Durante anos, a conversa sobre descarbonização nos transportes ficou quase totalmente refém da eletrificação. Carros elétricos, carregadores, baterias maiores, mais incentivos, etc… Tudo certo, mas há um problema óbvio que muitas vezes é ignorado. Nem todo o transporte pode ser eletrificado, pelo menos não no curto ou médio prazo.
É aqui que entram os combustíveis sintéticos, que começam a aparecer agora na F1, e também os menos falados combustíveis 100% renováveis. Esta última uma solução que já existe, já está no mercado e não exige mudar carros, motores ou infraestruturas.
O que são, afinal, os combustíveis renováveis?

Portanto, estamos a falar de biocombustíveis avançados, produzidos a partir de resíduos orgânicos. Ou seja, óleos alimentares usados, resíduos agroflorestais, restos da indústria agroalimentar e até frações orgânicas de resíduos urbanos.
Assim, ao contrário dos combustíveis fósseis, estes combustíveis não extraem carbono “novo” do subsolo. Reaproveitam carbono já existente no ciclo biológico, permitindo reduções de emissões de CO2 que podem chegar aos 90%, dependendo do processo e da matéria-prima utilizada.
Porque é que isto é relevante agora?
Porque o setor dos transportes continua a ser um dos maiores emissores de CO2 na Europa. E, como dissemos em cima, porque há segmentos onde a eletrificação simplesmente não chega.
Transportes pesados, frotas profissionais, maquinaria industrial, transporte marítimo ou mesmo veículos mais antigos que vão continuar a circular durante muitos anos. Tudo isto representa milhões de motores que não vão desaparecer de um dia para o outro.
Trocar toda essa frota por veículos elétricos não é realista. Trocar o combustível é.
A aposta da Repsol nos combustíveis 100% renováveis!
Isto é agora tema, porque a Repsol está a apostar forte no marketing de combustíveis 100% renováveis em 2026. Estamos a falar dos Nexa, especialmente do Diesel Nexa 100% renovável. Um combustível do tipo HVO, produzido através de óleos vegetais hidrotratados e resíduos orgânicos.
Este combustível pode ser usado em qualquer veículo a gasóleo atual, sem modificações no motor, sem adaptações mecânicas e sem novas infraestruturas de abastecimento.
Uma alternativa real à eletrificação total?
Ao contrário do que muitas vezes se tenta vender, a transição energética não vai ser feita com uma única tecnologia. Vai ser feita com um conjunto de soluções.
É por isso que a Toyota aposta em várias motorizações, e as gigantes Alemãs continuam a apostar (e bem) nos seus plug-ins.
Dito tudo isto, os combustíveis renováveis destacam-se precisamente onde os elétricos têm dificuldades. Longas distâncias, cargas pesadas, utilização intensiva e contextos profissionais onde o tempo parado custa dinheiro.
Aqui, o Diesel renovável funciona como uma solução imediata, enquanto outras tecnologias continuam a evoluir.
Produção a aumentar e escala industrial
Em 2024, a Repsol inaugurou a primeira unidade dedicada exclusivamente à produção de combustíveis 100% renováveis na Península Ibérica. E já existem novos investimentos em curso para aumentar a capacidade de produção.
Este ponto é crucial. Sem escala industrial, não há transição energética possível. A aposta em unidades dedicadas mostra que esta tecnologia deixou de ser experimental.
Já faz parte do teu dia a dia, mesmo que não saibas
Há um detalhe que muita gente desconhece. Em Portugal, a lei já obriga a que todos os combustíveis líquidos tenham uma incorporação mínima de componente renovável, atualmente nos 10%.
Ou seja, mesmo quem nunca abasteceu um combustível “100% renovável” já está, na prática, a usar uma mistura com origem biológica.
Vantagens claras, sem recomeçar do zero?
Os combustíveis renováveis não exigem revoluções. Aproveitam a rede de distribuição existente, os veículos que já circulam e a experiência acumulada de décadas.
As vantagens são diretas. Redução significativa de emissões, valorização de resíduos que iriam para aterro, menor dependência de petróleo e liberdade de escolha para o consumidor.
Claro que pode trazer algumas dúvidas para cima da mesa. Mas é uma alternativa muito interessante, que deves ter debaixo de olho se queres ajudar o ambiente.

