Toda a gente fala do óbvio: câmaras, ecrãs, processadores, baterias. Mas há uma evolução bem mais discreta daquelas que não aparecem nos anúncios e que mudou (mesmo) a experiência de usar um telemóvel no dia a dia. O resultado é simples: os smartphones modernos sentem-se melhores, soam melhor, localizam-nos com mais precisão e até aguentam melhor a passagem do tempo… sem nós darmos por isso. Vamos dizer-te as cinco coisas que mudaram no teu telemóvel e provavelmente nem deste conta.
As cinco coisas que mudaram no teu telemóvel (e nem notaste)
1) Vibração a sério: o toque (haptics) deixou de parecer um Nokia de 2006
Se há coisa que denuncia um telemóvel barato, é aquela vibração seca e barulhenta que parece vir do interior de uma caixa de plástico. Nos modelos topo de gama, isso mudou com atuadores mais sofisticados (os tais motores de vibração). Em vez de uma vibração genérica, o telemóvel consegue fazer toques mais curtos, precisos e realistas, o que dá uma sensação muito mais premium a tudo: escrever no teclado, tocar em botões, desbloquear com erro, tirar uma foto, etc.

É um detalhe, mas muda a forma como o telefone parece responder.
2) Chamadas muito melhores: culpa de mais microfones + IA
É moda dizer ninguém usa o telemóvel para telefonar. Verdade… mas quando usamos, queremos que funcione. Antes, muitos smartphones tinham 1 microfone (2 nos modelos mais luxo). Hoje, é normal encontrar 3 ou 4 microfones a trabalhar em conjunto, permitindo ao telemóvel apontar a captação para a tua voz e reduzir o ruído à volta.
E a parte mais importante nem é só o hardware: os sistemas atuais fazem remoção de ruído e melhoria de voz em tempo real. Resultado: o outro lado ouve-te muito melhor mesmo com trânsito, vento, obras ou pessoas ao lado.

3) O armazenamento ficou MUITO mais rápido
Aqui ninguém vê… mas toda a gente sente.
Durante anos, muitos telemóveis (especialmente os mais baratos) usaram eMMC, que é basicamente um armazenamento tipo cartão SD: barato, mas lento.
Nos últimos tempos, o padrão passou a ser UFS, que é bem mais rápido e isto muda tudo: apps instalam mais depressa, atualizações demoram menos, o telefone engasga menos. Para além disso gravar vídeo pesado (tipo 4K/60) torna-se mais estável. E já há modelos a adotar UFS 4.0 nos segmentos mais altos.
4) GPS assustadoramente melhor: dual-band GNSS (L1 + L5)
Se já tiveste o Maps a mandar-te virar numa rua paralela… sabes o caos que era, sobretudo em zonas com prédios altos.
O GPS melhorou muito graças ao dual-band GNSS: em vez de depender apenas do sinal clássico (L1), muitos telemóveis passaram a suportar também L5, que ajuda a lidar com reflexos de sinal (multipath) e melhora a precisão.
Em condições reais, estudos mostram que usar L5/dual-frequency pode melhorar significativamente a precisão em smartphones, dependendo do cenário e do processamento.

5) O sistema ficou mais esperto
Esta é a parte mais invisível de todas: a forma como o telemóvel organiza e escreve dados.
Durante muito tempo, o mais comum foi ext4, um sistema de ficheiros sólido e universal. Mas a memória flash (NAND) dos smartphones tem características específicas (escritas constantes, desgaste, gestão de blocos, etc.) e por isso surgiram alternativas desenhadas para flash, como o F2FS (Flash-Friendly File System), criado precisamente a pensar neste tipo de armazenamento.
A realidade é que nem todos os telemóveis usam F2FS por defeito (muitos continuam em ext4), mas ao longo dos anos houve adoção em vários dispositivos/partições e o Android suporta bem ambos, inclusive em áreas críticas como encriptação por ficheiros.

