Combustíveis a 3 euros por litro em Portugal? – Há discussões na internet que parecem apenas delírios de fóruns. Mas, quando o tema mexe com o bolso do português comum e com o preço que pagamos na bomba todas as semanas, o tom muda de figura num instante.
As subidas têm sido constantes, e de facto já parece existir pouca lógica entre o preço do barril de Brent e o preço dos combustíveis nos postos de abastecimento. Isto cria confusão, e parece estar também a semear o caos.
Agora… Se os combustíveis vão tocar nos 3€ por litro? É impossível de saber. Mas já há quem não duvide nada.
O barril arde e o Estado esfrega as mãos?

Não precisamos de ser peritos em macroeconomia para perceber o básico da equação nacional.
O preço do combustível em Portugal é, em grande parte, uma máquina desenhada para cobrar impostos sobre impostos. Sempre que há problemas no Médio Oriente ou há relatos de oleodutos sob ataque, o crude sobe nos mercados internacionais. Por sua vez, em Portugal, como o imposto é quase 60% do valor do produto final, vamos ver preços de 3€ em que quase 2€ vão para o bolso do estado. De facto, em Portugal, quem se ri com a subida é o próprio Estado, que vê as receitas do IVA e do ISP dispararem enquanto o automobilista faz contas à vida.
Entretanto, há quem defenda que a fasquia dos 2,50€ ou dos 3€ nunca será atingida porque as pessoas pura e simplesmente deixariam o carro na garagem.
Afinal de contas, isto significaria que um automóvel com um depósito de 50L custaria 150€ a atestar. É muito dinheiro. E claro está, isso faria a procura colapsar.
Mas isso é, pelo menos por enquanto, pura ilusão. Em Portugal, onde os transportes públicos fora dos grandes centros urbanos continuam a ser uma miragem, o combustível tem uma procura quase rígida. Quem precisa de ir trabalhar, levar os filhos à escola ou fazer a sua vida não tem alternativa senão pagar e calar.
Isso ou trocar para um carro elétrico.
O dilema do elétrico? Trocar ou aguentar o velhinho a diesel?
É precisamente nestas alturas de pânico nas bombas que regressa a eterna discussão dos carros elétricos. De repente, as caixas de comentários enchem-se de folhas de cálculo no Excel com contas de merceeiro:
- Os defensores da mudança: Argumentam que com a gasolina a caminhar para valores proibitivos, investir 20 ou 30 mil euros num elétrico novo (como o renovado Nissan Leaf ou o Dacia Spring) se amortiza em cinco ou seis anos, sobretudo se tiveres possibilidade de carregar em casa à noite a preços reduzidos.
- A realidade da maioria: A esmagadora maioria das famílias portuguesas tem um carro a gasóleo com 10 ou mais anos que já está completamente pago. Meter a cabeça num crédito automóvel pesado para poupar no combustível é tirar o estendal da chuva para o meter novamente dentro do tanque. Especialmente quando as próprias marcas admitem que a eletricidade e os impostos sobre os elétricos vão acabar por subir quando o parque automóvel transitar em definitivo.
No fim do dia, o que é garantido é que o alívio que muitos esperavam nos preços da energia não tem fim à vista. A indústria interna fala abertamente em subidas estruturais até ao final da década, e cada tensão geopolítica é a desculpa perfeita para empurrar o ponteiro mais um bocadinho para a direita.
Chegará aos 3 euros até ao Natal? Esperemos bem que não. Mas se a história recente nos ensinou alguma coisa, é que nunca devemos duvidar da capacidade dos combustíveis de nos arrancarem o couro e o cabelo.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que os combustíveis vão mesmo tocar nos 3 euros por litro a curto prazo, ou isso forçaria finalmente o país a parar?






