Nos últimos tempos, abrir uma notícia sobre computadores ou smartphones é uma forma muito fácil e rápida de ficar mal disposto. Não há chips de memória, seja para RAM ou armazenamento interno, porque a IA fica com tudo a preços inacreditáveis. O mercado de consumo fica com o resto.
Isto acontece porque as grandes fabricantes deste espaço (Samsung, SK Hynix e Micron) têm o monopólio nas suas mãos, e durante muitos anos decidiram que investir na expansão era uma má ideia, porque seria muito mais lucrativo jogar o jogo da “oferta vs procura”.
Pois bem, agora que a lucratividade está em máximos históricos, há quem não tenha qualquer intenção de pedir licença para estragar o banquete. Estamos a falar da chinesa CXMT (ChangXin Memory Technologies). Que acabou de anunciar a produção em massa da sua nova plataforma G5 de memórias DRAM, capaz de olhar a Samsung olhos nos olhos!
Estamos a falar de novos chips LPDDR5X com mais 50% de capacidade para smartphones e portáteis, produzidos com litografia avançada de 11nm. E o melhor de tudo? Até a Apple já anda a piscar o olho a estes chips para fugir à falta de stock e preços absurdos dos suspeitos do costume!
O salto técnico da plataforma G5: O fosso para os gigantes fechou-se!?

Esquece aquela velha ideia de que a China só sabe fazer clones rascas de tecnologias ultrapassadas. A conferência World Manufacturing Convention de 2026 serviu de palco para a CXMT mostrar que a sua tecnologia de 5.ª geração não veio para brincar.
A engenharia por detrás desta nova fornada de chips é tudo menos amadora:
- Arquitetura ao nível do que de melhor se faz no mundo: A empresa recorreu a processos avançados de quadrupla exposição (SAQP) para atingir um nó efetivo de 11,95 nm nas matrizes de memória, integrando novos materiais com portas de alto rendimento (high-k metal gate) otimizadas para DRAM.
- Mais 50% de capacidade na mesma bolacha de silício: Ao desenharem primeiro um “gémeo digital” do processo em computador para eliminar erros de fabrico, conseguiram um salto tremendo de rendimento. Os novos chips LPDDR5X oferecem uma densidade de 24Gb por die (um aumento imediato de 50% face à geração anterior).
- Eficiência brutal para portáteis e telemóveis: Menor área de silício e maior densidade significam duas coisas cruciais para aparelhos móveis: menos consumo energético na bateria e menos calor gerado debaixo da carcaça.
O pânico das “grandes”?
Qual é o verdadeiro impacto disto no mundo real? É muito simples! Concorrência para quem andava a esticar os preços sem vergonha.
A Samsung e a SK Hynix habituaram-se a controlar o fornecimento global com mão de ferro. Mas a capacidade de produção de wafers da CXMT está a crescer a um ritmo alucinante. Se as fabricantes chinesas de telemóveis (Xiaomi, Oppo, Vivo, Honor) começarem a equipar os seus aparelhos exclusivamente com DRAM da CXMT, libertam uma quantidade absurda de quota de mercado que antes ia direitinha para os cofres dos sul-coreanos.
E a dor de cabeça não fica pela China.
O rumor que corre com cada vez mais força nos bastidores é que a própria Apple, mesmo com a pressão política de Washington e o falatório do Pentágono, está seriamente inclinada a recorrer à CXMT para meter memória nos seus produtos de grande consumo. Afinal de contas, em Cupertino ninguém gosta de pagar margens de luxo a concorrentes diretos quando podem comprar chips com a mesma especificação técnica a metade do preço noutro lado.
Isto era necessário!
Ainda hoje falávamos de como o CEO da Acer veio desmascarar a farsa da escassez infinita de memória e prever quedas de preços em 2027. A entrada em cena da CXMT com produção massificada é a peça do puzzle que faltava para provar essa teoria.
Não há cartel nem narrativa corporativa de “crise perpétua” que aguente quando um concorrente com linhas de produção gigantescas começa a despejar componentes (mais) baratos e fiáveis no circuito. Assim, se a Samsung e companhia quiserem manter clientes a partir do próximo ano, vão ter de engolir o orgulho, baixar as margens de lucro e trazer os preços de volta à terra.
Claro que nada disto vai acontecer no imediato. Mas, as coisas começam a mudar e isso é uma óbvia boa notícia para todos.






