Há quem se pergunte, ao usar um multibanco, se é possível apanhar um choque elétrico da máquina. A resposta rápida é tranquilizadora: não. As caixas multibanco são aparelhos certificados, ligados à terra e com as partes acessíveis a baixa tensão, a probabilidade de levares um choque é praticamente nula, mesmo com as mãos molhadas ou à chuva. Mas há um perigo real nas caixas multibanco, esse sim muito mais comum e bem mais caro: a clonagem do teu cartão. E, ao contrário do choque imaginário elétrico no multibanco, este pode mesmo esvaziar-te a conta.
Choque elétrico no multibanco? O esquema que devias temer: skimming
Chama-se skimming, a cópia dos dados do cartão através de dispositivos colados à máquina, e continua a apanhar gente desprevenida. Não é raro: segundo a GNR, há mais de mil ocorrências anuais em Portugal, e a PSP tem detido indivíduos a instalar estes equipamentos, apreendendo skimmers, câmaras ocultas e material para duplicar cartões.

O esquema é simples e engenhoso. Os criminosos colocam na caixa multibanco um leitor falso, por cima da ranhura verdadeira, que copia os dados da banda magnética ou do chip do teu cartão. Ao mesmo tempo, captam o teu PIN ou com uma câmara minúscula escondida, ou com um teclado falso colocado por cima do verdadeiro. Com o cartão clonado e o PIN, esvaziam-te a conta.
O pior é que tudo funciona aparentemente normal: levantas o teu dinheiro, a máquina não dá erro, e só dias depois é que aparecem os movimentos estranhos.
Os sinais de que a caixa foi adulterada
Antes de inserires o cartão, faz uma inspeção rápida de dois segundos. Estes são os alertas:
- A ranhura do cartão parece saliente, mal encaixada, com cola visível ou de cor/material ligeiramente diferente do resto da máquina.
- O teclado parece mais alto, mal alinhado ou com uma textura pouco habitual, pode ser um teclado falso por cima do verdadeiro.
- Há peças soltas, componentes deslocados ou algo que “abana” quando tocas.
- Vês pequenos orifícios ou acessórios estranhos perto do teclado, podem esconder uma câmara.
Um gesto simples que vale ouro: tapa sempre o teclado com a outra mão ao introduzir o PIN. Mesmo que haja câmara, não capta o código.

Como te proteges
Prefere caixas em locais movimentados e vigiados (interior de agências bancárias), menos apetecíveis para adulterações. Desconfia de caixas em zonas isoladas ou mal iluminadas.
Ativa as notificações do teu banco por SMS ou app, para saberes de imediato se há um movimento que não reconheces.
Se uma caixa te parecer adulterada, não a uses, não tentes desmontar o dispositivo, e avisa o banco a que pertence ou as autoridades.
Se o cartão ficar retido, não te afastes a pedir ajuda a estranhos que apareçam “por acaso”, pode ser parte do esquema. Liga tu para o teu banco e cancela o cartão.
E se já foste vítima?
Se detetaste movimentos que não fizeste, age depressa: cancela o cartão de imediato, contacta o banco para contestar as transações e apresenta queixa às autoridades. Quanto mais rápido reportares, maior a probabilidade de travar o prejuízo e de o banco acionar os mecanismos de proteção.
No fim de contas, o choque elétrico no multibanco é um medo sem fundamento mas a clonagem do cartão é bem real. Uns segundos de atenção antes de inserir o cartão podem poupar-te uma dor de cabeça (e uma conta esvaziada).







