito “foguete e pluma” na pele sempre que vais às bombas? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







