Na noite de 12 para 13 de agosto, o céu português vai encher-se de estrelas cadentes. É o pico das Perseidas, a chuva de meteoros mais famosa do ano e 2026 traz uma vantagem rara que faz desta uma das melhores oportunidades de há muitos anos. Ainda por cima no mesmo dia do eclipse. Fica a saber quando olhar para cima, para onde ir e como não perder nada da chuva de estrelas de 12 para 13 de Agosto.
Chuva de estrelas de 12 para 13 de Agosto: porque é que este ano é especial
O truque está na Lua. Muitas vezes o luar ofusca os meteoros mais fracos e estraga o espetáculo. Este ano não: a Lua Nova acontece precisamente a 12 de agosto (às 18h37, hora de Lisboa), o que garante um céu completamente escuro, sem luz a competir com as estrelas cadentes.

Sob um céu verdadeiramente escuro, podes chegar a ver até 100 meteoros por hora. Os astrónomos descrevem esta combinação como uma das melhores dos últimos anos e há ainda a possibilidade de a Terra atravessar um rasto de poeira mais antigo, o que pode intensificar a atividade na madrugada de dia 13.
A que horas olhar para o céu
Podes começar a observar a partir das 22h de dia 12, mas o verdadeiro espetáculo é depois da meia-noite. A janela de maior intensidade situa-se entre as 2h e as 5h da madrugada de dia 13, quando a constelação de Perseu, o ponto de onde os meteoros parecem irradiar, sobe mais alto no céu.
Se essa noite ficar nublada onde estás, nem tudo está perdido: a atividade estende-se por vários dias, e as noites de 11 para 12 e de 13 para 14 também prometem bons avistamentos. E a melhor notícia de todas: não precisas de telescópio nem binóculos. As Perseidas veem-se melhor a olho nu.
Onde ver em Portugal, de norte a sul
A regra de ouro é fugir da poluição luminosa das cidades. Portugal tem, felizmente, alguns dos melhores céus da Europa para isto.
O destino de eleição é o Dark Sky Alqueva, no Alentejo, o primeiro território de céu escuro certificado do mundo. No Norte, a zona de Montesinho e de Bragança, em Trás-os-Montes, é excelente, embora este ano os alojamentos por ali estejam praticamente esgotados por causa do eclipse. Como alternativas de céu limpo, aponta para a Serra da Estrela, o Peneda-Gerês ou qualquer zona alta e afastada de povoações no interior. No fundo, basta um sítio escuro, com horizonte aberto e onde possas estacionar em segurança.

Como tirar o máximo da noite
Uns truques simples fazem toda a diferença. Dá aos teus olhos 20 a 30 minutos para se adaptarem à escuridão. Entretanto resiste a olhar para o ecrã do telemóvel, que estraga essa adaptação num instante. Deita-te de costas e abarca o máximo de céu possível: apesar de os meteoros parecerem vir de nordeste, riscam o céu em todas as direções.
Leva roupa quente e uma manta: mesmo em agosto, as noites no interior arrefecem bastante. Confirma a previsão do tempo, porque só um céu limpo te dá o espetáculo completo. E, se preferes companhia e explicação, há sessões de observação organizadas, por exemplo no Dark Sky Alqueva e no Centro Ciência Viva de Constância que juntam guias e telescópios.
Um pormenor delicioso para os apaixonados por astronomia: como o eclipse solar acontece ao fim da tarde de dia 12 e as Perseidas nessa madrugada, podes viver dois fenómenos astronómicos no mesmo dia. Poucas vezes o céu de agosto é tão generoso.







